O União Brasil definiu nesta quinta-feira (30) o rumo que adotará nas eleições de 2026 em Mato Grosso. Em convenção estadual realizada em Cuiabá, a maioria dos convencionais aprovou o apoio do partido à candidatura à reeleição do governador Otaviano Pivetta (Republicanos), derrotando a proposta de candidatura própria defendida pelo senador Jayme Campos.
A aliança foi aprovada por 30 votos, contra 19 favoráveis à candidatura de Jayme Campos. Houve uma abstenção, registrada pelo delegado Luiz Fernando Falcão, de Santo Afonso.
O resultado representa uma vitória política do presidente estadual do União Brasil, o ex-governador Mauro Mendes, principal articulador da manutenção da aliança com Pivetta. A decisão também fortalece o projeto eleitoral de Mendes ao Senado, ao garantir um palanque unificado para a disputa de outubro.
Convenção foi marcada por tensão
A convenção ocorreu no auditório da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Cuiabá e foi marcada por um ambiente de forte disputa entre os dois grupos internos da legenda.
Desde o início dos trabalhos houve troca de acusações, discussões e manifestações de apoio e de reprovação aos líderes das duas correntes.
Antes da votação, o deputado estadual Dilmar Dal Bosco, aliado de Jayme Campos, acusou Mauro Mendes de “traição” por defender a aliança com um partido de fora da federação União Progressista. O ex-governador rebateu afirmando que a decisão representava apenas uma opção política construída pela maioria do partido.
Outro momento de tensão ocorreu quando o deputado estadual Júlio Campos questionou a redação da cédula de votação, alegando que ela poderia abrir margem para futura indicação do candidato a vice-governador na chapa de Pivetta.
Mauro Mendes rejeitou o questionamento e manteve a votação.
“Na cédula e nessa votação não existe nenhuma menção sobre o candidato a vice-governador. Portanto, a sua questão de ordem é inócua e eu rejeito”, afirmou.
Mesmo após a divulgação do resultado, Mauro Mendes foi alvo de vaias de parte dos convencionais, evidenciando que a disputa interna permanece aberta apesar da definição oficial do partido.
Votação secreta
A votação ocorreu de forma secreta em urna instalada no auditório, acompanhada por advogados, fiscais e representantes da legenda.
Dos 51 convencionais aptos a votar, era necessário quórum mínimo de 31 participantes para validar a deliberação. A urna permaneceu aberta durante cinco horas, conforme determina o estatuto partidário.
Na cédula, os convencionais escolheram entre duas propostas:
- apoio à candidatura de Otaviano Pivetta;
- candidatura própria com Jayme Campos.
Ao final da apuração, prevaleceu a tese defendida por Mauro Mendes.
Federação também fica definida
A decisão do União Brasil praticamente encerra a discussão dentro da federação União Progressista, formada por União Brasil e PP.
Isso porque o Progressistas já havia aprovado apoio à candidatura de Otaviano Pivetta. Com as duas legendas convergindo para o mesmo projeto, a federação passa a atuar unificada na campanha ao Governo do Estado.
Derrota de Jayme
A votação representa a principal derrota política de Jayme Campos dentro do União Brasil desde a formação da atual direção estadual.
Nas últimas semanas, o senador afirmava possuir apoio suficiente para conquistar entre 31 e 35 votos entre os convencionais. A projeção, no entanto, não se confirmou.
A campanha interna foi marcada por intensa disputa, incluindo troca de críticas entre os grupos, acusações de favorecimento político e divergências sobre a condução do processo pelo presidente estadual do partido.
Com a decisão, Jayme perde a possibilidade de disputar o Governo pelo União Brasil e o partido passa oficialmente a integrar o palanque de Otaviano Pivetta.
Mauro também é homologado ao Senado
Antes da votação sobre o Governo do Estado, a convenção homologou a candidatura de Mauro Mendes ao Senado, além dos candidatos proporcionais a deputado federal e deputado estadual.
A lista definitiva será completada posteriormente com os nomes indicados pelo Progressistas, parceiro do União Brasil na federação nacional.
Com a definição desta quinta-feira, o cenário eleitoral de Mato Grosso ganha um novo desenho: o União Brasil abandona o projeto de candidatura própria ao Governo e oficializa a aliança com Otaviano Pivetta, consolidando a estratégia construída por Mauro Mendes para as eleições de 2026.





