Início GERAL Assembleia fiscalizou acordo da Oi, mas CPI não saiu do papel

Assembleia fiscalizou acordo da Oi, mas CPI não saiu do papel


Sede da Assembleia Legislativa de Mato Grosso: expectativa de uma CPI da Oi ainda existe

A Assembleia Legislativa de Mato Grosso não ficou completamente parada diante dos questionamentos sobre o acordo de R$ 308 milhões, firmado pelo Estado com a telefônica Oi S/A.

Mas, também não chegou a instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), antes de a Polícia Federal deflagrar a Operação Heritage.

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Um levantamento das iniciativas adotadas pelo Legislativo mostra que, ao longo de 2026, deputados apresentaram requerimentos, convocaram integrantes da Procuradoria-Geral do Estado (PGE) e ouviram o então secretário de Fazenda, Rogério Gallo.

A tentativa de criar uma CPI também começou meses antes da operação da PF, mas não reuniu apoio suficiente para sair do papel.

A cronologia ajuda a colocar em perspectiva o embate surgido depois da Heritage.

De um lado, o governador Otaviano Pivetta (Republicanos) sustenta que uma CPI aberta agora teria caráter eleitoral e argumenta que os deputados tiveram tempo para fiscalizar o episódio.

De outro, parlamentares, como Valdir Barranco (PT), afirmam que a Assembleia não foi suficientemente longe na investigação.

Os documentos e registros disponíveis mostram uma situação intermediária: houve fiscalização parlamentar, mas sem os poderes próprios de uma CPI e sem uma conclusão pública definitiva sobre as controvérsias levantadas em torno do acordo.

ARTICULAÇÃO EM FEVEREIRO – A tentativa de criar uma CPI antecede a Operação Heritage.

Em fevereiro deste ano, já circulava entre os deputados um requerimento destinado a investigar possíveis irregularidades no acordo.

Lúdio Cabral (PT) confirmou, naquele momento, que havia assinado o documento.

Também naquele mês, a Assembleia realizou uma rodada de esclarecimentos com integrantes da PGE.

Procuradores defenderam a legalidade do procedimento e sustentaram que o acordo não provocou prejuízo ao Estado.

A fiscalização avançou para novas oitivas.

Em março, o procurador-geral do Estado, Francisco Lopes, compareceu à Assembleia para responder aos deputados.

Durante a análise dos documentos, Janaina Riva (MDB) apontou a existência de certidões indicando desentranhamento de folhas do processo administrativo.

A retirada dos documentos tornou-se um dos pontos questionados pelos parlamentares.

GALLO TAMBÉM FOI OUVIDO – Em abril, foi a vez do então secretário de Fazenda, Rogério Gallo, prestar esclarecimentos.

Após a oitiva, o deputado Wilson Santos (PSD) afirmou que as respostas justificavam aprofundar a apuração e novas convocações foram propostas.

Em maio, por exemplo, uma nova rodada foi marcada para ouvir procuradores da PGE, por meio do Requerimento nº 273/2026, apresentado por Wilson.

A sequência chegou a julho. Outro requerimento, o 405/2026, previa esclarecimentos do procurador Hugo Fellipe Martins de Lima sobre aspectos jurídicos e financeiros do acordo.

Segundo publicação da época, ele deixou de comparecer a uma reunião em 6 de julho, apresentando justificativa de licença-prêmio.

Portanto, quando a Polícia Federal deflagrou a Heritage, em 6 de agosto, o assunto já havia produzido meses de movimentação dentro da Assembleia.

O LIMITE DA FISCALIZAÇÃO – A questão é até onde essa atuação chegou.

As oitivas permitiram aos deputados questionar agentes públicos, obter documentos e confrontar versões.

Não equivalem, entretanto, à instalação de uma CPI.

Uma comissão parlamentar de inquérito dispõe de instrumentos específicos para investigação que uma reunião ordinária ou convocação isolada não possui.

E foi justamente a CPI que não avançou.

Depois da Heritage, o requerimento voltou a ganhar força e chegou a sete assinaturas, uma abaixo das oito necessárias para atingir o quórum exigido para leitura em plenário.

Barranco passou então a cobrar publicamente a adesão de outros deputados, argumentando que a Assembleia deveria aprofundar a investigação.

O QUE AINDA PRECISA SER RESPONDIDO – O levantamento permite responder parcialmente à pergunta que ganhou força depois da operação da PF: a Assembleia fiscalizou o acordo antes da Heritage? Sim.

Mas uma segunda pergunta permanece: a fiscalização realizada foi suficiente para esclarecer as suspeitas?

Essa resposta exige ir além da quantidade de reuniões.

É preciso saber quais documentos foram formalmente requisitados e entregues, quais pedidos ficaram sem resposta, que conclusões foram produzidas após as oitivas, se houve encaminhamento aos órgãos de controle e por que a CPI articulada desde fevereiro nunca reuniu as assinaturas necessárias.

Também é necessário identificar nominalmente quem assinou e quem deixou de assinar o requerimento em cada momento, além de verificar se houve retirada de apoios.

A Operação Heritage mudou o peso político dessas perguntas.

O que antes era uma discussão concentrada dentro da Assembleia tornou-se parte de uma investigação policial autorizada pelo Supremo Tribunal Federal.

Isso não significa que os questionamentos levantados pelos parlamentares tenham sido confirmados, nem que os investigados tenham cometido irregularidades. A investigação está em andamento e as defesas contestam as suspeitas.

Para a Assembleia, entretanto, ficou uma questão institucional que independe da disputa eleitoral: o Legislativo utilizou todos os instrumentos de fiscalização disponíveis quando teve conhecimento das controvérsias envolvendo R$ 308 milhões dos cofres públicos?

O QUE A ASSEMBLEIA FEZ

FEVEREIRO
→ Começa articulação para criação da CPI da Oi
→ Lúdio Cabral confirma assinatura
→ Procuradores da PGE prestam esclarecimentos

MARÇO
→ Procurador-geral Francisco Lopes é ouvido
→ Deputados questionam documentos do processo administrativo
→ Desentranhamento de folhas entra no debate

ABRIL
→ Rogério Gallo presta esclarecimentos
→ Parlamentares defendem novas oitivas

MAIO
→ Requerimento nº 273/2026 convoca novos procuradores

JULHO
→ Requerimento nº 405/2026 prevê novos esclarecimentos
→ Uma das oitivas não se realiza com a presença do convocado

6 DE AGOSTO
→ Polícia Federal deflagra a Operação Heritage

APÓS A HERITAGE
→ CPI volta ao centro da discussão
→ Requerimento chega a 7 assinaturas
→ São necessárias 8 





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