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Debate na TV Vila Real, nesta terça-feira (1º), com os 6 candidatos, foi marcado por confronto aberto, troca de acusações e guerra de narrativas sobre o passado e o presente do Estado.
O segundo debate com todos os candidatos ao Governo de Mato Grosso, nesta terça-feira (1º), foi marcado por confronto aberto, troca de acusações e uma guerra de narrativas sobre o passado e o presente do Estado.
No centro da arena, ficaram o governador Otaviano Pivetta (Republicanos) e o senador Wellington Fagundes (PL), que protagonizaram os embates mais duros, no primeiro confronto realizado pela TV Vila Real (Rede Record), e deixaram evidente a estratégia que pretendem levar para a reta final da campanha.
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De um lado, Pivetta investiu sistematicamente no passado político de Wellington.
A estratégia do governador foi associar o adversário, hoje filiado ao PL, aos governos do PT, às administrações de Dilma Rousseff e à gestão de Silval Barbosa (MDB) em Mato Grosso, numa tentativa de desgastar a identificação de Wellington com o eleitorado de direita.
Do outro, o senador concentrou fogo na atual administração estadual, levantando questionamentos sobre o não pagamento de passivos da Revisão Geral Anual (RGA) aos servidores, investigações e operações policiais mencionadas durante o debate e gastos do Governo.
Ao longo dos confrontos, também citou os casos Oi e Banco Master e acusou a atual gestão de priorizar grandes obras, em detrimento de demandas do funcionalismo.
O duelo escalou quando Wellington questionou Pivetta sobre declarações envolvendo servidores e cobrou o pagamento da RGA.
“Tem bilhões para construir parques, uma roda-gigante de R$ 70 milhões, mas não tem para pagar RGA. Servidor, para mim, não é gasto, é investimento”, afirmou, se referindo a obras no polêmico Parque Novovo Mato Grosso, em Cuiabá.
Pivetta respondeu atacando diretamente a trajetória política do senador, tentando colocá-lo ao lado de administrações que hoje são rejeitadas por parte do eleitorado conservador.
“O senhor lembra como era o Estado quando participava do Governo. Foi parceiro do Silval Barbosa e fazia grandes negócios. No Governo da Dilma, mandou no DNIT… E o senhor vem falar em moralidade?”, provocou Pivetta.
Wellington pediu direito de resposta e rebateu a associação: “Quem foi sócio do Silval foi o governador que estava com ele. Eu nunca fui delatado”.
INFRAESTRUTURA – O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (DNIT) voltou a aparecer mais tarde, quando Pivetta discutiu infraestrutura com o candidato Rafaell Milas (Missão).
Ao falar das rodovias federais, Milas também direcionou críticas a Wellington.
“Tem um candidato aqui que mandou no DNIT, no Governo do PT”, disse.
Pivetta aproveitou a deixa para reforçar a linha de ataque.
O governador afirmou que Mato Grosso precisou assumir a BR-163, diante dos problemas acumulados na rodovia, e voltou a mencionar a influência política exercida no órgão federal, durante governos anteriores.
No confronto direto entre os dois principais adversários, o tom subiu ainda mais.
Wellington acusou Pivetta de usar ataques durante a campanha, e questionou se o governador estaria disposto a abrir informações sobre sua vida financeira.
Pivetta respondeu transformando a pergunta em novo ataque à longevidade política do senador.
“Eu tenho a consciência tranquila e fé no futuro, e é isso que me mantém na política. Eu ajudei a construir a cidade de Lucas [do Rio Verde], Nova Mutum… Ajudei Mauro [Mendes] com muita dedicação. Mauro foi um grande governador, mas eu serei melhor do que ele, porque tenho coragem e disposição, diferentemente do senhor, que ficou 32 anos sugando o povo de Mato Grosso”, afirmou.
Wellington reagiu: “Em 32 anos, eu trabalhei por todos os municípios. Ele queria ganhar por WO”.
Pivetta continuou: “Eu sempre fui livre. Eu nunca fiz noitadas em Brasília para fazer lobby, negócios, indicar gente no DNIT. Eu nunca fiz nada disso”.
A troca de acusações envolvendo a trajetória de Wellington não partiu apenas de Pivetta.
Rafaell Milas também confrontou o senador sobre investigações e personagens ligados à sua vida política.
Wellington respondeu dizendo que está há décadas na política sem condenação, e acusou Milas de atuar indiretamente em benefício de Pivetta.
“Estou há 32 anos na política e nunca fui acusado de nada, diferentemente do Pivetta”, afirmou, antes de dizer que o adversário seria beneficiado pelos ataques de Milas.
O candidato do Missão reagiu com uma provocação, chamando Wellington de “melancia” — verde por fora e vermelho por dentro —, referência usada para tentar vinculá-lo à esquerda, apesar de sua filiação ao PL.
“A semelhança com melancia vai longe, porque você mente demais”, disse.
Em outro confronto, Milas voltou a questionar Wellington sobre pessoas ligadas ao senador e citou supostas delações e processos.
Wellington negou envolvimento em irregularidades, sustentou que não responde a processo, e novamente classificou o adversário como “candidato de aluguel”.
EDUCAÇÃO – O embate entre Pivetta e Wellington também passou pela Educação.
O governador afirmou que Mato Grosso avançou da 22ª para a sexta colocação em indicadores educacionais, e perguntou o que o senador faria para o setor.
Wellington respondeu criticando a aplicação dos recursos e mencionando suspeitas e apurações envolvendo materiais didáticos, merenda e creches.
“Muito pouco com tanto dinheiro”, afirmou.
Pivetta rebateu, sustentando que o avanço da Educação estadual é “inegável” e que a política adotada pelo Gverno está no caminho correto.
Além da disputa Pivetta-Wellington, os demais candidatos também elevaram o tom.
VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER – Natasha Slhessarenko (PSD) concentrou parte de suas intervenções na violência contra a mulher, Segurança Pública, Saúde e industrialização.
Ela defendeu integração entre as forças policiais, ampliação do efetivo e ações de inteligência para atingir financeiramente as facções criminosas.
“Crime organizado entra onde o Estado falha, e o Estado falhou esses anos todos. Por isso, precisamos unir forças para retomar o Estado”, afirmou.
Natasha também questionou Pivetta sobre políticas de proteção às mulheres e propôs a criação de uma espécie de “Ficha Suja Maria da Penha”, para impedir que agressores condenados ocupem cargos públicos.
Pivetta classificou a proposta como “sensata” e disse que poderia incorporá-la ao Governo.
A candidata, contudo, atacou a atual gestão, ao afirmar que Mato Grosso sequer possui uma Secretaria da Mulher, e cobrou medidas preventivas contra os feminicídios.
Pivetta rebateu citando ações adotadas pelo Estado para acolhimento e proteção das vítimas.
Em outro momento, Natasha criticou o nível das agressões entre os adversários.
“Quero pedir desculpas por todos os candidatos por causa dessa baixaria. Viemos aqui para falar de propostas”, declarou.
Ela prometeu pagar passivos de RGA, realizar concursos públicos e ampliar as políticas voltadas à saúde mental dos servidores.
SERVIDORES E CHORO – O Sargento Laudicério (Agir) também ganhou protagonismo, ao cobrar valorização do funcionalismo e das forças de segurança.
Em um dos momentos mais emocionantes do debate, chorou ao falar da mãe, que perdeu a visão, segundo ele, em decorrência da falta de atendimento adequado na rede pública.
“A saúde não espera, não pode ser burocrática”, afirmou.
Em seguida, direcionou críticas aos políticos que estão há anos em cargos públicos.
“A deficiência da minha mãe, todos vocês são coautores, porque vocês estão aí há anos. Vocês são todos covardes”, disparou.
Laudicério ainda questionou Wellington sobre a possibilidade de abandonar parte do mandato no Senado para assumir o Governo do Estado, caso seja eleito.
Wellington respondeu que está “pronto e preparado” e destacou sua experiência política, mas o sargento insistiu que a resposta não explicava por que o senador deixaria o cargo antes do fim do mandato.
DINHEIRO DE CAMPANHA – Maurício Coelho (Mobiliza), por sua vez, levou para o debate uma crítica direta ao financiamento público das campanhas.
Ele citou os valores destinados pelas siglas a candidatos mais competitivos e questionou o uso do fundo eleitoral para bancar publicidade.
“Toda vez que você estiver na rua e ver um adesivo do Wellington, do Pivetta, da Natasha, quando você ligar a televisão e ver um comercial deles, lembra: é você quem está pagando”, afirmou.
Coelho também confrontou Pivetta sobre os incentivos fiscais concedidos pelo Estado, e perguntou se empresas ligadas ao governador recebiam benefícios.
Pivetta defendeu a política como instrumento para atrair investimentos e industrialização e afirmou pagar cerca de R$ 150 milhões em impostos por ano.
Maurício Coelho considerou que o governador não respondeu diretamente à pergunta e prometeu revisar benefícios concedidos.
“A gente vai reduzir esses incentivos fiscais”, disse.
Pivetta reagiu dizendo que uma política de restrição poderia afastar investimentos: “Você seria o candidato que espantaria as indústrias do Estado se chegasse lá”.
IA NA SAÚDE E “INFERNO PANTANEIRO” – Rafaell Milas buscou se apresentar como alternativa aos grupos políticos tradicionais.
Criticou emendas parlamentares, defendeu a digitalização da Saúde e propôs o uso de Inteligência Artificial para prontuário único, controle de estoque e regulação de exames.
Em relação à Segurança, adotou um discurso mais duro e prometeu criar um presídio de segurança máxima, que chamou de “Inferno Pantaneiro”.
Também fez reiteradas acusações contra Wellington e questionou Natasha sobre a presença de nomes tradicionais e controversos em seu palanque.
Natasha respondeu que responde apenas pelos próprios atos.
“Eu sou ficha limpa, não respondo nada”, declarou, acrescentando que não cabe a ela dar “atestado de culpa ou inocência” a aliados.
No primeiro bloco, antes do confronto direto, os candidatos haviam abordado temas como Segurança Pública, endividamento dos servidores com consignados, duodécimos dos Poderes, emendas parlamentares, feminicídio e incentivos fiscais.
O formato avançou depois para perguntas entre os próprios postulantes, quando a temperatura aumentou.
FASE DE CONFRONTO – Ao final, mais do que apresentar diferenças programáticas, o debate antecipou a disputa de narrativas que deve dominar a campanha.
Pivetta deixou claro que pretende cobrar de Wellington explicações sobre três décadas de vida pública e, principalmente, vinculá-lo a governos petistas e a antigas estruturas políticas, numa ofensiva para disputar diretamente o eleitor conservador.
Wellington, por sua vez, sinalizou que pretende inverter a pressão: colocar Pivetta no banco dos réus da própria gestão, explorando RGA, gastos públicos, investigações e episódios que possam atingir a imagem de eficiência administrativa construída pelo atual grupo no poder.
Entre ataques, direitos de resposta, acusações cruzadas e momentos de emoção, o segundo encontro (o primeiro foi realizado pela Rádio Centro América, no mês passado) com os seis candidatos mostrou que a corrida pelo Palácio Paiaguás entrou definitivamente em uma fase de confronto.





