O secretário de Estado americano Marco Rubio apontou Lula como responsável pelo novo tarifaço imposto ao Brasil, por não negociar com os Estados Unidos “de boa-fé”.
Mas a maior parte da conta dos 25% de sobretaxa para cerca de 3 mil produtos brasileiros exportados aos Estados unidos recai sobre o principal adversário de Lula na eleição deste ano, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ, foto), segundo a pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quinta-feira, 16.
Pesquisa PoderData/Aya, também divulgada nesta quarta, reforça o cenário ruim para o filho 01 de Bolsonaro, pois indica que 42% dos eleitores consideram o apoio de Trump negativo para o candidato que concorrer à Presidência da República neste ano, contra 32% que acham o efeito positivo e 20% que não enxergam qualquer diferença.
É pior
E a perspectiva é ainda pior para a pretensão presidencial do senador, porque a pesquisa Quaest indica que ele perde eleitores independentes por causa do tarifaço. São esses votos que definem a eleição de um presidente no Brasil há anos, devido à cristalização dos dois polos ideológicos.
O instituto perguntou se a tarifa é retaliação ao Pix, como Lula diz, ou se é reação às declarações de Lula contra os Estados Unidos, como alega o filho 01 de Jair Bolsobaro.
Há mais gente com Lula (49%) do que com Flávio (33%). Há um mês, 46% concordavam com o petista e 33%, com o senador.
No caso dos eleitores independentes, tidos como definidores das eleições, 44% concordam com Lula nesse quesito, e 24%, com Flávio. Em junho, 39% estavam com o petista e 26%, com o senador.
Além disso, 42% dos 2.004 eleitores ouvidos de 10 a 13 de julho dizem que o tarifaço aumenta a vontade de votar em Lula, e eram 39% em junho. A vontade de votar em Flávio no contexto da tarifa extra caiu de 30% para 27%.
Repetição
Ensaia-se agora uma repetição do que ocorreu em abril do ano passado, quando Trump anunciou a primeira tarifa extra ao Brasil, de 50%. A tarifa não chegou a ser aplicada na intensidade prometida, e Lula surfou a onda para recuperar parte da popularidade perdida ao longo do governo.
Assim como ocorreu no caso do escândalo do filme Dark Horse e da crise com Michelle Bolsonaro, os problemas da pré-candidatura de Flávio devem seguir beneficiando o cambaleante Lula, que só tem perspectiva de eleição porque se alimenta dos defeitos de quem se apresenta como alternativa.
Leia mais: Michelle convenceu muito mais gente do que Flávio





