A aproximação entre o governador Otaviano Pivetta (Republicanos) e o prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini (PL), deixou de aparecer apenas em declarações políticas e ganhou uma imagem pública em plena campanha eleitoral. Os dois participaram juntos de agenda na Capital, vistoriaram equipamento público e chegaram a jogar futebol com crianças, numa cena que aproxima o candidato ao Governo de uma das principais lideranças bolsonaristas de Mato Grosso.
A agenda tem componente administrativo. Abílio elogiou o modelo implantado por Pivetta quando prefeito de Lucas do Rio Verde e afirmou que Cuiabá está reproduzindo parte daquela experiência. Mas o encontro ocorre num contexto político que amplia seu significado: Pivetta disputa o Governo justamente contra Wellington Fagundes, candidato do partido de Abílio.
O movimento coincide com a discussão sobre o espaço que Pivetta poderá ocupar na campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL). Um dia antes, Nilson Leitão afirmou que o presidenciável poderá ter em Mato Grosso tanto o palanque de Wellington quanto o de Pivetta. A possibilidade cria uma configuração incomum, na qual o candidato do Republicanos disputa com o próprio candidato do PL uma parcela do eleitorado bolsonarista.
Abílio pode ter papel importante nessa equação. Eleito prefeito de Cuiabá pelo PL e identificado politicamente com Bolsonaro, ele mantém relação pública com Pivetta ao mesmo tempo em que seu partido tenta consolidar Wellington como representante da direita na eleição estadual.
A aproximação também ocorre depois de Abílio adotar posições próprias em episódios que atingiram o núcleo político estadual. Ao comentar os efeitos da Operação Heritage, por exemplo, criticou o que classificou como transformação de investigações em “espetáculo”, sem defender impedimento à atuação policial.
Isoladamente, uma vistoria conjunta não configura aliança eleitoral. Somada, porém, ao debate sobre o palanque de Flávio, à divisão interna do PL e às manifestações públicas recentes, ela reforça uma pergunta que deverá acompanhar a campanha: Abílio poderá funcionar como ponte entre Pivetta e o eleitor bolsonarista de Cuiabá?





