O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira (foto), afirmou que o governo de Javier Milei precisa parar com os ataques a Lula para que a relação entre Brasil e Argentina volte à normalidade.
Em entrevista ao jornal argentino Clarín, publicada neste domingo, 9, o chanceler disse: “É necessário um gesto: o de parar as agressões”.
O chanceler também classificou como “algo assombroso” o discurso feito pelo presidente argentino durante a convenção do PL que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência e afirmou que episódios semelhantes ocorreram “várias vezes em menos de uma semana”.
Disse ainda esperar que os embaixadores dos dois países retornem aos postos quando o cenário for revertido.
Vieira também negou a acusação de Milei de que o governo brasileiro participaria de uma campanha internacional contra a Argentina.
Segundo o ministro, a alegação é “totalmente falsa”. Ele afirmou que a visita do ex-ministro argentino Sergio Massa ao Brasil ocorreu por assuntos de interesse comum entre as áreas econômicas dos dois países, sem relação com a eleição argentina.
Críticas a Lula
O chanceler também reagiu às declarações de integrantes do governo argentino que classificam Lula como “comunista”.
Vieira considerou a caracterização “surpreendente” e afirmou que o presidente brasileiro “jamais negou” nem tentou alterar o caráter capitalista da economia brasileira.
Apesar da crise, Vieira afirmou que a relação com a Argentina “é muito importante” e que o país vizinho continua sendo considerado um parceiro estratégico do Brasil, especialmente pela relevância comercial da relação bilateral.
A entrevista foi publicada um dia após Milei compartilhar uma publicação do deputado americano Carlos Gimenez, do Partido Republicano, que chamou Lula de “corrupto e criminoso”.
Gimenez também acusou o presidente brasileiro de apoiar “todas as ditaduras comunistas do nosso hemisfério”.
Tensão entre Brasil e Argentina
A participação de Milei na convenção do PL agravou a crise diplomática entre Brasil e Argentina.
No evento, o presidente argentino disse confiar no filho de Jair Bolsonaro para parar o “lixo socialista”.
Milei também acusou o governo Lula de financiar uma suposta “campanha anti-Argentina”.
Em entrevista à rádio Mitre, ele disse que o Brasil teria sido o principal financiador dessa campanha, que, de acordo com ele, também contaria com apoio do governo do México e do Partido Democrata dos Estados Unidos.
“Quem pôs mais dinheiro nesta campanha anti-Argentina… O governo do Brasil. Vinte e cinco por cento dos recursos saíram do governo do Brasil”, afirmou.
O ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira, recebeu o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi, para manifestar a insatisfação com as declarações do presidente argentino sobre Lula.
Em nota, o Itamaraty classificou o episódio como “sem precedentes”.
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