(Reuters) – O sinal negativo prevaleceu na bolsa paulista nesta quinta-feira, marcada pela repercussão de uma série de resultados corporativos, incluindo os números de Ânima (ANIM3) e do Bradesco (BBDC4), que viram suas ações registrarem perdas expressivas.
A queda do petróleo no mercado internacional, em meio a expectativas de um acordo entre Estados Unidos e Irã, também reverberou na B3, minando as ações da Petrobras (PETR4, PETR3) e de outras petrolíferas.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa fechou em queda de 2,38%, a 183.218,26 pontos, menor patamar desde o final de março. No pior momento, chegou a 182.867,75 pontos. Na máxima, marcou 187.779,31 pontos.
O volume financeiro no pregão somou R$ 32,08 bilhões.
De acordo com o sócio e advisor da Blue3 Investimentos, Willian Queiroz, a possibilidade de um acordo de paz entre EUA e Irã endossou a correção no petróleo, o que acabou afetando o Ibovespa dado o peso significativo das ações da Petrobras (PETR4, PETR3).
“Mas os fundamentos de um possível acordo de paz são muito positivos a médio e longo prazos”, ressaltou, destacando o potencial efeito inflacionário da disparada do petróleo que vinha preocupando investidores no mundo.
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Washington e Teerã estão se aproximando de um acordo limitado e temporário para interromper a guerra, disseram fontes e autoridades nesta quinta-feira, alimentando esperanças de que, mesmo que o entendimento seja parcial, possa haver normalização do fornecimento de petróleo através do Estreito de Ormuz.
O plano interromperia os combates, mas deixaria as questões mais controversas sem solução. Além disso, há percalços pelo caminho.
Durante a tarde, no exterior, os índices dos EUA devolveram ganhos e firmaram queda, afetando também os mercados por aqui, ante relatos de que os Estados Unidos avaliam retomar a escolta de embarcações no Estreito de Ormuz – o “Projeto Liberdade” -, após o Irã criar uma agência governamental para controlar a navegação na via. O petróleo recuperou parte das perdas, assim como o dólar e os rendimentos dos Treasuries.
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“Tivemos propostas de paz e altas no mercado ao longo das últimas semanas, e todas terminaram em decepção. Quanto mais isso se arrasta, maior o risco de escassez de petróleo e aumentos mais acentuados nos preços. E uma reviravolta de 180 graus na situação está a apenas uma manchete de distância”, afirmam analistas do Swissquote.
Em Nova York, o S&P 500 fechou em queda de 0,38%.
Para o estrategista de investimentos Bruno Perri, sócio-fundador da Forum Investimentos, há também um efeito negativo no pregão brasileiro ligado a eventos corporativos domésticos, com papéis como os do Bradesco (BBDC4), que divulgou balanço na véspera, pesando no Ibovespa. Uma nova bateria de resultados de empresas locais é aguardada ainda nesta quinta-feira.
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DESTAQUES
ÂNIMA ON (ANIM3) caiu 5,95%, mesmo após reportar lucro líquido ajustado de R$ 3,7 bilhões no primeiro trimestre, com salto da margem da área de geração impulsionado pela alta de preços de energia no mercado livre. A companhia também iniciou processo sucessório de presidente-executivo. Em teleconferência, a Ânima disse que já vê nas últimas semanas tendência de redução nos preços de energia.
BRADESCO PN (BBDC4) recuou 3,89%, após divulgar balanço com alta de 16% no lucro líquido e avanço do ROE para 15,8%, mas aumento em provisões por casos pontuais no segmento de atacado e maior custo de crédito do massificado. O presidente-executivo afirmou que o banco está com apetite a risco moderado para crédito, com viés mais conservador, em razão da piora do cenário macro, mas que “isso não significa puxar o freio de mão”.
ITAÚ UNIBANCO PN (ITUB4) cedeu 2,37%, BANCO DO BRASIL ON (BBAS3) perdeu 1,72% e SANTANDER BRASIL UNIT (SANB11) recuou 3,1%.
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PETROBRAS PN (PETR4) perdeu 2,22% e PETROBRAS ON (PETR3) caiu 1,88%, diante de nova queda dos preços do petróleo, com o barril do Brent encerrando o dia cotado a US$ 100,06, em baixa de 1,2%. Nas negociações estendidas, as cotações passaram a subir após notícia de que os EUA consideram retomar operações de escolta de navios comerciais no Estreito de Ormuz.
REDE D’OR ON (RDOR3) fechou em queda de 6,47%, com o balanço do primeiro trimestre no radar, que mostrou lucro líquido de R$ 1 bilhão.
SMART FIT ON (SMFT3) disparou 11,66%, após divulgar lucro líquido recorrente de R$ 207 milhões no primeiro trimestre de 2026, crescimento de 47% em relação ao mesmo período do ano anterior.
TOTVS ON (TOTS3) subiu 9,46%, após balanço do primeiro trimestre mostrar lucro líquido ajustado de R$ 252 milhões, alta de 17% na comparação anual.
MINERVA ON (BEEF3) avançou 3,78%, apesar da queda de quase 53% no lucro do primeiro trimestre. O Ebitda cresceu 16,2%, para R$ 1,12 bilhão.
(com Reuters e Estadão Conteúdo)





