Reprodução
O dinheiro está concentrado principalmente na produção dos programas eleitorais, comunicação e publicidade, além de serviços jurídicos e contábeis
A campanha eleitoral pelo Governo de Mato Grosso já movimenta R$ 8,75 milhões em despesas contratadas pelos três principais candidatos, mas o ritmo de utilização do dinheiro é bastante diferente entre eles.
Wellington Fagundes (PL) contratou R$ 4,3 milhões, Doutora Natasha (PSD), R$ 3,21 milhões, e Otaviano Pivetta (Republicanos), R$ 1,24 milhão.
Leia também:
Wellington lidera a arrecadação. PL responde por 92% dos recursos
TRE barra retirada de reportagens e delimita responsabilidade de jornais
O levantamento do DIÁRIO, feito a partir dos dados declarados à Justiça Eleitoral, mostra que o dinheiro está concentrado principalmente na produção dos programas eleitorais, comunicação e publicidade, além de serviços jurídicos e contábeis.
Os R$ 8,75 milhões, porém, não significam que todo esse dinheiro já saiu das contas das campanhas: são despesas contratadas, parte delas ainda pendente de pagamento.
Até o último corte disponível, Wellington havia efetivamente pago aproximadamente R$ 3 milhões; Natasha, R$ 1,3 milhão; e Pivetta, R$ 539 mil.
Assim, dos R$ 8,75 milhões contratados, cerca de R$ 4,84 milhões, pouco mais da metade, já haviam sido desembolsados.
A diferença entre contratar e pagar é importante porque vários dos contratos abrangem serviços que serão prestados ao longo da campanha.
Portanto, o valor contratado representa uma obrigação assumida pela candidatura, e não necessariamente dinheiro já recebido integralmente pelo fornecedor.
WELLINGTON JÁ COMPROMETE 60% DO TETO – Wellington apresenta a campanha mais cara, até agora.
Os R$ 4.305.700,84 contratados representam 60,5% do teto de R$ 7.115.522,46 permitido para uma candidatura ao Governo no primeiro turno.
A distribuição mostra peso elevado das estruturas profissionais da campanha.
Somente os serviços advocatícios somam R$ 1,1 milhão.
Produção de programas de rádio, televisão e vídeo representa outros R$ 880 mil, enquanto os serviços contábeis chegam a R$ 750 mil.
Publicidade por adesivos aparece com R$ 461,4 mil; materiais impressos, R$ 459,9 mil; e impulsionamento de conteúdo, R$ 288 mil.
Os três primeiros grupos — advocacia, audiovisual e contabilidade — representam aproximadamente R$ 2,73 milhões, mais de 60% de tudo o que Wellington já contratou.
O maior fornecedor individual é a D’Moura & Ianhes Sociedade de Advogados, com contrato de R$ 700 mil.
Em seguida aparecem a Pantanal Filmes Áudio e Imagem, com R$ 600 mil; a Flexo Mídia Personalizados, R$ 498,1 mil; a Politiconta Assessoria Contábil, R$ 400 mil; e a Confistec Assessoria Contábil, R$ 350 mil.
A campanha havia pago 69,7% do total contratado, ou aproximadamente R$ 3 milhões.
NATASHA CONCENTRA EM COMUNICAÇÃO – A candidata do PSD, Natasha aparece em segundo lugar, com aproximadamente R$ 3,21 milhões em contratos.
Ela comprometeu cerca de 45% do limite permitido para o primeiro turno.
No caso dela, a concentração está principalmente em produção audiovisual, pesquisas e comunicação.
A QAQ Produções de Filmes e Vídeos aparece como maior fornecedora, com R$ 950 mil.
A Aster Pesquisa e Consultoria tem R$ 510 mil contratados, enquanto a Pirajá Comunicação e Marketing Digital soma R$ 465 mil.
Somente essas três empresas concentram R$ 1,925 milhão, aproximadamente 60% de todas as despesas contratadas pela candidatura.
Em agrupamento mais amplo, produção de vídeos, pesquisas, comunicação, locação e material gráfico chegam a cerca de R$ 2,6 milhões.
Contabilidade responde por outros R$ 225 mil, impulsionamento nas redes sociais por R$ 225 mil e serviços jurídicos por aproximadamente R$ 140 mil.
Apesar dos R$ 3,2 milhões contratados, cerca de R$ 1,3 milhão havia sido efetivamente pago no corte consultado.
PIVETTA GASTA MENOS E CONCENTRA EM VÍDEO – Pivetta apresenta, até agora, uma estratégia financeira diferente.
Mesmo tendo arrecadado perto de R$ 5 milhões, declarou somente R$ 1,238 milhão em despesas, cerca de 17% do teto permitido.
A diferença para Wellington é superior a R$ 3 milhões.
Mas, a campanha do governador apresenta a maior concentração em um único tipo de serviço: R$ 700 mil foram destinados à produção de programas de rádio, televisão e vídeo, equivalentes a 57% de toda a despesa declarada.
A Plano B Produtora de Filmes concentra os R$ 700 mil.
A Renca Comunicação aparece em segundo lugar, com R$ 350 mil, e os gastos de impulsionamento digital chegam a R$ 100 mil.
