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Pivetta reúne 16 vereadores e avança sobre bases dos adversários


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Na busca pela reeleição, o governador Pivetta obtém apoio de quase 60% da Câmara de Cuiabá

O governador e candidato à reeleição Otaviano Pivetta (Republicanos) conseguiu transformar a Câmara de Cuiabá em uma das principais vitrines de sua articulação eleitoral, na Capital.

Um grupo de 16 vereadores declarou apoio à candidatura do republicano, quantidade equivalente a 59,3% das 27 cadeiras do Legislativo municipal e suficiente para formar, sozinha, uma maioria absoluta da Casa.

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O movimento ganha dimensão política porque não reúne apenas integrantes das legendas oficialmente coligadas a Pivetta.

Entre os apoiadores, aparecem vereadores filiados a partidos que, formalmente, estão em palanques adversários na eleição para o Governo.

INFO piveta câmara de cuiabá

 

Participaram do encontro com Pivetta os vereadores Dilemário Alencar, Maysa Leão, Adevair Cabral, Maria Avalone, Daniel Monteiro, Michelly Alencar, Ilde Taques, Dídimo Vovô, Demilson Nogueira, Baixinha Giraldelli, Dra. Mara, Alex Rodrigues, Eduardo Magalhães, Katiuscia Manteli, Sargento Joelson e Tenente-Coronel Dias.

O grupo representa mais da metade da Câmara, justamente no maior colégio eleitoral de Mato Grosso.

A força territorial dos vereadores, distribuída por bairros e diferentes segmentos da Capital, transforma esses apoios em ativos de campanha para uma disputa que, até agora, tem sido marcada pela dificuldade dos partidos de manter suas próprias bases alinhadas.

MAIORIA ESTÁ EM PARTIDOS DE PIVETTA – Boa parte dos 16 vereadores está em partidos que já integram formalmente a coligação Mato Grosso Não Pode Parar, de Pivetta e da candidata a vice Gisela Simona (União).

A aliança reúne Republicanos, Federação União Progressista — formada por União Brasil e PP —, Federação PSDB/Cidadania e Podemos.

Entre os apoiadores, estão, por exemplo, Maysa Leão, Daniel Monteiro e Eduardo Magalhães, do Republicanos; Dilemário Alencar e Michelly Alencar, do União Brasil; Demilson Nogueira, do PP; Maria Avalone, do PSDB; e Tenente-Coronel Dias, do Cidadania.

A Câmara também registra vereadores que migraram para o Podemos neste ano – entre eles, Alex Rodrigues e Ilde Taques.

Nesse núcleo, portanto, o apoio a Pivetta acompanha a orientação formal das respectivas legendas.

O dado politicamente mais relevante está fora dele.

VEREADORES CRUZAM PALANQUES – Adevair Cabral e Baixinha Giraldelli, ambos do Solidariedade, estão entre os vereadores que aderiram a Pivetta.

O Solidariedade, porém, integra a Federação Renovação Solidária, que compõe a coligação Coração da Gente, responsável pela candidatura de Wellington Fagundes (PL) ao Governo.

Na prática, os dois vereadores de uma sigla formalmente alinhada a Wellington passam a trabalhar politicamente pela reeleição do principal adversário do candidato do PL.

Outra ruptura ocorre com Dídimo Vovô, filiado ao PSB.

O partido integra a coligação Mato Grosso para Todos, encabeçada pela candidata ao Governo Natasha Slhessarenko (PSD).

Assim, ao menos três dos 16 vereadores que aparecem no grupo pró-Pivetta pertencem a partidos formalmente colocados em coligações adversárias, na eleição majoritária.

Essa parcela pode parecer pequena, diante do conjunto de 16 nomes, mas ajuda a revelar um fenômeno mais amplo: a eleição estadual está se organizando de forma cada vez menos vertical.

A posição da direção partidária já não garante que prefeitos, vereadores ou candidatos proporcionais acompanhem automaticamente o mesmo palanque para governador.

PL NÃO APARECE ENTRE OS 16 – Há ainda um detalhe significativo.

Na relação divulgada dos 16 apoiadores de Pivetta não aparece nenhum dos vereadores atualmente identificados com o PL na Câmara de Cuiabá.

A legenda é justamente o partido de Wellington Fagundes e também do prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini.

Isso não significa que toda a bancada liberal esteja necessariamente engajada na candidatura de Wellington.

Mas, mostra que a ofensiva pública de Pivetta sobre a Câmara foi construída, até aqui, sem precisar exibir um vereador formalmente filiado ao partido do adversário.

O avanço ocorre, porém, em paralelo a uma crise muito mais ampla dentro do PL no interior.

A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti, declarou apoio a Pivetta mesmo sendo filiada ao PL.

Também fizeram a mesma escolha os prefeitos Cláudio Ferreira, de Rondonópolis; Sérgio Machnic, de Primavera do Leste; Carlão Borchardt, de Tabaporã; e Emerson Sabatine, de Itanhangá.

Edilson Piaia, de Campo Novo do Parecis, chegou a pedir desfiliação da legenda.

ALIANÇAS PERDEM COESÃO – A movimentação em Cuiabá reforça uma característica que já vinha aparecendo na eleição estadual.

O candidato a deputado estadual Léo Bortolin (MDB) classificou o pleito como “atípico”, e afirmou que as coligações não estão conseguindo manter seus próprios integrantes alinhados.

Segundo ele, o problema não estaria restrito à relação entre MDB e PL, mas se repetiria em diferentes grupos políticos.

A coligação de Wellington é um exemplo evidente.

Embora PL e MDB estejam juntos na candidatura ao Governo e também tenham lançado Janaina Riva e José Medeiros para o Senado, a própria campanha já registra disputas públicas entre os dois candidatos ao Senado e resistência de lideranças bolsonaristas à composição.

No outro lado, Pivetta conseguiu incorporar à sua chapa o União Brasil, que fornece Gisela Simona como vice, mas também convive com disputas e rearranjos internos envolvendo lideranças que inicialmente defendiam outros projetos eleitorais.

CUIABÁ VIRA PEÇA CENTRAL – A conquista do apoio de 16 vereadores é particularmente relevante porque Cuiabá concentra o maior eleitorado municipal de Mato Grosso, e funciona como principal vitrine política do Estado.

Vereadores mantêm redes próprias de influência nos bairros, igrejas, associações, entidades e categorias profissionais.

Em uma eleição de governador, essa estrutura pode servir de ponte entre a campanha majoritária e segmentos do eleitorado, que dificilmente seriam alcançados apenas pela propaganda no rádio, televisão e internet.

Pivetta, portanto, não conquistou apenas uma fotografia com 16 parlamentares.

A reunião mostra que o governador conseguiu formar, na Capital, uma rede política numericamente superior à maioria absoluta da Câmara, ao mesmo tempo em que incorporou ao seu palanque vereadores de siglas oficialmente comprometidas com Wellington e Natasha.

A pouco menos de um mês da eleição, o movimento confirma que, em Mato Grosso, a fronteira entre situação e oposição está muito menos definida nos municípios do que indicam as coligações registradas na Justiça Eleitoral.





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