Início GERAL Principais candidatos largam sob pressão na disputa pelo Governo de Mato Grosso

Principais candidatos largam sob pressão na disputa pelo Governo de Mato Grosso


Caricatura de Wellington Fagundes, Otaviano Pivetta e Natascha Slhessarenko

Encerrado o período das convenções partidárias, Mato Grosso entra oficialmente na campanha eleitoral com um cenário incomum: os dois candidatos que lideram a polarização pela sucessão estadual iniciam a disputa tendo de administrar problemas políticos internos e externos antes mesmo de apresentar suas propostas ao eleitorado. Enquanto o senador Wellington Fagundes (PL) tenta conter uma crise provocada pela formação de sua chapa e pelas divergências dentro do próprio partido, o governador Otaviano Pivetta (Republicanos) começa a campanha convivendo com os efeitos políticos da Operação Heritage, da Polícia Federal, que atingiu diretamente seu principal aliado político, o ex-governador Mauro Mendes (União Brasil), candidato ao Senado, além de alcançar seu candidato a vice-governador, o deputado federal Fábio Garcia (União Brasil). Em situação oposta está a médica Natasha Slhessarenko (PSD), que conseguiu unificar praticamente todas as forças da esquerda e da centro-esquerda em torno de sua candidatura e inicia a campanha sem enfrentar crises públicas ou disputas internas.

INFO candidatos ao governo de MT

 

Além dos três principais concorrentes, também disputarão o Palácio Paiaguás Rafaell Milas de Oliveira (Missão), Sargento Laudicério (Agir) e Maurício Coelho de Souza Júnior (Mobiliza), todos representando partidos menores e buscando ampliar espaço no debate eleitoral.

Embora a campanha esteja apenas começando, a largada evidencia que a disputa deverá ser influenciada não apenas pelos programas de governo, mas também pela capacidade de cada candidato administrar as dificuldades políticas surgidas ainda durante a montagem das chapas.

PL começa dividido

A situação mais delicada, do ponto de vista partidário, é enfrentada por Wellington Fagundes.

O senador saiu das convenções sem conseguir pacificar o próprio partido. A troca do empresário Marcelo Maluf pelo médico Alencar Farina na vaga de candidato a vice-governador provocou forte desgaste interno e desencadeou críticas públicas de aliados. A mudança ocorreu às vésperas do encerramento do prazo para registro das chapas e foi interpretada por parte da base como uma condução equivocada das negociações políticas.

A crise, entretanto, vai muito além da escolha do vice.

Nos bastidores, importantes lideranças do PL nunca esconderam o desconforto com a aproximação entre Wellington e o MDB. A composição construída pelo senador abriu espaço para que a deputada estadual Janaina Riva disputasse uma das vagas ao Senado na mesma aliança, decisão que desagradou prefeitos das principais cidades governadas pelo PL e também o senador José Medeiros, candidato à reeleição. Para esse grupo, o ideal seria uma chapa exclusivamente vinculada ao campo bolsonarista.

A escolha de Alencar Farina agravou esse ambiente. O novo vice possui passagem pelo Partido dos Trabalhadores e chegou a disputar eleições pelo PT, histórico que reacendeu críticas da ala mais ideológica do PL. Embora Farina também tenha iniciado sua trajetória política no próprio Partido Liberal, adversários internos utilizaram seu passado para reforçar questionamentos sobre a identidade política da candidatura de Wellington.

A consequência imediata foi a exposição pública das divergências. O desafio do senador agora será reconstruir a unidade da legenda, evitar novas fissuras durante a campanha e convencer o eleitorado conservador de que continua representando o projeto político do partido em Mato Grosso.

Operação Heritage muda foco da campanha de Pivetta

Se Wellington enfrenta dificuldades internas, Otaviano Pivetta viu a agenda eleitoral ser completamente alterada pela Operação Heritage.

Embora o governador não figure entre os investigados, a ofensiva da Polícia Federal atingiu diretamente Mauro Mendes, principal cabo eleitoral da campanha republicana e candidato ao Senado, além do deputado federal Fábio Garcia, escolhido para compor a chapa como candidato a vice-governador.

Na prática, a investigação deslocou o debate eleitoral. Até então, a expectativa era de que a campanha começasse discutindo gestão pública, infraestrutura, saúde e desenvolvimento econômico. Com a operação, porém, o Caso Oi passou a dominar entrevistas, agendas públicas e redes sociais, obrigando aliados e adversários a concentrarem boa parte da comunicação na investigação conduzida pela Polícia Federal.

Enquanto adversários exploram o caso como principal tema político do momento, aliados de Mauro Mendes sustentam que o acordo investigado foi legal e acusam opositores de tentar utilizar a operação para interferir no processo eleitoral.

O episódio ainda provocou uma intensa disputa de narrativas. Lideranças como Pedro Taques e Janaina Riva passaram a reivindicar protagonismo nas denúncias que antecederam a investigação, enquanto aliados do ex-governador denunciaram perseguição política e questionaram o momento da deflagração da operação.

Assim, Pivetta inicia a campanha tendo de dividir espaço entre a apresentação de propostas e a defesa política de seu principal aliado, situação que tende a permanecer enquanto houver novos desdobramentos da investigação.

Natasha encontra ambiente mais favorável

Entre os candidatos com maior estrutura partidária, Natasha Slhessarenko é quem chega em condições políticas mais confortáveis.

A candidatura do PSD foi construída sem rupturas relevantes e conseguiu reunir partidos do campo progressista em torno de uma única chapa, tendo o advogado Diogo Botelho (PDT) como candidato a vice-governador. Durante o período das convenções, o grupo evitou disputas públicas e manteve discurso voltado à construção de uma alternativa aos dois principais blocos políticos do Estado.

Sem enfrentar crises internas ou desgastes decorrentes da formação da chapa, Natasha inicia a campanha concentrando seus esforços na apresentação de propostas e na tentativa de ocupar o espaço de eleitores insatisfeitos com a polarização entre Wellington e Pivetta.

Os demais candidatos

O pleito ainda contará com outras três candidaturas.

O partido Missão lançou Rafaell Milas de Oliveira; o Agir terá Sargento Laudicério como candidato; e o Mobiliza será representado por Maurício Coelho de Souza Júnior. Embora disponham de menor tempo de propaganda e estrutura política, os três nomes ampliam o número de opções disponíveis ao eleitor e poderão influenciar o debate em temas específicos durante a campanha.

Campanha começa marcada pelas crises

O quadro desenhado após as convenções revela uma inversão em relação ao esperado para o início da disputa.

Em vez de inaugurar a campanha discutindo planos de governo e projetos para Mato Grosso, os principais candidatos entram na corrida eleitoral respondendo a crises políticas. Wellington busca reconstruir a unidade do PL após uma sequência de desgastes provocados pela escolha do vice e pela aliança com o MDB. Pivetta tenta impedir que a Operação Heritage domine definitivamente sua campanha e comprometa o capital político construído ao lado de Mauro Mendes. Já Natasha, sem enfrentar turbulências internas, aposta em um ambiente de maior estabilidade para ampliar sua presença no debate estadual.

Com a campanha oficialmente iniciada, a capacidade de cada candidato administrar essas dificuldades poderá ser tão importante quanto a apresentação de propostas para conquistar o eleitorado mato-grossense.





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