A convenção nacional do PL, neste sábado 25, em São Paulo, oficializa a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República. O evento acontece em um momento delicado para o pré-candidato. Nos últimos meses, a pré-campanha acumulou uma série de crises, investigações e dificuldades de articulação que deixaram a chapa sem vice definido e ainda sem uma coligação nacional.
O principal desafio de Flávio é transformar a convenção em um ponto de virada. Apesar de ser o ato que formaliza sua candidatura, o senador chega ao evento sem conseguir fechar alianças com partidos do Centrão. As negociações com o Republicanos continuam abertas, enquanto a federação União Brasil-PP caminha para a neutralidade. A indefinição compromete não apenas a estratégia da campanha, mas o tempo de propaganda eleitoral em relação aos principais adversários.
A pré-campanha também foi marcada pelo caso envolvendo o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Reportagem do Intercept Brasil revelou mensagens e áudios em que Flávio chama o banqueiro de “irmão” ao pedir recursos para financiar o filme Dark Horse, cinebiografia sobre Jair Bolsonaro (PL). O senador sempre afirmou que os recursos se destinavam exclusivamente à produção do longa e negou qualquer irregularidade. Nesta semana, porém, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a abertura de um inquérito da Polícia Federal para investigar o destino dos repasses feitos por Vorcaro, após manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República. A investigação busca esclarecer se os recursos tiveram finalidade diversa da declarada.
Outro desgaste veio da crise pública com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), rompimento que expôs divergências no bolsonarismo exatamente quando Flávio tentava ampliar sua presença entre o eleitorado feminino. Nesta semana, os dois assinaram uma trégua e colocaram um fim nas críticas mútuas com dois vídeos publicados nas redes sociais em sequência. Parece, ao menos, que essa aresta foi aparada, mas o episódio deixou marcas na pré-campanha e acelerou a busca por uma mulher para ocupar a vaga de vice.
Na política externa, Flávio também enfrentou dificuldades pela conspiração junto a autoridades norte-americanas durante a escalada da disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos. Em meio ao tarifaço anunciado pelo governo Donald Trump contra produtos brasileiros, o senador manteve contatos com integrantes da Casa Branca e defendeu adiar a entrada em vigor das tarifas até o fim das eleições brasileiras. A iniciativa provocou reações de adversários e do governo Lula (PT), que passaram a acusá-lo de atuar em favor dos interesses de Washington em um momento de tensão diplomática.
Mais recentemente, o presidenciável voltou ao centro da controvérsia ao mentir sobre a segurança das urnas eletrônicas. Em evento com diplomatas, Flávio afirmou que o sistema eleitoral brasileiro usava máquinas da empresa Smartmatic, repetindo ilações já rejeitadas pelo TSE. As declarações motivaram reações de integrantes do PT, que acionaram a Justiça Eleitoral contra o senador.
Os episódios se somaram a dificuldades internas da campanha. Flávio enfrentou resistência no PL na definição da vice, viu crescerem críticas à concentração das decisões em um núcleo restrito comandado pelo senador Rogério Marinho (PL-RN) e ainda não conseguiu transformar sua preferência pela economista Daniella Marques em consenso em seu partido.
E agora?
A convenção deste sábado oficializa a candidatura de Flávio Bolsonaro, mas não deve encerrar as principais pendências da campanha. A expectativa é que as negociações por alianças e pela escolha da vice continuem até 5 de agosto, prazo final das convenções partidárias. Até lá, o PL tentará reabrir conversas com o Republicanos e outras legendas, ao mesmo tempo em que acompanha os desdobramentos do inquérito da Polícia Federal sobre o financiamento do filme Dark Horse e administra os efeitos políticos das crises acumuladas ao longo da pré-campanha.






