Na Alemanha, presidente afirmou que medidas adotadas pelo governo federal evitaram alta dos combustíveis sentida em outros países
Na abertura da Hannover Messe, a maior feira de tecnologia industrial do mundo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste domingo (20.abr.2026) que o Brasil é um dos países que menos sente os efeitos do conflito no Oriente Médio.
“O Brasil é um dos países menos afetados pela maluquice da guerra feita com o Irã”, disse Lula no discurso de abertura do evento, com o chanceler alemão Friedrich Merz (CDU, centro-direita) na plateia.
O presidente atribuiu o isolamento parcial do Brasil à estrutura energética do país e às medidas emergenciais adotadas pelo governo federal.
“Nós não estamos sofrendo o aumento do preço do petróleo, como muitos países estão sofrendo, porque o governo tomou medidas e o Brasil só importa 30% do seu óleo diesel. A transição energética é também um imperativo climático”, afirmou.
Alta do petróleo
O conflito, iniciado em 28 de fevereiro, elevou o barril de petróleo Brent de US$ 60 para cerca de US$ 120 em menos de 20 dias. Atualmente, o preço gira em torno de US$ 90. A cotação foi agravada pelo bloqueio do estreito de Ormuz, por onde passam cerca de 20% do petróleo exportado no mundo.
O petróleo encarece a energia e o transporte, enquanto a escassez de fertilizantes afeta a produção agrícola e amplia a insegurança alimentar.
Para conter o repasse ao consumidor, o governo federal editou uma série de medidas. Uma medida provisória zerou as alíquotas do PIS/Cofins sobre o diesel, derivado do petróleo, e concedeu subsídio de R$ 0,32 por litro a produtores e importadores. A redução total foi de R$ 0,64 por litro. As medidas valem até dezembro de 2026.

“Encruzilhada”
O petista afirma que são os mais vulneráveis que acabam pagando o preço da inflação que chega nos alimentos.
Ainda em discurso, criticou o ressurgimento do protecionismo, que classificou como uma resposta “falaciosa” a problemas econômicos e sociais complexos. Disse que o mundo vive uma “encruzilhada” entre a fragmentação das cadeias produtivas e a cooperação internacional.
Para o petista, o caminho mais sustentável é o da diversificação de parcerias e do fortalecimento do multilateralismo, embora reconheça que os ganhos da globalização não foram distribuídos de forma igual.
“O crescimento do extremismo é um dos efeitos de um modelo cujos benefícios não chegam a todas as pessoas”, afirmou.
Tour pela europa
A fala em Hannover integra uma agenda europeia de 5 dias. Lula viaja com 14 ministros e passou por Barcelona, onde cumpriu a 1ª Cúpula Brasil-Espanha, antes de chegar à Alemanha.
A expectativa do governo é fechar 10 acordos bilaterais com os alemães nas áreas de defesa, inteligência artificial, bioeconomia e inovações energéticas. Na 3ª feira (21.abr.2026), o presidente segue para Lisboa.
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