Influenciadores do bolsonarismo surfaram nesta semana nas redes sociais a onda que a Casa Branca de Donald Trump gerou ao ressuscitar Anthony Fauci (foto) e a pandemia de Covid-19.
A publicação dos diários do epidemiologista responsável pela condução da pandemia nos Estados Unidos pelo senador Rand Paul, feita às vésperas de depoimento de Fauci ao Congresso, revelou uma figura egocêntrica e embriagada pela fama durante o primeiro governo Trump.
Fauci ficou calado durante todo o depoimento, não respondeu a nenhuma pergunta, por orientação de seus advogados, e isso também foi interpretado como uma prova de culpa.
As dúvidas ocultas e as certezas públicas do antigo chefe do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (NIAID) dos Estados Unidos voltaram a agitar os incômodos daqueles que duvidavam das medidas de enfrentamento adotadas pelos governos durante a crise de saúde.
Logo agora?
Por mais que haja o que criticar e remoer desse período, a eleição deste ano não parece o melhor momento para os bolsonaristas tentarem provar que estavam certos em suas desconfianças.
Publicada em abril, uma pesquisa da AtlasIntel intitulada “Raízes da Rejeição“ indicou que o comportamento de Bolsonaro na pandemia é mais relevante para repelir o eleitorado do que a faceta autoritária do ex-presidente, usada por Lula para vencer a campanha presidencial de 2022.
Os trumpistas têm motivo para ressuscitar as polêmicas da pandemia, porque o presidente americano se meteu numa enrascada com a guerra no Irã e pode se beneficiar de uma mudança de assunto.
Mas os apoiadores de Bolsonaro só têm a perder ao remoer seus incômodos com a forma como as autoridades brasileiras — e do mundo tudo, porque tudo agora é internacional —trataram a crise de saúde, que obviamente deixou sequelas políticas, para além das perdas de vidas e empregos.
Bolsonaro perdeu a batalha narrativa da pandemia, e não é agora que vai ganhar, ainda mais quando seu filho Flávio, que começou a caminhada presidencial dizendo que tomou vacina, ao contrário do pai, precisa lidar com uma série de outras crises para voltar a se mostrar competitivo contra Lula.
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