Início GERAL Zaelli renuncia e aumenta a ‘eterna’ crise na política de VG

Zaelli renuncia e aumenta a ‘eterna’ crise na política de VG


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O entendimento entre os bolsonaristas Flávia Moretti e Tião da Zaeli durou mesmo só durante o período das eleições, em Várzea Grande

A cidade de Várzea Grande (área metropolitana de Cuiabá) vive novamente uma desastrosa administração municipal. Só que, agora, com a crise entre a prefeita Flávia Moretti e o (até hoje) vice-prefeito Tião da Zaelli, ambos do PL. Elee agendou para esta terça-feira (31) a renúncia ao cargo perante os 23 vereadores que compõem a Câmara Municipal da segunda maior cidade de Mato Grosso.

Flávia foi eleita contra todos os prognósticos e com um firme e duro discurso de mudança – que, na prática, ficou em 2024, pois, até hoje, de concreto pouco ou quase nada mudou. Ela e o vice só conviveram harmonicamente durante o período eleitoral.

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Após o resultado das urnas, o conflito se tornou visível e constante, tanto nas posições adotadas pela prefeita, como pela exagerada presença do vice-prefeito, que, segundo a lei, é uma expectativa de poder, nas questões e decisões da Administração Municipal.

Sem traquejo político, Flávia Moretti, desde os primeiros dias de gestão, abriu diversas frentes de conflitos: ora com seu vice-prefeito, ora com os vereadores, principalmente, o presidente da Câmara, Wanderley Cerqueira (MDB).

Como a eleição foi uma surpresa, ela chegou ao Executivo sem base no Legislativo. E uma série de decisões erradas e desconexas acirrou os ânimos e ganhou corpo.

Desde a composição do seu secretariado, que era tão frágil quanto a sua própria imagem de gestora, as crises foram se sucedendo. Com menos de dois anos de gestão, foram dezenas de trocas de secretários, dezenas de crises internas e, até mesmo externas; posturas radicais e pouco ou nenhum avanço nas necessidades da população, cuja maioria a consagrou nas urna, com uma vitória diante de uma quadro adversos e que surpreendeu a todos. Ainda mais por se tratar de Várzea Grande, principal reduto eleitoral da Família Campos.

Certo mesmo é que a prefeita ainda não tem a dimensão do que a saída de Tião da Zaelli vai provocar em sua gestão e em sua imagem política, pois é fato que a simbiose de ambos consolidou o processo de vitória nas urnas em outubro de 2024.

Tião da Zaelli tem sido contido em suas críticas, apesar de manifestar seu descontentamento publicamente.

Sua justificativa para a renúncia seria uma lacuna legal, já que é candidato único a presidir a Federação do Comércio de Mato Grosso (Fecomércio), uma das instituições mais fortes do Estado e que, gerencia e movimenta recursos públicos através do Sistema S.

Essa situação poderia levar o político a sofrer uma ação judicial, o que veio a calhar diante da crise política vivenciada com a prefeita.

A Fecomércio-MT é uma entidade sindical de grau superior, não estatal, que representa a classe empresarial do comércio de bens, serviços e turismo de Mato Grosso, tendo em sua base 16 sindicatos filiados. Fazem parte do sistema da Fecomércio-MT o Serviço Social do Comércio (Sesc-MT), o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac-MT) e o Instituto de Pesquisa e Análise (IPF-MT).

A federação orienta, coordena, protege, defende e representa legalmente as atividades e categorias econômicas do comércio mato-grossense. A entidade oferece serviços de assessoria sindical; jurídica; de comunicação e marketing; contábil; econômica e tributária aos sindicatos, que atendem empresas do comércio de bens, serviços e turismo das mais diversas cadeia.

Certo é que o “alívio” que a prefeita Flávia Moretti está recebendo por não contar mais com a participação de Tião da Zaelli, se não for assimilado pela população, pode se tornar uma grande dor de cabeça agora e no futuro. Principalmente, pelo fato de a renúncia colocar o presidente da Câmara Municipal, seja ele quem for, o primeiro na linha sucessória da atual prefeita.

Pelos corredores, o “núcleo duro” da gestão Flávia Moretti comemorou a notícia da renúncia de Tião da Zaelli, mesmo admitindo que as consequências deste fato são desconhecidas dos atuais ocupantes do Palácio Júlio Domingos de Campos (Fiote).

Coincidência ou não, de tempos em tempos, Várzea Grande vive crises políticas administrativas. A última delas foi no segundo mandato do então prefeito Murilo Domingos  (falecido), que tinha justamente Tião da Zaelli como seu vice. Domingos foi várias vezes afastado do cargo por decisões, até ser cassado pelos vereadores da época.

Tião da Zaelli exerceu o mandato, mas, alegando pressões políticas, também renunciou com pouco mais de 60 dias para concluir o mandato e após se derrotado nas urnas, mesmo disputando a reeleição no exercício do cargo.

Para se ter uma noção dos momentos vividos naqueles tempos, em apenas um dias, Várzea Grande, o segundo maior colégio eleitoral de Mato Grosso, foi governador por quatro prefeitos, que se sucederam por decisões judiciais e político-administrativas.

Resta saber como será daqui para frente a gestão da prefeita Flávia Moretti, que, recentement,e promoveu trocar de titulares nas principais secretárias e declarou que estava “reassumindo” suas obrigações perante a cidade e sua população.





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