Divulgação/PSD
Natasha Slhessarenko que ampliar seu espaço, numa disputa, até agora, mais concentrada entre Pivetta e Wellington
A candidata do PSD ao Governo de Mato Grosso, Natasha Slhessarenko,) saiu do primeiro debate da campanha com uma estratégia mais definida: aproveitar o confronto entre Otaviano Pivetta (Republicanos) e Wellington Fagundes (PL) para tentar se apresentar como alternativa aos dois.
Com isso, buscaria ampliar seu espaço, numa disputa, até agora, mais concentrada entre o governador e o senador.
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Durante o debate promovido pela Rádio Centro América, na terça-feira (18), Natasha procurou construir uma narrativa, segundo a qual Pivetta e Wellington representam grupos políticos que já tiveram tempo e influência suficientes sobre o Estado, enquanto ela seria uma opção de renovação.
A candidata atacou diretamente os dois adversários, mas também tentou explorar a própria rivalidade entre eles.
Em um dos momentos mais claros dessa estratégia, Natasha afirmou torcer pela derrota de ambos.
Ao questionar Pivetta, cobrou políticas para redução da desigualdade e disse que o atual grupo governista teria passado anos sem dar a devida atenção à população mais pobre.
Na sequência, também mirou Wellington e relacionou o resultado da eleição ao futuro político de seu primeiro suplente ao Senado.
A estratégia tem um objetivo declarado: ampliar sua exposição.
Depois do debate, Natasha afirmou que pretende utilizar os próximos encontros, sabatinas e as redes sociais para “furar a bolha” e alcançar eleitores que ainda não a enxergam como uma alternativa competitiva aos dois principais nomes da disputa.
TERCEIRA VIA – Ao longo do debate, Natasha procurou ocupar uma posição de crítica simultânea aos dois adversários.
A candidata não se limitou a cobrar Pivetta pelos resultados da atual gestão.
Também buscou associar Wellington a estruturas políticas que, na avaliação dela, não representariam uma mudança efetiva.
No terceiro bloco, ao tratar de desigualdade social, Natasha questionou Pivetta sobre o que pretende fazer para reduzir a pobreza, e atacou o histórico do grupo que esteve à frente do Governo nos últimos anos.
A discussão também foi utilizada para reforçar sua pauta de combate à corrupção.
Natasha afirmou que, se eleita, pretende exigir dos integrantes do primeiro escalão a apresentação periódica de informações patrimoniais e tributárias e terminou uma das intervenções com a frase: “Eu não vou roubar e não vou deixar que roubem”.
Essa linha permite à candidata tentar transformar o confronto entre Pivetta e Wellington em argumento favorável à própria campanha: quanto mais os dois trocam acusações, maior o espaço para Natasha defender que a eleição precisa escapar dessa polarização.
HERITAGE ENTRA NA ESTRATÉGIA – A Operação Heritage, da Polícia Federal, também apareceu como instrumento dessa construção política.
Durante o debate, Natasha citou Mauro Carvalho, ex-chefe da Casa Civil e primeiro suplente de Wellington no Senado, ao atacar o senador.
Ao mesmo tempo, cobrou Pivetta para que não volte a nomeá-lo no Governo, caso seja reeleito.
Com isso, a candidata tentou atingir os dois lados, usando o mesmo episódio.
No caso de Pivetta, a crítica busca aproximá-lo das consequências políticas da operação que alcançou integrantes do grupo governista.
No caso de Wellington, Natasha explora a presença de Mauro Carvalho em sua chapa ao Senado, para argumentar que a oposição também mantém vínculos com personagens ligados ao mesmo ambiente político.
A tática reforça a tentativa de colocar Pivetta e Wellington sob um único enquadramento: duas candidaturas que, embora adversárias, estariam conectadas a grupos que já exercem influência sobre a política estadual.
SAÚDE COMO DIFERENCIAL – Natasha também procurou evitar que sua campanha fique restrita ao discurso de combate à corrupção.
No debate, utilizou a saúde como um dos principais terrenos para marcar diferença em relação aos adversários.
Questionada por Wellington sobre a descentralização dos serviços, defendeu concurso público para recompor o quadro de servidores e ampliação do atendimento especializado no interior.
A candidata tenta, assim, combinar dois movimentos: atacar os grupos políticos tradicionais e, ao mesmo tempo, apresentar propostas em áreas nas quais pretende construir identidade própria.
Saúde, políticas sociais e combate à corrupção aparecem como os três eixos mais recorrentes dessa estratégia.
ROMPER A POLARIZAÇÃO – O desafio para Natasha é transformar exposição em intenção de voto.
A própria candidata reconhece que precisa ampliar seu alcance e declarou que pretende usar debates, sabatinas e mídia digital para chegar a eleitores que ainda não acompanham sua campanha.
O primeiro debate mostrou que sua estratégia não será tentar disputar apenas um dos campos.
Natasha tende a atacar Pivetta pelo vínculo com a atual administração e Wellington pela longa trajetória política e pelas alianças construídas ao longo dos anos.
Ao mesmo tempo, procurará sustentar que a disputa entre os dois produz um espaço para uma terceira candidatura.
A dificuldade estará em fazer essa mensagem ultrapassar o discurso de “nem um, nem outro”.
Para crescer, Natasha precisará mostrar que a crítica simultânea aos dois principais adversários vem acompanhada de um projeto de governo suficientemente claro para convencer o eleitor a trocar a polarização por uma terceira opção.
O primeiro debate, porém, indicou qual será o caminho escolhido: quanto mais Pivetta e Wellington se enfrentarem, mais Natasha tentará transformar o desgaste dos dois em combustível para a própria candidatura.





