Agência Câmara
Presidente nacional do Republicanos, o deputado Marcos Pereira (SP) se diz frustrado com decisão do PL de homologar candidatura de Wellington em MT
A decisão do PL de manter a candidatura do senador Wellington Fagundes ao Governo de Mato Grosso passou a ser apontada como um dos principais obstáculos para a consolidação da aliança nacional entre os liberais e o Republicanos, na disputa pela Presidência da República.
A avaliação foi feita pelo presidente nacional do Republicanos, deputado federal Marcos Pereira (SP), que afirmou que a legenda esperava o apoio do PL à candidatura do governador Otaviano Pivetta (Republicanos) à reeleição.
Leia também:
Cresce articulação por aliança entre Janaina e Pivetta ao Governo
Como isso não ocorreu, o partido passou a rever sua posição em relação ao eventual apoio à candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Em entrevista à TV Jovem Pan, Pereira afirmou que Mato Grosso tornou-se um dos casos mais emblemáticos das dificuldades enfrentadas nas negociações entre as duas legendas.
“Em Mato Grosso, havia uma expectativa muito grande de apoio do PL ao governador Otaviano Pivetta. Isso não aconteceu”, declarou.
Segundo o dirigente, ele se reuniu, há poucos dias, com Flávio Bolsonaro e com o coordenador nacional da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), quando ficou acertado que os impasses estaduais seriam resolvidos até 1º de agosto.
No entanto, antes mesmo do encerramento desse prazo, o PL de Mato Grosso antecipou sua convenção estadual e homologou Wellington Fagundes como candidato ao Governo, além de confirmar o senador José Medeiros para disputar uma das vagas ao Senado.
A decisão praticamente inviabilizou a composição entre os dois partidos no Estado e provocou desgaste nas negociações nacionais.
PESO NAS NEGOCIAÇÕES – Embora as conversas envolvam acordos em outros estados, Marcos Pereira citou Mato Grosso nominalmente como exemplo do descumprimento dos entendimentos políticos construídos entre as direções nacionais.
O Republicanos considerava estratégica a manutenção de um palanque único em torno de Pivetta, sucessor político do ex-governador Mauro Mendes (União) e principal aposta da legenda para manter o comando do Palácio Paiaguás.
Com Wellington mantido na disputa, a tendência é de um confronto direto entre os antigos aliados, cenário que reduz as chances de composição entre PL e Republicanos também no plano nacional.
PRESSÃO SOBRE FLÁVIO – O impasse ocorre justamente quando Flávio Bolsonaro busca ampliar sua base de apoio para a campanha presidencial.
Na última semana, União Brasil e Progressistas, que formam a Federação União Progressista, decidiram permanecer neutros no primeiro turno, retirando da campanha liberal um importante reforço político, eleitoral e de tempo de propaganda.
Nesse contexto, o Republicanos passou a ser considerado um aliado estratégico para o PL.
No entanto, Marcos Pereira deixou claro que o apoio não está garantido.
Segundo ele, a legenda poderá inclusive adotar neutralidade caso os acordos estaduais não sejam respeitados.
“Estamos ouvindo todas as executivas estaduais. Uma possibilidade é dar liberdade aos estados e construir alianças apenas em um eventual segundo turno”, afirmou.
CHAPA INCOMPLETA – Apesar de ter homologado Wellington e Medeiros, durante a convenção estadual, o PL de Mato Grosso ainda não concluiu a formação de sua chapa majoritária.
A legenda precisa definir o candidato a vice-governador e o segundo nome ao Senado, além dos respectivos suplentes, antes de encaminhar o pedido de registro à Justiça Eleitoral.
Enquanto isso, as conversas entre PL e Republicanos permanecem abertas, mas a declaração pública do presidente nacional do Republicanos evidencia que a disputa pelo Governo de Mato Grosso passou a influenciar diretamente as articulações para a eleição presidencial.
Veja vídeo:




