A primeira reunião de líderes da Câmara dos Deputados em 2026, realizada nesta quarta-feira 28 sob a condução do presidente Hugo Motta (Republicanos-PB), serviu para organizar a retomada dos trabalhos e alinhar as prioridades para as próximas semanas.

Com o retorno oficial das atividades marcado para a próxima segunda-feira 2, os líderes pactuaram uma agenda focada em matérias consideradas urgentes ou consensuais, além de decisões administrativas para garantir o funcionamento das comissões.

Três temas concentraram as discussões: a Medida Provisória do Gás do Povo, o acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia e a PEC da Segurança Pública.

A MP do Gás do Povo foi definida como prioridade imediata e deve abrir a pauta de votações na primeira semana. Editada no ano passado, a medida cria uma nova modalidade do programa de subsídio ao botijão de gás de 13 quilos para famílias de baixa renda e precisa ser aprovada até 11 de fevereiro para não perder a validade. A avaliação entre líderes é que a proposta reúne apoio suficiente para avançar sem grandes resistências.

Outro ponto destacado foi o acordo entre Mercosul e União Europeia, assinado em janeiro após décadas de negociação. Motta reiterou aos líderes que dará celeridade à tramitação assim que o texto for formalmente enviado pelo Executivo. O entendimento é que a proposta passe inicialmente pela Comissão do Mercosul e, na sequência, chegue ao plenário. Apesar do interesse da Câmara em votar ainda em fevereiro, líderes reconheceram que o ritmo depende do envio da mensagem presidencial e do contexto europeu, já que o tratado passa por revisão jurídica no Parlamento Europeu.

A PEC da Segurança Pública, por sua vez, foi confirmada como prioridade do início do ano legislativo, mas a tramitação se concentrará no pós-Carnaval. O relator, Mendonça Filho (União-PE), informou que o substitutivo apresentado em dezembro será debatido com as bancadas nas primeiras semanas de fevereiro, antes de ser apreciado pela comissão especial. A expectativa entre os líderes é que a votação na comissão ocorra na última semana de fevereiro, seguida da análise em plenário. O relator também já iniciou diálogo com o novo ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, para possíveis ajustes no texto.

A reunião desta quarta-feira definiu ainda que o PL Antifacção ficará em segundo plano neste momento. A avaliação predominante é que o debate da PEC da Segurança deve ocorrer antes da análise do projeto, para evitar a sobreposição de discussões.

Os líderes também decidiram manter a atual divisão do comando das comissões permanentes, repetindo o arranjo do ano passado como forma de evitar disputas e de acelerar os trabalhos em um ano encurtado pelas eleições. Com isso, os partidos permanecem à frente dos colegiados e apenas indicarão novos presidentes, já que a recondução não é permitida. A Comissão de Constituição e Justiça continuará sob o comando do União Brasil, enquanto a Comissão Mista de Orçamento ficará com o PSD.

Também se confirmou a instalação e a eleição das comissões já na próxima semana, uma etapa considerada essencial para viabilizar votações, relatórios e indicação de emendas parlamentares antes do período eleitoral.

Outros temas chegaram a ser mencionados, mas sem encaminhamentos concretos. A instalação da CPI do Caso Master, apesar de contar com assinaturas suficientes, não avançou, sob o argumento de que há uma fila de outros pedidos e de que o regimento precisa ser respeitado. Já o veto do presidente Lula (PT) ao PL da Dosimetria não teve espaço na discussão.



FONTE

Google search engine

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui