A temporada do primeiro trimestre de 2026 (1T26) ainda entrará na sua semana final, mas caminha para um “balanço” ligeiramente decepcionante, segundo avaliação da equipe de estratégia do Itaú BBA.
A equipe de análise do banco aponta que, embora a maioria das empresas tenha apresentado números próximos das estimativas, o peso maior ficou concentrado nos resultados negativos, especialmente quando se observa a amostra ponderada pelo valor de mercado.
Até o fechamento da última semana, 110 companhias já divulgaram seus resultados, o equivalente a 62,7% do market cap (também chamado de “capitalização de mercado” ou “valor de mercado”) sob cobertura do Itaú BBA. Desses números, 32,1% foram classificados como positivos, 23,6% como neutros e 44,3% como negativos, considerando o peso de cada empresa na Bolsa.
Na comparação direta com as projeções do banco, a chamada “taxa” beat/miss ficou em 1,09, abaixo dos níveis registrados em trimestres anteriores, indicando uma perda de fôlego da dinâmica de surpresas positivas.
Entre todos os balanços, 43,7% das empresas superaram as estimativas de lucro líquido, enquanto 40,2% ficaram abaixo do esperado, reflexo de um ambiente ainda desafiador para margens em alguns setores. No caso do Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações), o quadro foi um pouco mais favorável, com 31,6% das companhias acima das projeções, contra 10,5% abaixo, sugerindo maior pressão concentrada nas linhas financeiras e efeitos não operacionais.
Leia mais:
Continua depois da publicidade
Olhando setorialmente, houve um desempenho desigual. Óleo & gás, transporte e logística e alguns nomes ligados ao consumo apresentaram resultados mais resilientes, com maior frequência de surpresas positivas. Por outro lado, utilities (energia e saneamento), bancos e parte do varejo concentraram revisões negativas e reações mais cautelosas dos analistas. Empresas de grande peso no índice ajudaram a puxar a percepção geral para baixo, mesmo com uma dispersão relevante entre os setores.
O Itaú BBA observa ainda que o comportamento das ações tem sido consistente com o histórico: companhias que superaram expectativas tendem a apresentar desempenho relativo melhor após a divulgação, enquanto aquelas que decepcionaram sofrem ajustes mais rápidos nos preços.
“Esse padrão reforça o caráter seletivo da atual temporada, em um ambiente em que investidores seguem exigentes quanto à qualidade dos resultados”, avalia.
Quer transformar esses resultados em renda passiva? Acesse a Planilha Viva de Renda gratuitamente
Apesar do tom mais fraco até aqui, o banco ressalta que a temporada ainda não terminou. Cerca de 73 empresas ainda devem divulgar seus números até o encerramento do calendário, incluindo nomes relevantes como Petrobras (PETR4), Banco do Brasil (BBAS3) e Nubank (BDR: ROXO34). Assim, o desempenho desses balanços será crucial para definir se o 1T26 terminará apenas morno ou se pode haver uma recuperação na reta final.
No geral, a maioria dos investidores vê a temporada do 1º trimestre de 2026 como neutra. Quando questionados sobre a temporada de resultados do 1º trimestre de 2026 e seu impacto nas estimativas de lucros, 60% dos investidores responderam com uma perspectiva neutra e sem revisões de lucros, seguidos por 25% que se mostraram otimistas, mas também não previram revisões de lucros. Apenas 7% dos investidores acreditam que pode ser uma temporada de “superação das expectativas e revisão para cima”, enquanto 9% acham que os números podem ficar abaixo das expectativas.
Continua depois da publicidade





