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Ibovespa fecha quase estável com quadro de incertezas ainda minando apetite a risco


O Ibovespa fechou quase estável nesta quinta-feira, após trocar de sinal algumas vezes no pregão, com a bolsa ainda vulnerável às incertezas envolvendo as eleições e o cenário fiscal e às preocupações com o nível de juros do país e seus reflexos na atividade econômica. 

Vale e Petrobras representaram um suporte positivo relevante, enquanto bancos continuaram enfraquecidos pelas preocupações com o cenário do crédito e da inadimplência no país.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa registrou variação positiva de 0,06%, a 167.927,15 pontos, após marcar 169.752,35 pontos na máxima e 166.965,79 pontos na mínima do dia. O volume financeiro no pregão somou R$28,4 bilhões.

Na véspera, o Ibovespa avançou 0,9%, a 167.830,27 pontos, encerrando uma série de 11 fechamentos negativos seguidos. A alta, contudo, foi atrelada por agentes financeiros ao forte alívio nos rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano, sem mudanças no cenário brasileiro. 

“O alívio de ontem foi pontual. Não tem nenhum fato novo que justifique uma virada no mercado”, afirmou o responsável pela área de renda variável da Criteria, Thiago Pedroso, ressaltando que papéis sensíveis à economia brasileira continuam pressionados.

“No curto prazo, vale acompanhar para onde vai o fluxo estrangeiro. O mercado local está muito barato, mas falta ‘trigger’ (gatilho). Em algum momento, deve cessar o movimento de saída”, afirmou. 

De acordo com dados da B3, a bolsa registra uma saída líquida de capital externo de R$20,4 bilhões em agosto até o dia 18. 

Para Pedroso, esse cenário deve manter o mercado “mais lateralizado” no aguardo de novas notícias, principalmente acerca do fiscal local e eleições. “A liquidez também deve reduzir bastante; e a volatilidade aumentar consideravelmente quando vier essa ‘notícia’.”

O cenário externo pouco ajudou no apetite a risco nesta quinta-feira, com o avanço nos rendimentos dos Treasuries, enquanto o S&P 500 fechou em baixa de 0,87%, com dados do Walmart também sob o holofote. .

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Tendência de baixa

De acordo com o analista técnico Gilberto Coelho, da XP, apesar da alta da véspera, o Ibovespa segue em tendência de baixa pelas médias de 21 e 200 dias.

“Abaixo dos 166.300 poderia buscar suportes nos 160.000 ou 155.000. Teria sinal de repique altista fechando acima dos 170.340 mirando resistências nos 173.500 em teste de suas médias ou 180.500”, afirmou em relatório a clientes.

Nesta quinta-feira, o cenário externo também se mostrava desfavorável ao apetite a risco, com o avanço nos rendimentos dos Treasuries, enquanto o S&P 500 registrava declínio de 0,33%, com dados do Walmart também sob o holofote. 

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Destaques

As ações da Petrobras figuravam entre os destaques positivos do Ibovespa. Os papéis preferenciais (PETR4) avançavam 2,51%, enquanto as ações ordinárias (PETR3) subiam 2,91%, apoiadas pela valorização dos preços do petróleo no mercado internacional. O movimento também refletia a repercussão da recente descoberta de hidrocarbonetos em um poço exploratório na Bacia da Foz do Rio Amazonas.

Em sentido oposto, Vale (VALE3) operava próxima da estabilidade, com leve queda, acompanhando o recuo dos contratos futuros de minério de ferro na China. A fraqueza também contaminava outras empresas ligadas à mineração e siderurgia, como Gerdau, CSN, CSN Mineração e Usiminas.

No setor financeiro, os bancos apresentavam desempenho misto, ainda sob influência das preocupações com o cenário de crédito e inadimplência no país. Itaú Unibanco registrava queda, assim como Bradesco (BBDC4) e Banco do Brasil (BBAS3), enquanto Santander Brasil (SANB11) conseguia operar em alta moderada.

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Entre as maiores perdas do pregão, Hapvida (HAPV3) ampliava a trajetória negativa observada ao longo do mês, ainda pressionada pela recepção desfavorável do mercado aos resultados do segundo trimestre. Magazine Luiza (MGLU3) também recuava com força, em meio à percepção de que as dificuldades enfrentadas por empresas do varejo refletem desafios mais amplos do setor, marcados por juros elevados, crédito restrito e consumidores mais endividados.

Entre os destaques de valorização, Minerva (BEEF3) avançava significativamente, acompanhando mais uma sessão favorável para as empresas do segmento de proteínas na B3, enquanto Marfrig (MRFG3) também registrava ganhos. Marcopolo (POMO4) subia após anunciar a aprovação de pagamento de dividendos e um programa de recompra de ações, medidas geralmente bem recebidas pelos investidores.

Já a SLC Agrícola (SLCE3) era impulsionada por uma revisão positiva de recomendação por parte do UBS BB, que avaliou que os riscos relacionados aos impactos do El Niño sobre a produtividade da companhia já estão amplamente refletidos nos preços das ações.

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(com Estadão Conteúdo e Reuters)



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