As declarações de bens apresentadas à Justiça Eleitoral mostram que 22 dos 24 deputados estaduais de Mato Grosso registraram patrimônio nominal maior em 2026 do que na eleição de 2022. As variações chegam a 560% em quatro anos, enquanto apenas dois parlamentares apresentam redução no período.
O maior crescimento proporcional é de Lúdio Cabral (PT). O deputado declarou R$ 244,7 mil em bens em 2022 e cerca de R$ 1,6 milhão neste ano, uma diferença nominal de aproximadamente 560%.
Na sequência aparecem Paulo Araújo (Republicanos), com crescimento de 279%, e Diego Guimarães (Republicanos), com 206%. Paulo declarou patrimônio de aproximadamente R$ 4 milhões à Justiça Eleitoral neste ano.
Os números colocam 91,7% da atual composição da Assembleia no grupo de parlamentares cujos bens declarados aumentaram nominalmente entre as duas eleições.
O dado, entretanto, não significa que esses deputados tenham obtido durante o mandato renda equivalente à diferença registrada.
A declaração eleitoral é uma fotografia dos bens informados pelo próprio candidato à Justiça Eleitoral. Nela podem aparecer imóveis, propriedades rurais, veículos, empresas, aplicações financeiras, depósitos e outros ativos. Aquisições, vendas, investimentos, valorização de ativos, atividade empresarial e mudanças na própria forma de declaração podem alterar o total entre uma eleição e outra.
Por isso, aumento de patrimônio declarado não deve ser tratado automaticamente como “enriquecimento durante o mandato”.
AVALLONE LIDERA EM VALOR – O ranking também muda quando, em vez da variação percentual, são considerados os valores absolutos declarados em 2026.
Carlos Avallone (PSDB) possui o maior patrimônio entre os integrantes da Assembleia, com aproximadamente R$ 33 milhões. A declaração reúne imóveis, terras, embarcação, animais e aplicações financeiras.
Júlio Campos (União Brasil) aparece em seguida, com R$ 31,5 milhões, enquanto Dilmar Dal Bosco (União Brasil) declara cerca de R$ 26 milhões.
Os três maiores patrimônios, portanto, não coincidem com os três maiores crescimentos percentuais.
Isso ocorre porque a variação percentual depende também do ponto de partida. Lúdio, por exemplo, chega ao maior índice justamente porque sua declaração de 2022 era de R$ 244,7 mil. Um acréscimo de pouco mais de R$ 1,3 milhão produz, nesse caso, uma variação superior a 500%.
Já um parlamentar que possuía dezenas de milhões de reais pode acrescentar valores maiores em termos absolutos e, ainda assim, apresentar crescimento proporcional muito menor.
DOIS REGISTRAM QUEDA – Apenas dois integrantes da Assembleia aparecem no sentido contrário ao movimento predominante.
Wilson Santos (PSD) declarou R$ 450,6 mil em 2022 e R$ 262,1 mil neste ano. A redução nominal é de aproximadamente 42%.
Nininho (Republicanos) também apresentou diminuição. O patrimônio declarado caiu cerca de 13%, redução correspondente a quase R$ 1 milhão, embora o parlamentar continue entre os deputados com patrimônio milionário.
Entre os atuais integrantes da Assembleia, Janaína Riva (MDB) não busca novo mandato de deputada estadual neste ano, porque disputa uma das duas vagas de Mato Grosso no Senado.
Existe ainda uma diferença entre crescimento nominal e crescimento real do patrimônio.
Os valores declarados em 2022 correspondem aos preços e valores informados naquele momento. Ao compará-los diretamente com 2026, não se desconta a inflação acumulada durante os quatro anos.
Isso significa que um parlamentar pode apresentar crescimento nominal de seus bens sem que toda essa diferença corresponda a aumento real do patrimônio.
Para medir essa evolução com precisão, seria necessário atualizar cada declaração de 2022 pelo IPCA e só então compará-la com o total informado em 2026.
O levantamento disponível nesta terça-feira não apresenta essa correção para os 24 parlamentares. Por isso, o DIÁRIO considera os percentuais como variações nominais dos valores declarados, sem atribuir automaticamente a diferença a ganho patrimonial decorrente do exercício do mandato.
As informações patrimoniais fazem parte das exigências para o registro das candidaturas e ficam disponíveis para consulta pública na Justiça Eleitoral.
A comparação entre eleições permite acompanhar como mudou a composição patrimonial dos candidatos, mas não substitui uma análise sobre a origem dos recursos.
No caso dos maiores aumentos, o próximo nível de análise é justamente identificar quais bens entraram nas declarações entre 2022 e 2026.
O levantamento inicial mostra, por exemplo, que Lúdio declarou neste ano apartamento, depósitos bancários, aplicações e investimentos. Paulo Araújo possui terrenos entre os bens apresentados à Justiça Eleitoral.
A diferença é relevante: o número mostra quanto mudou a declaração. A composição patrimonial ajuda a explicar por que ela mudou.





