Início NACIONAL Oposição argentina enviará missão ao Brasil para se descolar de Milei

Oposição argentina enviará missão ao Brasil para se descolar de Milei


O gesto dos parlamentares argentinos mostra que os ataques de Milei ao presidente Lula não contam com respaldo interno. Apenas o partido do presidente e seus parceiros políticos mais próximos respaldam Milei em sua cruzada contra o presidente brasileiro. O governo Lula obteve o apoio de diversos setores da sociedade argentina, entre eles o empresariado, que teme um impacto negativo no comércio bilateral.

A missão parlamentar é a primeira iniciativa política relevante contra a atitude do chefe de Estado argentino. Em Brasília, a missão será recebida pelo senador Nelsinho Trad, do PSD, que preside a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) do Senado Federal, cargo que ocupa pela segunda vez. Os parlamentares argentinos também devem ter reuniões no Itamaraty.

A crise bilateral começou quando o presidente argentino aproveitou sua participação na convenção nacional do Partido Liberal (PL), na qual foi confirmada a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro, no final de julho, em São Paulo, para ofender o presidente brasileiro. Milei se referiu a Lula como “o presidiário”, e também agrediu verbalmente o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, chamado pelo argentino de “lixo careca”.

A atitude do chefe de Estado argentino levou o governo brasileiro a chamar seu embaixador em Buenos Aires, Julio Bitelli, para consultas. A medida tem enorme peso no manual da diplomacia profissional — algo que importa pouco ao atual presidente argentino — e significa uma expressão de enorme desagrado por parte do país que chama seu embaixador.

Nos primeiros dias de agosto, as águas pareciam ter se acalmado e o governo Lula pretendia enviar Bitelli novamente para Buenos Aires, mas Milei voltou a atacar Lula em entrevistas a meios locais argentinos. Foi decidido manter Bitelli no Brasil, provavelmente até depois das eleições presidenciais e, também, reduzir o nível das relações. Nesse sentido, foi dito ao embaixador argentino em Brasília, Daniel Raimondi, que o vínculo bilateral seria rebaixado ao nível de encarregado de negócios, uma maneira usual na diplomacia de convidar um embaixador estrangeiro a se retirar do país.

Bitelli está no Brasil e Raimondi na Argentina. A relação entre os dois países vive seu pior momento desde as guerras do século XIX. Com esse pano de fundo, Massot tomou a iniciativa de organizar uma missão parlamentar, que será anunciada nesta quarta-feira no Congresso argentino.





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