Se no início das articulações pela presidência da Câmara de Cuiabá o vereador Ilde Taques (Podemos) apostava em uma ampla maioria para comandar a Mesa Diretora, agora sua estratégia de campanha mudou de foco.
Mais do que contabilizar votos, o parlamentar passou a explorar politicamente a reação provocada pela judicialização da eleição e transformou o discurso de independência do Legislativo em sua principal bandeira.
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Nos primeiros movimentos da disputa, Ilde chegou a afirmar que reunia apoio de aproximadamente 20 vereadores para disputar a presidência da Casa.
Com o avanço das negociações, esse número diminuiu e o próprio parlamentar reconheceu que trabalha atualmente com um grupo mais consolidado de cerca de 13 apoiadores.
Mesmo assim, ele afirma que o cenário voltou a mudar nos últimos dias.
Segundo o vereador, a decisão do prefeito Abilio Brunini (PL) de ingressar no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI), questionando regras do Regimento Interno da Câmara, produziu efeito contrário ao esperado e passou a fortalecer sua candidatura.
Na avaliação de Ilde, parte dos vereadores interpretou a medida como uma tentativa de interferência do Executivo em uma decisão que cabe exclusivamente ao Poder Legislativo.
“O vereador quer votar livremente. A Câmara precisa decidir seu futuro sem interferências externas”, tem afirmado o parlamentar ao longo da semana.
O discurso passou a ser repetido também por vereadores que integram seu grupo político.
A defesa da autonomia da Câmara tornou-se um dos principais argumentos utilizados para conquistar parlamentares ainda indecisos.
Nos bastidores, aliados de Ilde sustentam que a repercussão da ADI provocou desconforto até mesmo entre vereadores da base governista, abrindo espaço para novas conversas.
Embora evite divulgar números atualizados, o vereador afirma que voltou a ampliar sua base de apoio após a judicialização da disputa.
Outro eixo da campanha é o compromisso com a governabilidade.
Ilde procura afastar a imagem de candidato de oposição ao prefeito e afirma que, caso seja eleito presidente da Câmara, pretende manter uma relação institucional com o Executivo, assegurando a votação dos projetos considerados importantes para a cidade.
Segundo ele, independência não significa confronto.
O vereador defende que o Legislativo mantenha autonomia administrativa e política, mas preserve o diálogo com a Prefeitura em temas de interesse público.
Essa posição busca reduzir resistências entre vereadores que apoiam o governo, mas demonstram desconforto com o nível de participação do Executivo na eleição da Mesa Diretora.
Ao mesmo tempo, Ilde tenta consolidar sua imagem como representante de uma Câmara mais independente.
A estratégia ganhou força depois que o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Max Russi (Podemos), saiu em defesa da autonomia do Parlamento municipal e criticou qualquer tentativa de interferência externa na definição da Mesa Diretora.
As declarações foram interpretadas como um reforço político ao discurso adotado pelo vereador.
Enquanto isso, o grupo da atual presidente Paula Calil continua concentrando esforços para garantir sua permanência no comando da Câmara e aguarda o julgamento da ADI que poderá alterar as regras do processo eleitoral.
Com a disputa ainda indefinida, a campanha pela presidência da Mesa deixou de ser apenas uma contagem de votos.
Transformou-se em uma disputa de narrativas.
De um lado, a defesa da continuidade da atual gestão da Câmara.
Do outro, o argumento de que o Legislativo precisa reafirmar sua autonomia diante da atuação do Executivo.
É nesse ambiente que Ilde Taques tenta construir sua candidatura, apostando que a reação política à judicialização poderá produzir, nas urnas da Câmara, o mesmo efeito que já provocou nos bastidores do Parlamento.





