Wellington Fagundes tem 92,6% da arrecadação sustentada pelo PL e Natasha recebe 98% do PSD; governador reúne R$ 1,73 milhão de pessoas físicas
Os partidos políticos continuam sendo os principais financiadores da disputa pelo Governo de Mato Grosso, mas a análise da origem do dinheiro revela diferenças expressivas entre as três maiores campanhas. Enquanto Wellington Fagundes (PL) e Natasha Slhessarenko (PSD) dependem quase integralmente das transferências partidárias, Otaviano Pivetta (Republicanos) concentra a maior arrecadação proveniente de pessoas físicas.
Dados das prestações de contas disponibilizadas pela Justiça Eleitoral mostram que Wellington arrecadou R$ 5,516 milhões, dos quais R$ 5,11 milhões, ou 92,6%, foram repassados pelo PL. Apenas R$ 356 mil vieram de pessoas físicas e R$ 50 mil foram colocados pelo próprio candidato.
Natasha apresenta dependência partidária ainda maior. Dos R$ 4,589 milhões registrados, R$ 4,5 milhões, aproximadamente 98%, vieram da direção nacional do PSD. A candidata investiu R$ 52 mil próprios e recebeu somente R$ 37 mil de três pessoas físicas.
Pivetta apresenta uma composição diferente. Na atualização mais recente consultada, a campanha soma R$ 5,235 milhões. Os partidos colocaram R$ 3 milhões, enquanto o governador destinou R$ 500 mil do próprio patrimônio à candidatura. Outros R$ 1,735 milhão vieram de pessoas físicas, equivalentes a aproximadamente 33% de toda sua receita.
O resultado faz de Pivetta, entre os principais candidatos ao Palácio Paiaguás, aquele que reúne simultaneamente recursos partidários, autofinanciamento e maior participação de financiadores individuais.
Os números são provenientes das prestações apresentadas à Justiça Eleitoral e podem sofrer atualização durante a campanha, já que as receitas precisam ser informadas conforme os prazos previstos na legislação. O próprio sistema eleitoral alerta que a fotografia definitiva somente estará disponível com as prestações finais.
PL COLOCA R$ 5,1 MILHÕES EM WELLINGTON
Wellington lidera nominalmente a arrecadação, mas praticamente todo o dinheiro disponível veio da estrutura partidária.
A direção nacional do PL transferiu R$ 4,8 milhões, enquanto o diretório estadual acrescentou R$ 310 mil. Juntos, os dois repasses chegam a R$ 5,11 milhões e respondem por 92,6% da receita da candidatura.
A diferença é grande quando comparada às contribuições privadas. As seis doações de pessoas físicas somam R$ 356 mil, ou 6,5% da arrecadação.
O maior doador individual é Rubens Pereira Fagundes, com R$ 100 mil. Na sequência aparecem Jean Carlos Lopes Lino, com R$ 80 mil, e Rodolfo Pereira Fagundes, com R$ 70 mil. Clotildes Fagundes Duarte destinou R$ 50 mil e Eduardo Pacheco e Souza da Silva, R$ 36 mil. O próprio Wellington colocou outros R$ 50 mil.
Assim, mesmo que todas as doações de pessoas físicas fossem somadas aos recursos próprios de Wellington, o valor corresponderia a menos de 8% de tudo o que entrou no caixa eleitoral.
PSD RESPONDE POR 98% DA RECEITA DE NATASHA
A concentração é ainda maior na candidatura de Natasha.
A direção nacional do PSD fez um único repasse de R$ 4,5 milhões, responsável por cerca de 98% de toda a arrecadação da médica.
Fora da estrutura partidária, os valores são reduzidos. Natasha destinou R$ 52 mil do próprio patrimônio. Entre os doadores individuais aparecem Leonardo Slhessarenko Filho, com R$ 15 mil; Miguel Slhessarenko Junior, também com R$ 15 mil; e Marcus Paulo Motta Mello, com R$ 7 mil. Juntos, os três contribuíram com R$ 37 mil, apenas 0,8% da receita da candidatura.
Na prática, a cada R$ 100 arrecadados por Natasha, aproximadamente R$ 98 saíram do partido.
PIVETTA REÚNE R$ 1,73 MILHÃO DE PESSOAS FÍSICAS
Pivetta é quem mais se distancia desse modelo.
Dos R$ 5,235 milhões declarados, R$ 3 milhões, aproximadamente 57%, vieram de partidos. Outros R$ 500 mil foram colocados pelo próprio candidato e R$ 1,735 milhão foram entregues por pessoas físicas.
O maior repasse partidário foi de R$ 2 milhões da direção nacional do Cidadania, enquanto a direção nacional do União Brasil colocou mais R$ 1 milhão.
