Depois de mudanças sucessivas na composição de sua chapa, o senador Wellington Fagundes (PL) anunciou, nesta quinta-feira (13), o empresário do agronegócio Reinaldo Moraes (Novo), conhecido como “Rei do Porco”, como candidato a vice-governador, na disputa pelo Governo de Mato Grosso.
Moraes é o terceiro nome a ocupar espaço nas articulações para a vice.
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Antes dele, passaram pela composição o empresário Marcelo Maluf (Novo) e o médico Alencar Farina (PL).
A escolha ocorre em um momento de tensão entre Wellington e setores bolsonaristas do PL, bem como acrescenta à chapa um empresário identificado publicamente com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Reinaldo ganhou projeção nas redes sociais em 2024 após aparecer em um vídeo durante uma visita de Bolsonaro a Mato Grosso.
Nas imagens, o empresário participa de uma oração e unge os pés do ex-presidente com óleo.
O nome também recebeu o aval da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), segundo as informações divulgadas sobre a articulação.
Com a mudança, Wellington tenta encerrar uma sequência de indefinições sobre a vice e, ao mesmo tempo, reforçar a identificação de sua candidatura com o eleitorado bolsonarista.
TERCEIRO NOME – A definição de Reinaldo ocorre depois de duas alterações na composição planejada para a chapa.
Inicialmente, o escolhido foi Marcelo Maluf, também do Novo.
O empresário chegou a ser anunciado como companheiro de chapa de Wellington, em uma composição que ajudou a consolidar o apoio do partido à candidatura do senador.
Poucos dias depois, porém, Wellington recuou.
Maluf reagiu publicamente e acusou Wellington e a direção estadual do PL de descumprirem um compromisso político que, segundo ele, havia sido construído e formalizado entre as duas legendas.
Após a saída de Maluf, o médico Alencar Farina, do PL, passou a ser considerado para a vaga.
A possibilidade também encontrou resistência.
Farina, atualmente ligado ao campo bolsonarista, havia integrado uma chapa do PT na eleição municipal de Cuiabá em 2004, quando foi candidato a vice-prefeito de Alexandre César.
O histórico político passou a ser lembrado justamente quando Wellington enfrentava questionamentos de setores mais identificados com Bolsonaro.
Reinaldo ganhou força nas articulações e acabou escolhido para a vaga.
MDB E RESISTÊNCIA – A dificuldade para definir o vice ocorre em meio a uma questão política mais ampla dentro da candidatura de Wellington: a aliança construída com o MDB.
O acordo colocou a deputada estadual Janaina Riva (MDB) como candidata ao Senado, ao lado do deputado federal José Medeiros (PL), formando a dupla de candidatos ao cargo apoiada pela chapa de Wellington.
A aproximação com o MDB provocou resistência em setores do PL. Inclusive, entre lideranças e prefeitos ligados ao partido.
É nesse contexto que a escolha de Reinaldo adquire significado político.
Ao colocar na vice um empresário do agronegócio com demonstrações públicas de apoio a Bolsonaro, a chapa procura reforçar sua conexão com a base bolsonarista sem desfazer a aliança eleitoral com o MDB.
QUEM É O “REI DO PORCO” – Reinaldo Moraes é empresário ligado à suinocultura e proprietário da Suinobrás, empresa que atua na comercialização de suínos.
Ele se apresenta nas redes sociais como empresário, palestrante e escritor e afirma possuir experiência nos setores de avicultura e suinocultura e na implantação de frigoríficos.
Também mantém atuação em eventos de orientação religiosa.
Evangélico, participa como palestrante de encontros voltados ao público cristão.
A relação pública com o bolsonarismo ganhou maior repercussão a partir do episódio registrado em 2024.
No vídeo, Reinaldo aparece ajoelhado diante de Bolsonaro, durante uma oração.
Os pés do ex-presidente são ungidos enquanto o empresário participa do ato religioso.
Veja vídeo:
Moraes também já disputou uma eleição majoritária.
Em 2020, concorreu ao Senado na eleição suplementar realizada em Mato Grosso.
CHAPA BUSCA ESTABILIDADE – A definição do vice ocorre em um momento no qual Wellington tenta estabilizar a candidatura depois das divergências provocadas pela montagem das alianças.
A escolha de um integrante do Novo preserva a participação da legenda na chapa, apesar do desgaste provocado pela retirada de Marcelo Maluf.
Ao mesmo tempo, o perfil de Reinaldo acrescenta dois componentes relevantes à composição: ligação com o agronegócio e identificação com Bolsonaro.
A definição não elimina, contudo, os problemas políticos provocados pelas mudanças anteriores.
A campanha terá de administrar a insatisfação deixada pela retirada de Maluf, a repercussão da passagem de Farina pela composição e, principalmente, as divergências internas provocadas pela aliança com o MDB.
Com Reinaldo Moraes, Wellington chega ao terceiro nome para a vice em poucos dias.
A escolha sinaliza uma tentativa de encerrar a instabilidade na chapa e recompor pontes com o segmento bolsonarista sem alterar o acordo que colocou Janaina Riva e José Medeiros na disputa pelas duas vagas ao Senado.





