A poucas horas do encerramento do prazo para a formação das coligações, a disputa pelo Governo de Mato Grosso passou a ter um personagem central: o presidente da Assembleia Legislativa, deputado estadual Max Russi (Podemos).
Mais do que decidir o futuro de seu partido, a escolha de Russi passou a ser tratada como estratégica pelas duas principais candidaturas ao Palácio Paiaguás.
De um lado, o governador Otaviano Pivetta (Republicanos), candidato à reeleição, manteve as negociações abertas mesmo após anunciar o deputado federal Fábio Garcia (União Brasil) como candidato a vice-governador.
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Do outro, o senador Wellington Fagundes (PL), candidato da oposição, reservou publicamente a vaga de vice para o Podemos e chegou a afirmar que o empresário Marcelo Maluf abriria mão da indicação, caso Max Russi decidisse integrar sua coligação.
A movimentação revela que a eleição deixou de ser apenas uma disputa entre candidatos e passou a ser também uma batalha por estruturas políticas capazes de ampliar a presença regional das campanhas.
O interesse de ambos os lados não se explica apenas pelo peso pessoal de Russi.
O Podemos chega ao processo eleitoral com uma das maiores chapas proporcionais do Estado.
Durante a convenção do partido, o próprio presidente da Assembleia destacou que a decisão influencia diretamente o futuro de 34 candidatos, sendo 25 postulantes à Assembleia Legislativa e nove à Câmara dos Deputados, estrutura considerada essencial para impulsionar campanhas majoritárias em todas as regiões de Mato Grosso.
Além da chapa proporcional, Russi consolidou, nos últimos ano,s uma forte rede de articulação política construída durante sua passagem pela presidência da Assembleia.
Essa influência alcança prefeitos, vereadores e lideranças municipais, tornando o partido um aliado cobiçado, justamente na reta final das negociações.
A importância do Podemos também ficou evidente porque tanto Wellington quanto Pivetta decidiram manter abertas as conversas, até o último dia permitido pela legislação eleitoral.
Na convenção do MDB, Wellington fez um convite público para que Russi integrasse sua chapa. E reiterou que a vaga de vice permanece disponível para o partido.
Janaina Riva reforçou o apelo ao afirmar que o Podemos teria “o devido valor e peso reconhecidos”, caso aderisse ao projeto político formado por PL, MDB, PRD, Novo e Solidariedade.
No grupo governista, a estratégia foi diferente.
Embora a vaga de vice tenha sido preenchida por Fábio Garcia, Pivetta afirmou que ainda espera convencer Russi a apoiar sua candidatura, ressaltando que o diálogo continua aberto até o encerramento do prazo eleitoral.
A indefinição faz do Podemos o último grande ativo político ainda disponível para alterar o equilíbrio da sucessão estadual.
ALÉM DA MAJORITÁRIA – Analistas políticos avaliam que a disputa por Max Russi vai além do resultado da eleição para governador.
O partido reúne candidatos competitivos à Assembleia Legislativa e à Câmara Federal, o que amplia o tempo de campanha, fortalece a presença regional e cria uma estrutura de mobilização em dezenas de municípios.
Para candidatos ao governo, esse tipo de organização representa vantagem significativa na reta final da campanha, especialmente em um Estado de dimensões continentais como Mato Grosso.
Independentemente da decisão final, a movimentação das últimas horas evidencia uma mudança importante na corrida eleitoral: enquanto os nomes dos candidatos ao Governo e ao Senado já estão praticamente definidos, o apoio do Podemos tornou-se a principal peça ainda capaz de alterar o desenho político da sucessão estadual.
O desfecho esperado para esta quarta-feira deverá indicar não apenas o destino de Max Russi, mas também qual das duas principais candidaturas chegará à campanha com a estrutura partidária mais robusta para enfrentar a disputa de outubro.





