O candidato ao Governo de Mato Grosso Wellington Fagundes (PL) cobrou fidelidade dos integrantes de seu partido que decidiram apoiar adversários na disputa pelo Palácio Paiaguás. A manifestação ocorre após prefeitos filiados ao PL anunciarem apoio à reeleição do governador Otaviano Pivetta (Republicanos), contrariando a decisão tomada pela legenda para as eleições deste ano.
Em entrevista à Rádio Cultura FM, Wellington foi questionado sobre as manifestações de aliados e as críticas feitas pelo senador José Medeiros (PL). Sem mencionar nominalmente os prefeitos que aderiram à candidatura de Pivetta, Wellington afirmou que a decisão tomada pela maioria do partido durante a convenção deveria ser seguida pelos filiados.
“Um partido político faz uma convenção, a maioria decidiu. Quem é leal, quem é fiel, tem que acompanhar”, afirmou.
A declaração expõe uma das dificuldades enfrentadas pela candidatura de Wellington na campanha estadual: manter unificada a base do próprio PL enquanto Pivetta busca ampliar sua sustentação política entre prefeitos e lideranças municipais, inclusive dentro de partidos adversários.
Wellington recorreu à própria trajetória partidária para defender sua posição. Filiado ao PL há cerca de quatro décadas, o candidato lembrou sua relação política com o ex-presidente Jair Bolsonaro e afirmou ter participado das articulações para a filiação dele à legenda.
“Eu trabalhei muito, eu fui deputado com o Bolsonaro 24 anos. Tenho uma relação de amizade muito grande com o Bolsonaro. Eu, junto com o Valdemar, trabalhei muito para o Bolsonaro vir para o PL”, disse, em referência ao presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto.
A menção a Bolsonaro ocorre em um momento em que Wellington procura reforçar sua identificação com o eleitorado do PL e com a trajetória recente da legenda. Ao mesmo tempo, apoios de prefeitos do partido a Pivetta mostram que a definição nacional ou estadual da sigla não necessariamente tem sido reproduzida por todas as lideranças nos municípios.
Apesar da cobrança por lealdade partidária, Wellington reconheceu que prefeitos e demais filiados têm liberdade para fazer suas próprias escolhas políticas. Ressalvou, porém, que a democracia interna também pressupõe o respeito à posição definida pela maioria durante a convenção.
“Cada um na democracia tem direito de fazer o que quiser. Agora, um partido político faz uma convenção, a maioria decidiu, quem é leal, quem é fiel, tem que acompanhar”, reforçou.
O candidato afirmou ainda que não pretende transformar as divergências em confronto público com integrantes do PL que escolheram apoiar Pivetta. Segundo Wellington, caberá ao eleitor avaliar o comportamento das lideranças políticas e dar uma resposta nas urnas.
A estratégia evita, por enquanto, um embate direto com prefeitos que permanecem formalmente vinculados ao PL, mas eleitoralmente estão no campo adversário. Ao cobrar fidelidade sem defender publicamente punições, Wellington procura marcar a posição partidária e, ao mesmo tempo, preservar pontes com lideranças municipais que poderão continuar integrando a legenda depois das eleições.
O movimento de prefeitos em direção a Pivetta também coloca o comando do PL diante da discussão sobre até onde vai a liberdade individual dos filiados durante uma eleição majoritária. Para Wellington, a linha é clara: embora cada político possa fazer sua escolha, quem integra um partido deve considerar a decisão tomada coletivamente.
A cobrança ganha peso adicional porque ocorre dentro da legenda que sustenta a candidatura de Wellington ao Governo. Em vez de enfrentar apenas a disputa externa contra Pivetta, o candidato também precisa administrar apoios ao adversário dentro da própria estrutura partidária.





