Marcio Ishizuka
Mauro Mendes critica adversários e lamenta envolvimento de família na polêmica do acordo Estado-Oi S/A
O ex-governador Mauro Mendes (União Brasil) colocou em prática uma estratégia de comunicação voltada a preservar sua candidatura ao Senado, bem como reduzir os efeitos políticos da investigação aberta às vésperas das eleições.
A medida ocorre dias após a deflagração da Operação Heritage, da Polícia Federal, que investiga um acordo de R$ 308 milhões firmado entre o Governo de Mato Grosso e a operadora telefônica Oi S/A.
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Em pronunciamentos divulgados nas redes sociais,o ex-chefe do Palácio Paiaguás adotou uma linha de defesa baseada em, pelo menos, seis pilares.
São eles:
– negou qualquer irregularidade
– afirmou ser vítima de perseguição política
– resgatou a Operação Ararath, da qual diz ter sido inocentado
– comparou sua situação à do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL)
– acusou adversários de instrumentalizar a investigação
– sustentou que o acordo firmado entre o Estado e a operadora Oi foi “legal e vantajoso para Mato Grosso”.
A estratégia busca deslocar o debate do campo jurídico para o político.
Em vez de concentrar a defesa exclusivamente nos aspectos técnicos da investigação, Mauro Mendes tenta convencer o eleitorado de que a operação faz parte de uma disputa eleitoral destinada a enfraquecer sua candidatura ao Senado.
Em um dos vídeos, o ex-governador lembrou que, em 2014, quando era prefeito de Cuiabá, também foi alvo de uma operação da Polícia Federal.
Segundo ele, o episódio provocou graves consequências pessoais e financeiras, antes de ser arquivado pela Justiça.
“Eu e minha família sofremos uma humilhação. Os bancos cortaram o crédito das minhas empresas, perdi contratos e minha empresa entrou em recuperação judicial. Quase quebrei”, afirmou, ao recordar a Operação Ararath.
Ararath foi uma operação da PF, em 12 novembro de 2013, que apurou pagamentos de precatários, por parte do Governo de Mato Grosso, em desacordo com as determinações legais, para empreiteiras.
Conforme as investigações, teria havido desvio desses recursos em favor de agentes públicos e empresários, por meio da utilização de instituição financeira clandestina.
Ao resgatar esse episódio, Mauro procura construir uma narrativa de repetição histórica: a de que teria sido investigado anteriormente, sofrido prejuízos políticos e econômicos e, posteriormente, foi absolvido.
Outro eixo importante da estratégia foi atribuir motivação política à investigação.
O candidato afirmou que a operação ocorreu exatamente 60 dias antes da eleição e acusou adversários de atuarem para desgastar sua imagem.
Entre os nomes citados por ele, estão a deputada estadual Janaína Riva (MDB), o ex-governador Pedro Taques (PSB), o senador Carlos Fávaro (PSD) e o senador Jayme Campos (União Brasil).
Em tom ainda mais duro, Mauro comparou sua situação à enfrentada por Jair Bolsonaro, afirmando que adversários utilizariam órgãos de investigação para perseguir opositores políticos.
“O PT é especialista em perseguir adversários e assassinar reputações”, declarou.
No campo técnico, o ex-governador voltou a defender o acordo firmado entre a Procuradoria-Geral do Estado e a empresa Oi.
Segundo ele, a negociação evitou uma despesa ainda maior para os cofres públicos, e passou pela análise de diversos órgãos de controle antes de ser homologada judicialmente.
Mauro sustentou ainda que nem ele nem integrantes de sua família possuem relação com os fundos de investimento mencionados na investigação da Polícia Federal, afirmando que a apuração demonstrará a legalidade dos atos praticados.
A linha de defesa também foi adotada por outros integrantes do grupo político.
O deputado federal Fábio Garcia negou participação no caso, afirmou que jamais praticou qualquer ato relacionado ao acordo e declarou que apresentará documentos para rebater as acusações.
Já o secretário-chefe da Casa Civil, Mauro Carvalho, afirmou que sequer ocupava cargo público durante a tramitação do acordo e que não participou das negociações investigadas.
Nos bastidores, aliados avaliam que o desafio da campanha será impedir que a Operação Heritage passe a dominar o debate eleitoral nas próximas semanas.
A estratégia, portanto, tende a combinar defesa jurídica com forte enfrentamento político, buscando convencer o eleitor de que a investigação possui motivação eleitoral enquanto aguarda o avanço das apurações.
OS SEIS PILARES DA DEFESA DE MAURO
- Vítima de perseguição
Afirma que a investigação foi deflagrada para prejudicar sua candidatura.
- Operação Ararath
Lembra que foi investigado em 2014 e diz ter sido inocentado posteriormente.
- Comparação com Bolsonaro
Sustenta que adversários usam órgãos de investigação para atingir opositores.
- Defesa do acordo
Afirma que a negociação com a Oi foi legal, homologada pela Justiça e vantajosa para o Estado.
- Nega ligação com os recursos
Diz que ele e seus familiares não possuem relação com os fundos citados pela Polícia Federal.
- Investigação sem medo
Afirma que colaborará com as autoridades e que a apuração comprovará sua inocência.




