Início GERAL ‘Pacotão’ de obras em MT vira trunfo eleitoral para Pivetta e Mauro

‘Pacotão’ de obras em MT vira trunfo eleitoral para Pivetta e Mauro


Secom-MT

Nas andanças para anunciar

Uma verdadeira “avalanche” de obras e ações é preparada pelos diversos escalões do Governo de Mato Grosso, sob o comando de Otaviano Pivetta (Republicanos). E foi planejada, nos últimos meses, pela equipe do ex-governador Mauro Mendes (União).

O objetivo: reforçar projetos eleitorais do atual governador (reeleição ao Palácio Paiaguás) e do antecessor (eleição ao Senado). De quebra, ainda pode favorecer aliados mais “chegados” do grupo e que miram cargos eletivos em outubro.

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O superficial discurso do chefe do Executivo, reforçado pelo secretário-chefe da Casa Civil, Mauro Carvalho, da necessidade de conter gastos públicos diante de possível instabilidade econômica, para analistas, não passa de cortina de fumaça política. E contrasta com a realidade financeira e econômica do Tesouro do Estado.

Mato Grosso arrecadou mais de R$ 30 bilhões, antes de fechar o mês de maio. É praxe do atual governo, desde 2019, quando Mauro Mendes assumiu e manteve Rogério Gallo, que era secretário de Fazenda no Governo Pedro Taques (PSB), manusear a favor da gestão os números da arrecadação. A publicidade ou transparência oficial desse números acontece sempre com atraso. Inclusive, alguns com mais de 15 dias, após fechar o mês arrecadado.

A arrecadação de impostos, em nenhum mês deste ano, foi menor do que R$ 6 bilhões. Em março passado, faltou pouco para atingir a R$ 7 bilhões, em apenas 340 dias. Foram arrecadados R$ 6.920 bilhões.

A estratégia de “inundar” Mato Grosso com obras em busca de votos tem forte apelo popular. No entanto, vale registrar que, desde Mauro Mendes, o atual Governo peca na área social, com informações e ações distorcidas. Como o do programao “Minha Casa, Minha Vida”, do Governo Federal, para financiar casas populares e que o Palácio Paiaguás renomeou para “Ser Família Habitação”.

Pior: colocou entre 10% até 30% do valor das unidades e faz entregas de sobra, como se fossem investimentos apenas do Estado.

Outros números que afetam negativamente a atual administração são os da Segurança Pública.

A propaganda do programa “Tolerância Zero” não condiz com os números de feminicídios, que, há três anos, são proporcionalmente os maiores do Brasil. Além de crimes sexuais contra as crianças, que, segundo o Fundo das Nações Unidas para a infância (Unicef), aponta Mato Grosso entre os três estados com maiores taxas de violência sexual contra criança e adolescentes, na Amazônia Legal, com um índice 62% maior que a média nacional.

Estes dados foram divulgados no último dia 18 de maio, Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. O levantamento reúne informações de estados da Amazônia Legal (Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins), e aponta que, entre 2021 e 2023 ,foram registrados 31.819 casos de estupro e estupro de vulnerável contra crianças e adolescentes de 0 a 19 anos.

Somente em 2023, a taxa na região chegou a 141,3 casos para cada 100 mil habitantes.

Mas, se o Governo do Estado vai bem em obras em incentivos para o setor produtivo e na propaganda, a realidade das pessoas é outra.

As filas para atendimento de Saúde continuam intermináveis, e a “incômoda” CPI da Saúde descontrói a imagem do Governo que inaugurou “o melhor hospital público do Brasil”. O Hospital Central, em Cuiabá, administrado pela Sociedade Beneficente Albert Einstein, recebeu, entre maio de 2025 e janeiro de 2026, quando começou a realizar atendimentos, mais de R$ 200 milhões, entre repasses e valores para equipamentos.

Recorrentemente, o governador Otaviano Pivetta está nos municípios lançando obras e ações. Isso, sem contar a romaria de prefeitos que os deputados aliados, diariamente, leva para uma audiência com o chefe do Executivo, em busca de uma obra e de um aceno.

Agora, se tem algo em que o atual Governo é fiel são nos acenos políticos. Ainda mais em véspera de eleições. Nos últimos dias de “glória” de Mauro Mendes, uma verdadeira peregrinação foi feita em várias cidades e os lançamentos de obras já superam os bilhões em obras. Só em Cuiabá, Rondonópolis e Várzea Grande, foram R$ 1.271 bilhões, segundo informações da Secretaria de Comunicação Social (Secom).

Conforme a pasta, o Governo anunciou, no dia 20 de março, um “pacote histórico” de mais de R$ 663 milhões em novos investimentos para Cuiabá, em diversas áreas ,como Infraestrutura, Educação, Habitação e Agricultura Familiar.

Já no dia 23, Mauro Mendes e seu séquito esteve em Rondonópolis, segunda maior economia de Mato Grosso e terceiro maior colégio eleitoral, e lançou R$ 385,9 milhões em investimentos na mesma toada: Infraestrutura – incluindo a duplicação de 10 km do Anel Viário -, Educação e Habitaçã.

Por fim, no dia 25, foi a vez da combalida e exausta Várzea Grande, que recebeu um pacote de obras de R$ 222,1 milhões nas mesmas áreas anunciadas para Cuiabá. O problema é que a necessidade da prefeita Flávia Moretti (PL) é tão grande que a Secom do Estado anunciou, oficialmente, R$ 222,1 milhões, enquanto a Secom da Prefeitura anunciou R$ 266 milhõe – uma diferença  de R$ 44 milhões a mais.

A única coisa Cuiabáe, Várzea Grande e Rondonopolis têm têm em comum é que administradas pelo PL bolsonarista. O governador Mauro Mendes flertou com os respectivos administradores, nitidamente em buscar de sinalizar interesse em estar no palanque bolsonarista nas eleições deste ano.

Vale regisrar que esse “pacotão” de obras é mais de licitação. Ou seja, ainda está em processo burocrático, pois quem vai dar à ordem de serviços para o início de todas essas obras é o atual governador, Otaviano Pivetta. Por isso, a estratégia político-eleitoral, que tem mirado todas as regiões de Mato Grosso.

Em meio a essa investida político-eleitoral Pivetta protagonizou um vexame nacional, ao ver o deputado Valmir Moretto (Republicanos), saltitante e aos gritos, sem perceber o microfone aberto, cochichando ao próprio governador que três obras anunciadas seriam “a redenção” de Pontes e Lacerda (448 km a Oeste de Cuiabá), e que ele estaria sendo beneficiado com uma obra, que teria sua licitação vencida pela empreiteira que, no passado, foia sua e hoje é do irmão.

A expectativa é sobre o impacto dessas obras durante o processo eleitoral. Ninguém tem dúvidas de que elas protagonizam um cenário favorável e de vantagem diante dos demais oponentes. E diferentemente de outras ações que estão sob a fiscalização do Tribunal Regional Eleitoral (TRE/MT), obras sendo lançadas e inauguradas, desde que sem a presença do governador do Estado, podem acontecer independentemente de reclamações dos oponentes.

Conforme regulamentado pela Lei das Eleições (9.504/1997), está proibido o comparecimento de candidatos e gestores públicos candidatos nos três meses que antecedem as eleições.

A mesma lei proíbe ainda, a partir de julho, a contratação de show artísticos para inaugurações ou prestações de serviços.

E, por fim: a propaganda institucional deve ser suspensa três meses antes do pleito, para preservar a igualdade entre os concorrentes.





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