Durante o processo da trama golpista, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes (foto) repreendeu um dos advogados do ex-ministro Anderson Torres após o defensor pedir o mesmo tratamento dado à acusação, dizendo que eles não estavam ali “para fazer circo”.
“Eu não vou permitir que Vossa Senhoria faça circo no meu tribunal”, disse, ao colher depoimento, o relator do caso, que se notabilizou no STF pelo tratamento duro com os advogados.
Agora que está ameaçado de investigação, é Moraes que arma um circo no STF, e sua plateia de apoiadores delira, fingindo acreditar que as dúvidas semeadas pelo ministro apagam o que ele fez.
O desconforto e o desespero de Moraes ficam evidentes na truculência com que o ministro se dirige ao colega André Mendonça, primeiro pedindo sua investigação por crimes dos quais o próprio Moraes é acusado há anos, e com base em um relatório apócrifo e cheio de ilações políticas, depois o acusando diretamente de atuar na “proteção ostensiva de determinado grupo político“.
PGR e grande elenco no picadeiro
Se isso não fosse ruim o bastante, o ex-relator do inquérito das fake news é escudado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) em seu picadeiro. Paulo Gonet colocou um vice-procurador-geral para reforçar o pedido de Moraes pela liberação dos sigilos, porque ele mesmo também é suspeito no caso do Banco Master, e já tentou atrapalhar o processo de outras formas.
Também participam do espetáculo grotesco protagonizado por Moraes os ministros Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e Flávio Dino, que tumultuam a questão cada um a sua forma.
Tanto eles fizeram pressão que Mendonça dobrou a aposta e abriu os sigilos de casos que ainda estão em andamento, como o do filme Dark Horse, no qual é investigado o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e os dos senadores Ciro Nogueira (PP-PI) e Jaques Wagner (PT-BA).
Ao derrubar os sigilos, Mendonça tenta esvaziar o circo montado por Moraes a poucos dias da sessão em que o plenário do STF pode decidir por sua investigação, mas põe em risco as investigações que ainda estão em curso. E os palhaços aplaudem.
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