Entre as pessoas físicas, aparece na liderança Orcival Gouveia Guimarães, com R$ 350 mil. Adecrescio Pedro de Aguiar já soma R$ 300 mil em três repasses. Em atualização anterior do DivulgaCand, também apareciam entre os principais financiadores Romeu Froelich, com R$ 300 mil; Carlos Ivan Missel Biancon, com R$ 204.020; e Osmar Ribeiro de Mello, com R$ 100 mil.
Só esses cinco nomes respondem por mais de R$ 1,25 milhão em contribuições à candidatura.
Há ainda doações de R$ 94 mil de Claudio Antonio Squinzani Cargnelutti e de R$ 50 mil cada de Marino José Franz, Eurico Brunetta, Eloi Brunetta e Edio Brunetta, entre outros financiadores.
MAIOR DOADOR TEM EMPRESA FORNECEDORA DO ESTADO
A lista de Pivetta abre outra frente para análise sobre a origem dos recursos privados.
Orcival Gouveia Guimarães, responsável por R$ 350 mil, é sócio-administrador da Guimarães Agrícola. Documentos públicos citados em levantamento jornalístico mostram que a empresa forneceu tratores ao Governo de Mato Grosso durante as gestões das quais Pivetta participou como vice-governador e, posteriormente, governador.
Atestado da Secretaria de Estado de Agricultura Familiar, de 2023, registrou o fornecimento de 71 tratores pela empresa. Também foram localizados contratos anteriores e posteriores, incluindo uma contratação de R$ 12,28 milhões em 2023.
A existência de contratos públicos não implica, por si só, irregularidade na doação eleitoral. A contribuição de pessoa física é permitida pela legislação dentro dos limites legais. O dado, entretanto, torna relevante a identificação da relação econômica existente entre os principais financiadores privados e o poder público.
PIVETTA TAMBÉM COLOCOU R$ 3 MILHÕES NO REPUBLICANOS
Há ainda uma particularidade na movimentação financeira do governador que precisa ser separada da prestação de contas de sua candidatura.
Antes da campanha, Pivetta fez uma doação pessoal de R$ 3 milhões ao Republicanos, em 22 de julho. O repasse tornou o governador o maior doador pessoa física da legenda no país naquele momento.
Esse dinheiro não deve ser confundido com os R$ 500 mil de recursos próprios que aparecem na prestação de contas de sua candidatura. São movimentações distintas: uma foi feita pelo cidadão Pivetta ao partido; a outra, pelo candidato à própria campanha.
A situação cria um fluxo incomum nesta eleição: ao mesmo tempo em que Pivetta figura como grande financiador de seu partido, sua candidatura recebe milhões transferidos por outras legendas da aliança.
RAFAELL TEM R$ 102,9 MIL
A distância financeira para os demais concorrentes é acentuada.
Rafaell Milas (Missão) declarou R$ 102.914. Desse total, R$ 100 mil vieram do partido, R$ 1,6 mil foram colocados pelo próprio candidato e R$ 1.314 chegaram por financiamento coletivo.
Maurício Coelho (Mobiliza) e Sargento Laudicério (Agir) ainda não apresentavam receitas nas prestações consultadas no levantamento anterior.
Somadas, as campanhas dos três principais concorrentes — Wellington, Pivetta e Natasha — já movimentam aproximadamente R$ 15,34 milhões em receitas declaradas.
DINHEIRO PARTIDÁRIO DEFINE TAMANHO DAS CAMPANHAS
O levantamento evidencia a desigualdade financeira da disputa.
Wellington, Pivetta e Natasha já receberam individualmente entre R$ 4,5 milhões e R$ 5,5 milhões. Rafaell permanece pouco acima de R$ 100 mil, enquanto os outros dois candidatos não apresentavam arrecadação no último recorte disponível.
A diferença também aparece na proximidade do teto de gastos. Para a disputa pelo Governo de Mato Grosso, cada candidatura pode gastar até R$ 7.115.522,46 no primeiro turno. Wellington já arrecadou o equivalente a aproximadamente 77,5% desse limite; Pivetta, 73,6%; e Natasha, 64,5%.
Mais importante, porém, é a origem.
A cada R$ 100 arrecadados por Wellington, cerca de R$ 93 vêm do partido. Na candidatura de Natasha, são aproximadamente R$ 98. Na de Pivetta, a participação partidária cai para cerca de R$ 57, enquanto aproximadamente R$ 33 vêm de pessoas físicas e quase R$ 10 do próprio candidato.
A fotografia do financiamento mostra, assim, três campanhas milionárias, mas sustentadas de formas diferentes. Wellington e Natasha dependem essencialmente das decisões de seus partidos. Pivetta tem a menor dependência proporcional das estruturas partidárias e concentra, com larga vantagem, o maior volume de doações privadas entre os principais concorrentes ao Governo.





