Início GERAL Todos miram o legado de Bolsonaro, mas a direita está dividida

Todos miram o legado de Bolsonaro, mas a direita está dividida


Divulgação/PL

Caciques do PL, Valdemar Costa Neto e Ananias Filho reforçaram que todos os filiados devem apoiar exclusivamente a candidatura de Wellington Fagundes

A definição das chapas para as eleições de 2026 revelou uma disputa que vai além dos cargos em jogo.

Em Mato Grosso, o principal embate da pré-campanha passou a ser pela representação política do eleitorado bolsonarista, tradicionalmente majoritário no Estado.

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Lideranças do Partido Liberal (PL), aliados históricos do ex-presidente Jair Bolsonaro e até nomes incorporados à estratégia nacional da legenda reivindicam o mesmo capital político, mas seguem caminhos diferentes na eleição estadual.

O estopim da crise foi a decisão da direção nacional do PL de homologar a aliança com o MDB, garantindo à deputada estadual Janaina Riva uma das vagas ao Senado, na chapa encabeçada pelo senador Wellington Fagundes ao Governo do Estado.

A composição provocou forte reação de parte das lideranças bolsonaristas em Mato Grosso, especialmente prefeitos e parlamentares, que rejeitam qualquer aproximação com o MDB.

Mesmo diante da resistência, a executiva nacional decidiu manter o acordo.

O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e o presidente estadual, Ananias Filho, reforçaram que todos os filiados devem apoiar exclusivamente a candidatura de Wellington Fagundes ao Governo do Estado.

O cacique deixou claro que não haverá espaço para campanhas paralelas em favor de adversários.

Como candidato oficial do PL ao Governo, Wellington busca consolidar sua candidatura com o respaldo da direção nacional e da estratégia eleitoral que prioriza a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (RJ).

A aposta é que a unidade partidária prevaleça sobre as divergências regionais.

A defesa desse posicionamento ganhou reforço da deputada federal Coronel Fernanda, que afirmou que interesses individuais devem ser deixados de lado para fortalecer o projeto nacional do partido.

Segundo ela, a prioridade é ampliar a votação de Flávio Bolsonaro em Mato Grosso e retirar o PT do comando do Governo Federal.

Mesmo dividindo a chapa ao Senado com Janaina Riva, o deputado federal José Medeiros continua apontado, por parte das lideranças, como o principal representante do bolsonarismo na disputa pelas vagas ao Senado.

A permanência de Medeiros na chapa tornou-se um dos argumentos utilizados pela direção nacional para justificar a composição com o MDB, preservando um nome historicamente identificado com o eleitorado conservador.

A entrada de Janaina na coligação representa uma estratégia de ampliação da base eleitoral.

A direção nacional do PL avalia que a composição pode atrair eleitores fora do núcleo tradicional da direita, fortalecendo a candidatura presidencial do partido em Mato Grosso.

Essa leitura foi defendida publicamente por Coronel Fernanda, ao justificar o acordo.

ABÍLIO LIDERA RESISTÊNCIA – No outro lado da disputa interna, está o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini.

Ao lado de outras lideranças do PL, ele manifestou resistência à coligação com o MDB e participou de reuniões em Brasília, após o anúncio da aliança.

Apesar das divergências, a direção nacional reafirmou que Wellington é o candidato oficial da legenda e proibiu filiados de pedir votos para outro concorrente ao Governo do Estado.

Embora o debate estadual seja intenso, o discurso da direção nacional é de que a prioridade do partido permanece sendo a eleição presidencial.

Nesse contexto, Flávio Bolsonaro aparece como o principal beneficiário da estratégia de ampliar alianças estaduais para aumentar a votação nacional da legenda.

Valdemar Costa Neto, por sua vez, assumiu o papel de árbitro da crise, ao reafirmar a autoridade da executiva nacional e exigir fidelidade dos filiados à chapa homologada.

A disputa demonstra que, mais do que uma divergência sobre nomes, o processo eleitoral de 2026 em Mato Grosso tornou-se uma disputa sobre quem possui legitimidade para representar o eleitorado bolsonarista no Estado.

Enquanto a direção nacional aposta na unidade em torno da chapa oficial, parte das lideranças locais continua questionando a composição.

Isso evidencia que o maior desafio do PL poderá ser manter unido um grupo que compartilha a mesma identidade política, mas diverge quanto ao caminho para chegar às urnas.





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