A sucessão ao Governo de Mato Grosso entrou em uma nova fase e passou a girar em torno de um único evento: a convenção estadual do União Brasil, marcada para o próximo dia 30 de julho. O encontro, antecipado em cinco dias após acordo entre as principais lideranças da legenda, deverá definir se o partido lançará candidatura própria ao Palácio Paiaguás ou se permanecerá na base do governador Otaviano Pivetta (Republicanos), candidato à reeleição.
Mais do que uma decisão interna, o resultado da convenção tende a influenciar diretamente a montagem das principais alianças para as eleições de outubro. MDB, Progressistas (PP), Republicanos e outras siglas aguardam o posicionamento do União Brasil para concluir as negociações em torno das chapas majoritárias.
O impasse expõe, pela primeira vez desde a criação do União Brasil, uma disputa aberta entre as duas maiores lideranças da legenda em Mato Grosso. De um lado está o ex-governador Mauro Mendes, presidente estadual do partido e principal articulador da candidatura de Pivetta. Do outro, o senador Jayme Campos, que reivindica o direito de disputar o Governo do Estado por entender que o União Brasil reúne condições políticas e eleitorais para apresentar candidatura própria.
Embora tenham construído juntos as campanhas vitoriosas de 2018 e 2022, Mauro e Jayme passaram a defender estratégias distintas para a sucessão estadual. Enquanto o ex-governador sustenta a manutenção da aliança que governa Mato Grosso nos últimos anos, Jayme argumenta que o partido deve exercer protagonismo e disputar diretamente o comando do Executivo.
Nas últimas semanas, o senador intensificou as articulações internas, reafirmou que não aceitará disputar o Senado e declarou contar com apoio suficiente entre os convencionais para ter sua candidatura homologada. Segundo ele, a decisão deverá ocorrer de forma consensual, caso apenas seu nome seja submetido à convenção.
Já Mauro Mendes mantém o trabalho de consolidação da candidatura de Pivetta e participa da construção de uma ampla coligação em torno do atual governador. A estratégia inclui o apoio do Republicanos à sua candidatura ao Senado e a manutenção da base formada por partidos que integram o atual governo estadual.
Apesar do embate, ambos têm procurado preservar o discurso de unidade partidária. O acordo para antecipar a convenção foi interpretado como demonstração de que o confronto permanecerá restrito às instâncias internas do partido, evitando um rompimento político entre os grupos.
A expectativa é que a decisão seja tomada pelos cerca de 50 convencionais com direito a voto. Lideranças ligadas a Jayme afirmam possuir maioria entre os delegados, enquanto aliados de Mauro trabalham para manter o alinhamento do União Brasil ao projeto de continuidade da atual gestão estadual.
O resultado também interessa diretamente ao MDB. A presidente estadual da sigla, deputada Janaina Riva, confirmou que o partido aguarda a definição do União Brasil antes de decidir qual candidatura apoiará ao Governo. Segundo ela, caso Jayme seja oficializado candidato, essa passa a ser uma das alternativas com maior respaldo dentro do MDB. Ao mesmo tempo, a legenda mantém diálogo com Otaviano Pivetta e com o senador Wellington Fagundes (PL), buscando espaço político e fortalecimento de suas chapas proporcionais.
No Republicanos, a expectativa também depende da definição do União Brasil. O partido já marcou sua convenção para o dia 5 de agosto, quando homologará a candidatura de Pivetta à reeleição e definirá o nome que ocupará a vaga de vice-governador, preferencialmente de outra legenda para ampliar a base de apoio.
O Progressistas, que integra a Federação União Progressista ao lado do União Brasil, acompanha as negociações sem demonstrar resistência a qualquer decisão que venha a ser tomada pelos convencionais. Integrantes da legenda afirmam que respeitarão a escolha do partido federado, independentemente de candidatura própria ou manutenção da aliança com Pivetta.
Com isso, a convenção do dia 30 deixou de representar apenas um ato formal de homologação de candidaturas. Ela passou a ser o principal marco político da pré-campanha em Mato Grosso, com potencial para reorganizar alianças, redefinir estratégias partidárias e estabelecer o desenho definitivo da disputa pelo Palácio Paiaguás.
O EFEITO DA CONVENÇÃO DO UNIÃO
União Brasil: decide entre candidatura própria (Jayme Campos) ou apoio a Otaviano Pivetta.
MDB: aguarda a decisão para definir qual projeto apoiará.
Republicanos: espera consolidar a aliança e homologar Pivetta em 5 de agosto.
PP: acompanha a definição da federação União Progressista.
Podemos e demais aliados: monitoram o desfecho para fechar as composições eleitorais.