No recorte de pagamentos efetivamente realizados, entretanto, Pivetta havia desembolsado aproximadamente R$ 539 mil.
QUANTO CUSTA CADA PONTO NA PESQUISA – O cruzamento das despesas com a pesquisa AtlasIntel, divulgada na sexta-feira (11), permite outra fotografia da campanha.
O cálculo não mede literalmente o “preço de um voto”, nem permite afirmar que o gasto produziu determinada intenção de voto.
Ele mostra apenas quanto cada campanha já contratou em despesas para cada ponto percentual que o candidato registra atualmente na pesquisa.
Wellington aparece com 34,4%, Pivetta com 30,8% e Natasha com 23,2%.
A AtlasIntel ouviu 1.209 eleitores entre 4 e 9 de setembro, com margem de erro de três pontos percentuais, nível de confiança de 95% e registro MT-02766/2026 no TSE.
Ao dividir os gastos contratados pela intenção de voto, o resultado é:
Natasha: aproximadamente R$ 138 mil por ponto percentual;
Wellington: cerca de R$ 125 mil por ponto;
Pivetta: aproximadamente R$ 40 mil por ponto.
A comparação coloca Pivetta muito abaixo dos dois adversários em gasto contratado por ponto de intenção de voto.
Natasha, apesar de ter a terceira maior despesa absoluta, apresenta atualmente o maior valor nessa relação.
O indicador precisa ser interpretado com cautela.
Pivetta disputa a reeleição e já ocupava o Governo antes do início formal da campanha; Wellington exerce mandato de senador e Natasha também chega à eleição com exposição pública anterior.
Além disso, pesquisas são fotografias de determinado momento, enquanto parte dos contratos eleitorais financiará atividades que ainda serão executadas.
R$ 2,25 MILHÕES EM TRÊS PRODUTORAS – Há um elemento comum às três campanhas: a televisão e o vídeo continuam consumindo uma parcela expressiva dos recursos, apesar do avanço das redes sociais.
A Pantanal Filmes tem contrato de R$ 600 mil com Wellington. QAQ Produções soma R$ 950 mil com Natasha. Plano B tem R$ 700 mil com Pivetta.
Somadas, somente essas três contratações chegam a R$ 2,25 milhões, equivalentes a aproximadamente um quarto de todos os R$ 8,75 milhões contratados pelos três candidatos.
A publicidade digital também aparece nas três prestações.
Wellington registra centenas de milhares de reais em impulsionamento; Natasha, R$ 225 mil; e Pivetta, R$ 100 mil.
Ou seja, mesmo numa eleição em que as redes sociais ganharam centralidade, a produção profissional de conteúdo audiovisual permanece entre os principais destinos do dinheiro eleitoral.
CONTRATOS JURÍDICOS E CONTÁBEIS PESAM – Outro dado chama atenção.
Na campanha de Wellington, advocacia e contabilidade somam aproximadamente R$ 1,85 milhão — mais de 40% das despesas contratadas.
O maior contrato individual de toda a campanha do candidato, de R$ 700 mil, é justamente com a D’Moura & Ianhes Sociedade de Advogados.
Um dos sócios do escritório, Gilmar D’Moura Souza, é irmão do presidente estadual do PL, Ananias Filho.
A relação familiar, por si só, não caracteriza irregularidade.
O contrato foi declarado à Justiça Eleitoral e integra a prestação de contas da candidatura.
O dado, entretanto, ajuda a mostrar quem concentra os maiores contratos da campanha.
Natasha também registra despesas jurídicas e contábeis, embora proporcionalmente menores. Pivetta, no recorte disponível, concentra a maior parte das despesas em comunicação.
CAMPANHAS AINDA PODEM FICAR MAIS CARAS – A fotografia é provisória.
O primeiro turno será realizado em 4 de outubro e as campanhas continuam contratando serviços e realizando pagamentos.
Cada candidato ao Governo pode gastar R$ 7.115.522,46 no primeiro turno. Se houver segundo turno, haverá limite adicional de R$ 3.557.761,23.
Wellington é quem está mais próximo do teto: já comprometeu cerca de 60,5%. Natasha está em torno de 45% e Pivetta, em 17%.
Os outros três candidatos apresentam movimentação financeira muito menor.
Rafaell Milas (Missão) havia registrado apenas R$ 37,82 em taxas e encargos no levantamento de 9 de setembro, enquanto Sargento Laudicério (Agir) e Maurício Coelho (Mobiliza) ainda não apresentavam despesas detalhadas naquele recorte.
A diferença mostra que a eleição para o Governo já ocorre em dois patamares financeiros muito distintos.
De um lado, três candidaturas que, juntas, assumiram compromissos superiores a R$ 8,7 milhões.
Do outro, concorrentes que ainda praticamente não aparecem na movimentação de despesas.
E, entre os três primeiros, a comparação também é desigual: Wellington já contratou quase três vezes e meia o valor registrado por Pivetta, enquanto Natasha desembolsa, proporcionalmente, mais quando a despesa é comparada ao percentual que possui atualmente na pesquisa.





