Pedro França/Agência Senado
Em março deste ano, Pedro Taques foi à CPI do Crime Organizado, no Senado, e falou sobre Caso Master em MT
O ex-governador e advogado Pedro Taques (PSB) afirmou que a investigação conduzida por seu escritório sobre o acordo firmado entre o Governo de Mato Grosso e a operadora Oi S.A. teve início em novembro de 2024, quase dois anos antes da deflagração, pela Polícia Federal, da Operação Heritage.
Em coletiva de imprensa, Taques apresentou uma cronologia das apurações realizadas por sua equipe e sustentou que os elementos investigados pela PF já haviam sido levados, anteriormente, ao Judiciário e a diversos órgãos de controle, por meio de ações judiciais e representações protocoladas desde 2025.
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Segundo o ex-governador, a investigação teve origem durante a análise de documentos relacionados ao caso dos consignados dos servidores públicos estaduais.
Conforme relatou, o exame desse material levou à identificação de fundos de investimento administrados pelo Banco Master, fato que motivou o aprofundamento da investigação sobre o acordo que resultou no pagamento de R$ 308 milhões à Oi S.A.
Taques afirmou que toda a apuração foi construída a partir de documentos públicos, especialmente registros disponíveis na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), informações societárias e cruzamento de dados realizado por sua equipe jurídica, com auxílio de ferramentas de Inteligência Artificial (IA).
De acordo com ele, milhares de documentos relacionados a fundos de investimento foram analisados para reconstruir a estrutura financeira utilizada na operação.
Na exposição, o ex-goveraadvogado voltou a questionar a legalidade do acordo firmado entre o Estado e a operadora de telefonia.
Segundo sua interpretação, a empresa já não teria mais prazo legal para discutir judicialmente o crédito tributário, razão pela qual o acordo celebrado na Câmara de Resolução Consensua da Procuradoria-Geral do Estado (Consenso-MT) seria incompatível com a legislação tributária.
Outro ponto levantado foi a rapidez com que o procedimento teria sido concluído.
Taques também criticou a metodologia empregada para definir os valores pagos, afirmando que os cálculos não passaram pelo setor técnico responsável da PGE.
Na coletiva, o ex-governador apresentou organogramas e fluxogramas para demonstrar o percurso dos recursos públicos após o pagamento.
Segundo a reconstrução feita por sua equipe, os R$ 308 milhões saíram do sistema financeiro do Estado e foram destinados, inicialmente, a dois fundos de investimento, passando, depois, por sucessivas cessões e novas estruturas financeiras, até alcançarem empresas privadas.
A esse mecanismo, Taques atribuiu a expressão “fundos em cascata”, utilizada para descrever a sequência de transferências entre diferentes veículos financeiros.
Conforme explicou, a reconstrução do fluxo financeiro foi realizada com base em registros públicos da Comissão de Valores Mobiliários e em documentos societários utilizados nas representações encaminhadas aos órgãos de controle.
O ex-governador informou que, ao longo da investigação, seu escritório de advocacia protocolou representações junto à Procuradoria-Geral da República (PGR), Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), Ministério Público Estadual, Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e também ingressou com ação popular na Justiça Estadual.
Para Taques, as medidas cautelares determinadas pelo ministro Flávio Dino, na Operação Heritage — como buscas e apreensões, bloqueio de bens, quebra de sigilos e restrições de contato entre investigados — representam “um avanço” das apurações iniciadas anteriormente por seu escritório.
Ao comentar os possíveis impactos financeiros do caso, o ex-governador afirmou que os R$ 308 milhões poderiam ter sido destinados a áreas como Saúde, Segurança Pública e Assistência Social, defendendo que eventual recuperação dos recursos beneficiaria diretamente a população mato-grossense.
taques também rebateu críticas de que a investigação teria motivação eleitoral.
Segundo ele, a apuração começou muito antes do calendário das eleições de 2026. E foi baseada exclusivamente em documentos públicos e informações oficiais.
No encerramento da coletiva, ele afirmou que continuará acompanhando os desdobramentos da Operação Heritage.
“Quando muitos diziam que esse caso não daria em nada, eu não desisti. Continuei reunindo documentos, provocando as instituições. Vou acompanhar essa investigação até o fim, porque o dinheiro público pertence à sociedade e deve ser protegido”, declarou.




