A corrida pelas duas vagas de Mato Grosso no Senado começou com uma diferença de milhões de reais entre as campanhas. Os primeiros registros de receitas no DivulgaCand mostram Margareth Buzetti (PP) com o maior caixa declarado, enquanto candidatos que aparecem à frente dela nas pesquisas eleitorais iniciaram a disputa com valores menores ou ainda sem prestação de contas registrada no levantamento.
Buzetti recebeu R$ 2,9 milhões da direção nacional do Progressistas. Somados a R$ 202 mil que já havia arrecadado em doações, o caixa chegava a aproximadamente R$ 3,1 milhões. O montante corresponde a cerca de 82% do teto de R$ 3,8 milhões estabelecido para uma candidatura ao Senado.
A vantagem financeira, entretanto, não significa liderança eleitoral. Os levantamentos mais recentes colocam Mauro Mendes (União Brasil) e Janaína Riva (MDB) nas primeiras posições da disputa pelas duas cadeiras.
A comparação entre dinheiro e intenção de voto revela, portanto, duas corridas que ainda não caminham na mesma ordem: uma pelo eleitor e outra pela capacidade financeira de fazer campanha.
Mauro recebe R$ 1 milhão
A fotografia das contas mudou ao longo desta quinta-feira (27). Pela manhã, Mauro aparecia com apenas R$ 25 mil transferidos pelo diretório estadual do União Brasil. Posteriormente, o diretório nacional registrou um novo repasse de R$ 1 milhão para a campanha do ex-governador.
Com isso, Mauro passou a declarar R$ 1,055 milhão em receitas. Além do R$ 1 milhão nacional e dos R$ 25 mil do diretório estadual, recebeu R$ 30 mil do advogado Pascoal Santullo Neto. Até a atualização consultada, ainda não havia declarado despesas de campanha.
Mesmo com a nova transferência, Mauro possui aproximadamente um terço do caixa declarado por Buzetti.
A situação chama atenção porque os dois integram o mesmo campo político e União Brasil e PP estão federados nesta eleição. Enquanto Buzetti já recebeu quase R$ 3 milhões da direção nacional de sua legenda, Mauro recebeu R$ 1 milhão do União Brasil.
Medeiros tem R$ 1,1 milhão
José Medeiros (PL) também começou a campanha com aporte milionário do partido.
A direção nacional do PL transferiu R$ 1 milhão ao candidato. Outros R$ 100 mil vieram de Odílio Balbinotti, primeiro suplente de Medeiros. Assim, a candidatura soma aproximadamente R$ 1,1 milhão em receitas.
O dinheiro partidário recebido por Medeiros equivale sozinho a cerca de 26% do teto eleitoral. Considerando também a doação de Balbinotti, o caixa corresponde a aproximadamente 29% do limite permitido.
A diferença para Buzetti é de cerca de R$ 2 milhões.
Galvan depende de doações privadas
Antônio Galvan aparece em situação diferente dos candidatos que já receberam grandes transferências partidárias.
O candidato declarou aproximadamente R$ 324 mil, com forte participação de doadores ligados ao agronegócio. Três irmãos — Felipe, Fernando e Rafael Bilibio — destinaram R$ 100 mil cada à candidatura.
Galvan, portanto, tinha naquele momento caixa superior ao inicialmente registrado por alguns candidatos de partidos maiores, mas sem aporte milionário de uma direção nacional.
Fávaro começa com R$ 22 mil
Carlos Fávaro (PSD), que deixou o Ministério da Agricultura para disputar a reeleição, aparecia com apenas R$ 22 mil arrecadados.
O maior aporte, de R$ 20 mil, foi feito por Djalma Silvestre Fernandes. Outros dois doadores contribuíram com R$ 1 mil cada. Até o levantamento, não havia registro de transferência da direção nacional do PSD para a candidatura.
O valor representa menos de 1% do teto permitido para a campanha ao Senado.
Janaína ainda sem caixa declarado
Janaína Riva, uma das candidatas mais bem posicionadas nas pesquisas, estava entre os nomes que ainda não haviam iniciado a prestação de contas de receitas ou despesas no levantamento consultado.
Na mesma situação apareciam Pedro Taques (PSB), Coronel Darwin (Democrata), Professor Nelson Ferreira e Beny Godoy, ambos do Agir.
Isso não significa que essas campanhas permanecerão sem recursos. As executivas nacionais começaram recentemente a distribuir o dinheiro e novos aportes podem alterar rapidamente o ranking financeiro.
Dinheiro e pesquisa seguem ordens diferentes
O contraste fica mais evidente quando o caixa é colocado ao lado das pesquisas.
Mauro Mendes lidera os levantamentos recentes para o Senado. Janaína Riva aparece na disputa direta pela segunda vaga, enquanto Medeiros, Pedro Taques e Fávaro formam o grupo seguinte em diferentes pesquisas.
Buzetti, entretanto, é quem possui até agora a maior capacidade financeira declarada para ocupar espaço na campanha.
A diferença cria uma variável importante para as próximas semanas. Com R$ 3,1 milhões disponíveis e pouco espaço até atingir o teto, a candidata do PP tem condições de ampliar rapidamente propaganda, estrutura e presença eleitoral.
Mauro e Medeiros também já ultrapassaram a marca de R$ 1 milhão, enquanto outros concorrentes aguardam os aportes de seus partidos.
Os números são uma fotografia inicial e deverão mudar com novas transferências. Mas já mostram que, antes mesmo da fase mais intensa da propaganda eleitoral, os partidos começaram a estabelecer diferenças relevantes na capacidade de campanha de seus candidatos.





