O Ibovespa fechou em queda nesta quarta-feira, pressionado pelo forte recuo em ações de bancos, movimento liderado pelos papéis do Santander Brasil (SANB11), ao mesmo tempo em que agentes do mercado financeiro avaliavam a decisão de juros do Federal Reserve.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 1,52%, a 173.885,34 pontos, na mínima do dia, após atingir máxima de 176.563,85.
O Federal Reserve manteve as taxas de juros, em uma decisão que pode intensificar as dúvidas sobre como o chair do banco central norte-americano, Kevin Warsh, cumprirá sua promessa de reduzir a inflação dos Estados Unidos de volta à meta de 2%.
A decisão amplamente esperada de manter a taxa básica de juros na faixa de 3,50% a 3,75% teve a discordância de três dos 12 membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), que preferiam um aumento de 0,25 ponto percentual nesta reunião.
André Valério, economista sênior do Inter sobre o Fed, ressalta que a decisão foi em linha com o esperado, mas que teve bastante dissidência, marcando a primeira vez desde 2016 em que três membros do comitê divergem na mesma direção.
Isso mostrou a discordância crescente dentro do comitê, com alguns membros se mostrando cada vez mais preocupados com a dinâmica inflacionária.
“Hoje, o mercado precifica quase certamente uma alta em setembro, mas a dinâmica inflacionária até lá será determinante para o próximo passo do Fed. Com a incerteza do conflito no Oriente Médio e o preço do petróleo rondando os US$ 100, podemos ver a inflação não ceder o suficiente, o que poderia levar mais membros do FOMC a votar por uma alta na próxima reunião”, aponta o especialista.
“Nesta fase, acho que devemos esperar que o Fomc aumente as taxas em 25 pontos-base em setembro, a menos que os dados do mercado de trabalho desabem ou que a inflação básica fique mais próxima de 2% em termos anualizados, o que não espero nos dados de julho ou agosto antes da reunião do Fomc de setembro”, disse Omair Sharif, fundador e presidente da empresa de previsões Inflation Insights.
O número de autoridades que votaram a favor de uma política mais restritiva ainda sugere uma mudança no pensamento do Fed, embora alguns analistas acreditem que o banco central ainda possa adiar os aumentos.
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“O elevado número de votos dissidentes ressalta que os formuladores de política estão cada vez mais hawkish [duros, mostrando preocupação com a inflação]”, afirmou a economista-chefe da Nationwide, Kathy Bostjancic, em uma nota. No entanto, ela acredita que “o Fed pode e deve manter as taxas inalteradas este ano, já que taxas de juros mais altas não resolverão o choque no abastecimento de energia proveniente do Oriente Médio nem desacelerarão os investimentos em IA que estão elevando os preços”.
Ao manter a taxa de juros de referência na faixa em que se encontra desde dezembro, os formuladores de política do Fed estão adotando a ideia de que os custos atuais dos empréstimos estão criando atrito suficiente na economia para reduzir qualquer inflação que não seja — como o efeito das tarifas sobre os preços dos bens — esperada para diminuir por conta própria.
Poucos sinais na coletiva
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Warsh pouco falou sobre o conjunto de riscos e nada sobre as perspectivas para a taxa de juros de referência, embora tenha expressado a expectativa de que o aumento da produtividade, impulsionado pela IA, permita que a economia cresça mais rapidamente sem, por outro lado, elevar a inflação.
Para Marianna Costa, da Mirae Asset, tanto o comunicado quanto a coletiva do presidente do Fed, Kevin Warsh, não trouxeram qualquer sinalização sobre os próximos passos da política monetária, mesmo com o mercado atribuindo elevada probabilidade a uma alta de juros na reunião de setembro. Warsh voltou a afirmar que a inflação é “uma escolha” e reiterou que a prioridade da autoridade monetária é restabelecer a estabilidade de preços.
Nos mercados, o rendimento dos títulos do Tesouro norte-americano de dois anos recuou após a decisão, refletindo o ajuste das expectativas diante da retirada do risco imediato de uma elevação dos juros nesta reunião, hipótese que ainda apresentava probabilidade relevante na curva de juros antes da decisão.
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“Apesar da ausência de sinalização prospectiva, a composição dos votos reforça a percepção de que o Comitê mantém um viés de aperto monetário. A curva de juros continua precificando aproximadamente duas elevações de 25 pontos-base até o final do primeiro trimestre de 2027”, avalia Marianna.
Ainda em destaque, o índice foi pressionado pelas perdas em ações de bancos, com destaque para o Santander Brasil (SANB11), que caiu mais de 7% após reportar queda de 17,6% nos lucros do segundo trimestre, ficando aquém das estimativas do mercado.
O conflito no Oriente Médio também seguiu no radar dos agentes, com os preços do petróleo subindo cerca de 8% nesta quarta-feira, à medida que novos ataques aéreos de grande escala foram retomados na região, frustrando as esperanças de um fim iminente da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.
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(com Reuters)





