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Lula vai ao Piauí em meio a relação pragmática e ambígua com Ciro Nogueira – CartaCapital


O presidente Lula (PT) desembarca no Piauí nesta quarta-feira 9 para participar de um ato de campanha em Teresina ao lado do governador Rafael Fonteles (PT), candidato à reeleição, e dos candidatos ao Senado Marcelo Castro (MDB) e Júlio César (PSD). O evento ocorre em um dos principais redutos eleitorais do petista e coloca em evidência uma relação pouco convencional entre Lula e o senador Ciro Nogueira (PP-PI), que tenta renovar o mandato.

O ato de Lula está previsto para a tarde e deve reunir apoiadores e lideranças políticas. Em 2022, o estado deu a Lula 74% dos votos válidos no primeiro turno e 76,84% no segundo. Pesquisa Atlas/MeioNorte divulgada na semana passada aponta o presidente com 60,3% das intenções de voto no primeiro turno deste ano.

O componente político mais delicado da visita está na disputa pelo Senado. Ciro concorre contra Marcelo Castro e Júlio César, que estarão no mesmo palanque de Lula. O presidente do PP vinha negociando com o entorno do petista uma espécie de trégua na disputa estadual. O entendimento seria de que Lula não gravaria vídeos pedindo votos para os candidatos ao Senado que concorrem diretamente com Ciro. Em contrapartida, o PP não apoiaria formalmente Flávio Bolsonaro (PL) na eleição presidencial.

O acordo, no entanto, sempre foi tratado com alguma ambiguidade. O PT nega que tenha havido um pacto com Ciro, enquanto aliados do senador afirmam que houve entendimento para preservar sua candidatura. O próprio Ciro disse que nunca fez qualquer acordo com Lula. 

Uma relação que mudou de lado

A estranheza da aproximação atual fica mais evidente quando se observa a trajetória dos dois. Ciro Nogueira foi aliado dos governos petistas durante boa parte das gestões de Lula e Dilma Rousseff (PT). Em 2018, foi reeleito senador com apoio de Lula e do PT e fez campanha ao lado de Fernando Haddad (PT), que concorria à presidência. Naquele ano, Ciro foi o candidato ao Senado mais votado no estado.

A ruptura veio no processo de impeachment de Dilma, em 2016. Depois, Ciro se aproximou do então presidente Michel Temer (MDB) e, posteriormente, de Jair Bolsonaro (PL). Em 2021, tornou-se ministro da Casa Civil de Bolsonaro e passou a ocupar posição central na articulação política do governo.

O movimento colocou Ciro em um dos campos mais distantes de Lula. Depois da eleição de 2022, o senador assumiu a oposição ao petista e se manteve próximo do bolsonarismo. Ainda assim, a relação pessoal com Lula não desapareceu. Em 2023, Ciro chegou a afirmar que mantinha “carinho pessoal” pelo presidente, embora descartasse uma retomada da aliança política.

Em 22 de dezembro de 2025, ambos se encontraram no Palácio da Alvorada para discutir o cenário das eleições que se aproximavam. Foi o primeiro passo para a obtenção de um “pacto de não agressão” informal, diante dos assédios de Flávio Bolsonaro ao Centrão.

Os acenos recentes

Nas últimas semanas, Ciro voltou a fazer movimentos públicos em direção a Lula. Em agosto, durante sabatina na TV Meio Norte, afirmou que não teria dificuldade para dialogar com o presidente caso Lula fosse reeleito. Condicionou a disposição à iniciativa do petista para “pacificar” o País e reduzir impostos.

Ciro também declarou apoio a projetos de interesse do governo, como a PEC da Segurança Pública, o Redata e o fim da escala 6×1, embora tenha apresentado condições para algumas dessas propostas. Disse ainda ser “totalmente favorável” à indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal. Ao mesmo tempo, classificou Flávio Bolsonaro como um “grande amigo”.

O presidente também adotou uma postura cuidadosa. Em maio, integrantes de sua campanha avaliaram que Lula deveria evitar ataques públicos a Ciro depois que o senador se tornou alvo de uma operação da Polícia Federal relacionada às investigações sobre o Banco Master e Daniel Vorcaro. A avaliação era que o avanço das investigações já produziria desgaste suficiente e que transformar Ciro em alvo central dos discursos poderia gerar efeitos políticos indesejados. Ciro negou irregularidades.

Situação de Ciro

Na última quinta-feira 3, a Atlas/Intel divulgou pesquisa que aponta que Marcelo Castro ampliou a liderança na disputa pelas duas vagas do Piauí na Casa Alta e chegou a 22,4% das intenções de voto. Júlio César aparece em segundo, com 17,2%, enquanto Ciro Nogueira registra 13,3% das menções. 

Contratado pela TV Meio Norte, o levantamento ouviu 1.622 eleitores com mais de 16 anos entre 28 de agosto e 2 de setembro, por meio de recrutamento digital aleatório. A pesquisa foi registrada na Justiça Eleitoral sob o nº PI-03771/2026 e tem nível de confiança de 95%. A margem de erro é de dois pontos percentuais. 

Confira os números

  • Marcelo Castro (MDB): 22,4%;
  • Júlio César (PSD): 17,2%;
  • Ciro Nogueira (PP): 13,3%;
  • Tiago Junqueira (PL): 8,2%; 
  • Francinaldo Leão (PSOL): 2,3%; 
  • Antônio Barros (Novo): 1,7%; 
  • Major Paulo Roberto (Mobiliza): 1,2%;
  • Jorge Lopes (PSDB): 1%;
  • Dionísio Carvalho (DC): 0,6%;
  • Pastor Sena (Avante): 0,6%;
  • Pedro Laurentino (UP): 0,6%;
  • Maria Madalena Nunes (PSOL): 0,4%;
  • Outros: 0,4%;
  • Voto branco/nulo: 15,1%;
  • Não sei: 15,1%.



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