As eleições de 2026 em Mato Grosso serão marcadas por uma forte disputa pela permanência no poder. Com o encerramento das convenções partidárias, o quadro de candidaturas mostra que a reeleição continua sendo a principal estratégia dos atuais parlamentares, reduzindo significativamente o espaço para a renovação política tanto na Assembleia Legislativa quanto na Câmara dos Deputados.
Dos 24 deputados estaduais, 23 disputarão a reeleição. A única exceção é Janaina Riva (MDB), que deixou a corrida proporcional para concorrer ao Senado. Na bancada federal, seis dos oito deputados tentarão renovar seus mandatos. Apenas duas cadeiras estarão obrigatoriamente abertas em 2027: a de José Medeiros (PL), que disputa o Senado, e a de Fábio Garcia (União Brasil), candidato a vice-governador na chapa de Otaviano Pivetta (Republicanos).
Os números mostram que a renovação dependerá muito mais da derrota de parlamentares que buscam permanecer do que da abertura natural de vagas. Isso torna a disputa ainda mais difícil para estreantes e candidatos sem mandato.
Na Assembleia Legislativa, a permanência praticamente se tornou regra. Entre os parlamentares que tentam continuar na Casa estão representantes de praticamente todas as legendas com maior estrutura política no Estado, evidenciando que a busca pela continuidade ultrapassa diferenças ideológicas e partidárias.
Na Câmara Federal, o cenário também favorece os atuais ocupantes dos cargos. Dos oito representantes de Mato Grosso, apenas dois não disputarão novamente o mesmo mandato, mantendo elevada a taxa de continuidade da bancada.
Renovação enfrenta barreiras
Especialistas em ciência política costumam apontar que parlamentares que buscam a reeleição partem em vantagem por já possuírem visibilidade pública, estrutura partidária consolidada, redes de apoio político e maior capacidade de arrecadação de recursos eleitorais.
Além disso, a atuação parlamentar permite manter contato permanente com prefeitos, vereadores e lideranças municipais, fatores que costumam fortalecer campanhas proporcionais.
Em Mato Grosso, essa realidade é reforçada pelo modelo eleitoral, que concentra grande parte dos votos nas candidaturas apoiadas pelas máquinas partidárias e pelos grupos políticos já estabelecidos.
Ao mesmo tempo, o pequeno número de vagas efetivamente disponíveis aumenta a concorrência entre candidatos estreantes, lideranças municipais e ex-prefeitos que tentam chegar ao Legislativo estadual ou federal.
Poucas mudanças previstas
Apesar da elevada taxa de reeleição buscada pelos atuais parlamentares, o cenário não significa necessariamente manutenção integral das bancadas.
Mudanças poderão ocorrer caso candidatos tradicionais sejam derrotados ou caso partidos consigam ampliar ou reduzir suas representações em função do desempenho coletivo das chapas.
Ainda assim, o quadro desenhado após as convenções indica que as eleições de 2026 deverão produzir uma renovação menor do que a observada em pleitos anteriores, mantendo forte presença de parlamentares já conhecidos do eleitorado.
Com o início da campanha, um dos principais desafios dos candidatos sem mandato será romper a vantagem dos atuais ocupantes dos cargos e convencer o eleitor de que a renovação política pode representar novas alternativas para a representação de Mato Grosso em Brasília e na Assembleia Legislativa.
Quem busca permanecer
Assembleia Legislativa
- 23 dos 24 deputados disputam a reeleição.
- Apenas Janaina Riva concorre ao Senado.
Câmara dos Deputados
- 6 dos 8 deputados tentam novo mandato.
- José Medeiros disputa o Senado.
- Fábio Garcia concorre a vice-governador.
Resultado
Apenas duas vagas federais estarão obrigatoriamente abertas em 2027.




