Governador por dois mandatos, senador, figura que libertou a Bahia do jugo do coronelismo, Jaques Wagner tem experiência suficiente para entender a gravidade do momento. Renunciar à liderança do governo não significa admissão de culpa, apenas a decisão racional para estancar uma crise cuja escalada só interessa a quem aposta na estratégia do Chacrinha: confundir e não explicar. O caso do Banco Master é majoritariamente um escândalo do bolsonarismo e do Centrão, mas o apego de Wagner ao posto insufla a tese, ou a “narrativa”, para repisar o senso comum do momento, de que são todos “farinha do mesmo saco”. O drama do parlamentar vira um drama do Palácio do Planalto.
A insistência do senador, além das explicações insuficientes até o momento sobre as relações com Augusto Lima, presta um desserviço não só ao governo Lula, empurrado para o centro dos acontecimentos, mas à pedagogia política. Os bolsonaristas salivam nas redes sociais e parte do jornalismo autodenominado profissional aproveita a deixa para exercitar a parcialidade contumaz. O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, envolto na aura de paladino, tenta, por sua vez, trazer os aliados da oposição de volta ao jogo eleitoral.
Fica a pergunta: qual o motivo de Flávio Bolsonaro ainda não ter recebido uma visita da Polícia Federal após a revelação dos áudios que escancaram a “amizade” com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro? Dois dias antes da operação contra Wagner, Mendonça justificou a recusa da delação de Vorcaro por uma suposta “seletividade” do acusado. Em outras palavras, o candidato a delator não entregou os nomes de interesse do magistrado: petistas e o colega Alexandre de Moraes.
Gisele Cittadino, professora de Direito, integrante do Grupo Prerrogativas, corajosa crítica dos excessos da Lava Jato, é insuspeita de antipetismo e de punitivismo. Depois de ler as 31 páginas do despacho de Mendonça que autorizou a busca e apreensão no apartamento de Wagner, Cittadino resumiu nas redes sociais: “A decisão não está amparada em ilações ou argumentos políticos, mas em documentação, áudios e mensagens (…) Se o senador JW tiver compromisso com o PT e com o País, deveria deixar imediatamente a liderança do governo no Senado e dedicar-se a sua defesa”. Nada a acrescentar.





