O contador Rogério Lourenço Novo, responsável pelo pagamento de R$ 500 mil ao escritório de advocacia do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), foi investigado pela Polícia Federal por suspeitas de crimes contra a ordem tributária e lavagem de dinheiro em um esquema de emissão de notas fiscais falsas, diz O Globo. O caso foi arquivado em 2021 após a quitação dos débitos tributários.
Segundo a investigação, Rogério foi apontado como um dos responsáveis por empresas de fachada que teriam emitido notas fiscais inidôneas entre 2013 e 2015 para reduzir o pagamento de impostos de uma empresa do setor automotivo.
A Receita Federal estimou o prejuízo em cerca de R$ 94,8 milhões, entre tributos, multas e juros.
Pagamentos ao escritório de Flávio
O caso não tem relação direta com as notas fiscais emitidas pelo escritório de Flávio Bolsonaro.
Em abril de 2025, o escritório emitiu duas notas fiscais de R$ 500 mil para a Copenhagen Assessoria e Consultoria, que foram canceladas no mesmo dia. Dois dias depois, foi emitida uma terceira nota, também de R$ 500 mil, desta vez para a Contábil Correa Contabilidade & Auditoria, sem registro de cancelamento.
Rogério Lourenço Novo é o único sócio da Contábil Correa e também figura como diretor responsável pela Copenhagen. As duas empresas estão registradas no mesmo endereço em São Caetano do Sul (SP).
Documentos obtidos pela CPI do Crime Organizado apontam ainda que a Copenhagen recebeu R$ 57,9 milhões do Banco Master entre 2024 e 2025.
A empresa foi criada em novembro de 2024 com capital social de R$ 40 e não possui sede própria nem site.
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Flávio rebate reportagem
Em vídeo publicado na quarta-feira, Flávio negou qualquer irregularidade. O senador afirmou que foi contratado apenas pela Contábil Correa e que a negociação com a Copenhagen não foi concluída, motivo pelo qual as notas fiscais foram canceladas.
“Não movimentou nada, não tem prestação de serviço, não tem absolutamente nada de errado”, afirmou.
Flávio também disse que não é alvo de investigação e acusou órgãos públicos de divulgarem informações protegidas por sigilo. Ao comentar o caso nas redes sociais, afirmou que reportagens negativas surgem sempre que aparece em posição favorável nas pesquisas eleitorais.
O episódio ocorre meses depois de o senador admitir ter buscado apoio financeiro de Daniel Vorcaro para a produção do filme “Dark Horse”, inspirado na trajetória política de Jair Bolsonaro. Segundo o Intercept Brasil, o empresário aportou 61 milhões de reais no projeto. Flávio nega qualquer irregularidade no caso.





