Companheiros e ex-companheiros foram apontados como autores de 79,8% dos feminicídios registrados no país em 2025. Nas demais mortes violentas intencionais, essa proporção foi de apenas 7%. Armas brancas, categoria que inclui facas e objetos que perfuram e cortam, continuam como o principal instrumento usado nos crimes, presente em 50,8% dos casos.
Escalada da violência de gênero
Os dados do Anuário mostram uma escalada de diferentes formas de violência antes dos assassinatos. Para cada feminicídio registrado em 2025, houve 501,9 registros de ameaça, 182,2 ocorrências de agressão física, 84 descumprimentos de medidas protetivas de urgência, 78,8 casos de perseguição e 38,7 registros de violência psicológica. Também foram registradas 2,7 tentativas de feminicídio para cada morte consumada.
Números mostram que as mulheres estão chegando para registrar as denúncias, diz Brandão. “Elas estão conseguindo vencer essa barreira, estão sendo ouvidas. O poder público deveria olhar esses registros como pistas de um cenário de violência que está se agravando, ou seja, essas ocorrências deveriam ser acompanhadas com mais proximidade”, acredita.
Os números mostram que é possível interromper o ciclo da violência contra as mulheres. “Quando ela registra um boletim de ocorrência por ameaça, o caso está no começo e deveria ser acompanhado como uma janela de oportunidade para impedir que outros crimes ocorram”, ressalta a pesquisadora. “Elas não estão em estado de inércia, essa barreira de fazer a denúncia é a mais difícil de vencer, e o poder público tem desprezado esse grande esforço”.
Medidas protetivas
Em 2025, 18 estados informaram quantas vítimas de feminicídio tinham medida protetiva ativa no momento da morte, diz Anuário. Entre os estados que não informaram esse dado estão São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Bahia, que, segundo o Fórum, foram responsáveis por mais de 40% dos feminicídios registrados no país. “Nove estados, portanto, não sabem ou não informaram quantas mulheres foram mortas depois de o Estado ter se comprometido a protegê-las formalmente”, diz a pesquisa.





