O presidente Lula (PT) afirmou nesta quinta-feira, 27, que o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, é alvo de “ilações” sobre um suposto esquema de tráfico de influência envolvendo a lobista Roberta Luchsinger e de eventual participação no escândalo do INSS. A declaração foi dada ao Jornal Nacional, da TV Globo.
Lula afirmou ainda que o filho, alvo de três inquéritos no STF, deverá responder por qualquer irregularidade que tenha cometido.
“Não tem nenhuma acusação. São ilações e eu conheço muito bem isso. Se o Fábio cometer qualquer ilícito, ele terá que pagar. Eu nãoi vou fazer qualquer movimento para que ele não seja condenado. Ele sabe o que passei, sabe que a Marisa morreu por causa da Lava Jato e ele sabe que não pode ter cometido erro.”
Questionado sobre as mensagens trocadas entre Luchsinger e Lulinha, o petista afirmou que o filho deverá provar sua inocência caso seja acusado. Lula também fez uma comparação aos processos nos quais foi réu durante a Operação Lava Jato.
“Você conhece isso melhor do que ninguém. Eu poderia ter feito qulquer coisa para não prestar depoimento. Fqieui 580 dias porque só eu sabia a verdade. E eu queria provar que o Moro tinha provado para a imprensa. Só meu filho sabe a verdade. Ele não será protegido por ser filho, meu irmão, ele sabe o que tem qeu fazer. Ele tem que provar a inocência dele. Vamos esperar o tempo. Não haverá um milímetro para proteger meu filho. A acusação foi feito, a PF está investigando. Se for culpado, pagará preço.”
Lula também afirmou que, até o momento, não há provas de que recursos públicos tenham sido repassados a Lulinha ou de conversas entre o filho e ministros do governo.
“Estou dizendo para você…Até agora, não tem uma prova de um centavo público. Nada de covnersa do meu filho com qualquer ministro.”
Lula disse ainda que o filho também está sendo investigado por outro crime que, segundo ele, começou no INSS em 2019.
Conhecia a lobista?
Questionado sobre uma suposta relação com a lobista Roberta Luchsinger, Lula afirmou que nunca teve contato pessoal com ela. “Nunca estive com ela. Nunca.”
Na última semana, a revista Veja divulgou trechos de conversas entre Roberta e o empresário Gustavo Gaspar, nas quais ela reforça sua proximidade pessoal e comercial com o filho de Lula.
Em uma delas, a lobista diz ter conversado com o presidente.
Roberta Luchsinger: “Sabe, fui das poucas pessoas que o Lula chamou e perguntou: Escolhe onde você quer ficar”.
Marcola
Sobre as suspeitas envolvendo Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete da Presidência, Lula afirmou que o caso merece ser investigado, mas evitou fazer acusações antes da conclusão da apuração.
“Leva suspeitas, lógico que leva. Porque o Marco Aurélio é meu chefe de gabinete. O papel dele… A imprensa diz que ela é lobista, mas o papel dele é encaminhar para os ministérios. Essa mulher conseguiu liberar o dinheiro que estava atrás? Tem prova de dinheiro? Aí é que está o crime. Por isso que eu não sou precipitado.”
“Como eu não sou juiz, vou devagar com isso”, acrescentou.
A lobista pagou 217 mil reais em faturas de cartão de crédito, entre outras despesas, para Marcola.
Questionado sobre os pagamentos, Lula afirmou considerar a operação inadequada e disse que o ex-assessor deverá responder caso tenha cometido alguma irregularidade.
“Não é adequado. É errado. E o Marcola sabe do erro que ele cometeu. Ele sabe da importância de ser chefe. Ele diz que tomou o empréstimo, só ele sabe a verdade. Quando tiver uma acareação, eles que vão saber. Eu acredito na versão dele, que é empréstimo. Eu disse a ele: ‘Por que você não falou comigo?’ Agora, se cometeu erro, vai pagar pelo que cometeu. É uma pessoa da minha confiança. Ele ficou comigo o tempo todo que fiquei preso no Paraná.”
Investidas na Saúde
O Ministério da Saúde foi alvo de pelo menos três tentativas do grupo formado por Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, Roberta Luchsinger e Fábio Luís Lula da Silva, de tentar fechar contratos com a pasta do governo federal, registrou a Folha de S.Paulo com base em investigações da Polícia Federal.
Além da venda de 626 milhões de reais em medicamentos à base de canabidiol, o grupo buscava realizar a entrega de testes rápidos para o diagnóstico de dengue e outras arboviroses.
O contrato de cerca de 1 bilhão de reais previa o fornecimento dos testes por meio de uma importadora com sede em Santana de Parnaíba (SP).
Camilo Antunes, Roberta Luchsinger e Lulinha também teriam negociado parcerias produtivas com a Iquego (Indústria Química do Estado de Goiás S.A.), laboratório público ligado ao Governo de Goiás.
A natureza das parcerias não consta nos documentos obtidos pelo jornal.
O laboratório também não quis se manifestar.
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