Início GERAL Partidos dominam financiamento, mas agro concentra doações privadas ao Senado

Partidos dominam financiamento, mas agro concentra doações privadas ao Senado


José Medeiros, recebeu as maiores doações de empresários do agro

Os partidos políticos bancam a maior parte da corrida pelas duas vagas de Mato Grosso no Senado, mas, quando o dinheiro sai diretamente do bolso dos eleitores, o agronegócio ocupa posição de destaque entre os maiores financiadores privados das candidaturas.

Levantamento feito pelo DIÁRIO a partir das prestações de contas eleitorais mostra que produtores rurais, empresários do setor agrícola e pessoas ligadas a atividades como soja, pecuária e madeira aparecem entre os maiores doadores individuais identificados até agora.

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O maior aporte privado localizado é de Hugo de Carvalho Ribeiro, que destinou R$ 650 mil à campanha de José Medeiros (PL). O valor, registrado em 9 de setembro, sozinho representa 36,3% dos R$ 1,79 milhão arrecadados pelo candidato. A direção nacional do PL continua sendo o maior financiador da candidatura, com R$ 1 milhão. Medeiros recebeu ainda R$ 100 mil de Odílio Balbinotti Filho e R$ 40 mil de José Baggio.

Hugo possui vínculos empresariais diretos com o agronegócio. Ele aparece como sócio-administrador da HFLC Agropecuária, sediada em Rondonópolis e dedicada principalmente ao comércio atacadista de soja, além de atividades com algodão, cereais e criação de bovinos. Registros estaduais também o relacionam ao Programa de Desenvolvimento Rural de Mato Grosso (Proder) na atividade de gado bovino para abate.

FAMÍLIA BILIBIO COLOCA R$ 300 MIL EM GALVAN – A concentração do dinheiro privado no setor fica ainda mais evidente na campanha de Antônio Galvan (Avante), ex-presidente da Aprosoja-MT.

Diferentemente dos principais adversários, Galvan não recebeu, no retrato mais recente consultado, recursos partidários. Os R$ 605,85 mil arrecadados vieram integralmente de pessoas físicas, distribuídos em 30 lançamentos.

Os três maiores doadores são Rafael Bilibio, Fernando Bilibio e Felipe Bilibio, com R$ 100 mil cada. Os três estão ligados à família Bilibio e ao setor agrícola em Mato Grosso. Levantamento anterior a partir dos dados eleitorais identificou os integrantes da família como ligados à Agropecuária Irmãos Bilibio, sediada em Vera e com atuação no cultivo de soja.

Somente os três Bilibio colocaram, portanto, R$ 300 mil na candidatura de Galvan, praticamente metade de tudo o que o candidato arrecadou até agora.

Fernando Bilibio também aparece em registros ambientais como proprietário de empreendimento rural em Vera, onde requereu licenciamento para irrigação por pivô central de uma área de 451 hectares.

MAIS R$ 90 MIL DE PRODUTORA – Outro aporte significativo para Galvan veio de Gabriela Peres de Araújo Simões Marcon, que aparece na prestação mais recente com R$ 90 mil em doações.

Registros públicos a vinculam à atividade agrícola em Mato Grosso. Ela aparece na Associação dos Produtores de Sementes de Mato Grosso, em Poxoréu, e em registros estaduais relacionados ao Proder para produtos como feijão, gergelim, girassol e lentilha.

Na sequência estão Maurício Cardoso Tonhá, com R$ 50 mil; Diones Marcos, R$ 35 mil; Elizangela Gaspari, R$ 30 mil; e Neuzely Maria da Costa Camilo, R$ 11,95 mil.

Diones e Elizangela também apresentam conexão empresarial com atividades rurais. Documentos judiciais os relacionam a empresas com atuação em cultivo de arroz, milho e soja, criação de bovinos e setor madeireiro. Elizangela é apresentada pelo Centro das Indústrias Produtoras e Exportadoras de Madeira de Mato Grosso como empresária do setor madeireiro em Sinop.

Isso amplia a conclusão: não são apenas os três Bilibio. Entre os principais financiadores privados de Galvan há uma presença recorrente de pessoas ligadas às cadeias agropecuária e florestal.

BALBINOTTI TAMBÉM FINANCIA MEDEIROS – Na candidatura de Medeiros, outro nome conhecido do agronegócio aparece entre os grandes doadores.

Odílio Balbinotti Filho, primeiro suplente na chapa, transferiu R$ 100 mil. Balbinotti já havia se destacado como um dos grandes financiadores privados das eleições municipais de 2024, quando destinou aproximadamente R$ 4 milhões a candidatos do PL, entre eles Abilio Brunini, Flávia Moretti e Cláudio Ferreira.

Somados, apenas Hugo Ribeiro e Balbinotti colocaram R$ 750 mil na campanha de Medeiros.

O número é relevante porque mostra que o PL financia Medeiros com R$ 1 milhão do fundo eleitoral, mas a candidatura conseguiu montar paralelamente uma segunda fonte de recursos privados de grande porte.

NOS DEMAIS, PARTIDO PRATICAMENTE BANCA TUDO – O cenário muda radicalmente quando se observam Janaina Riva (MDB), Margareth Buzetti (PP), Mauro Mendes (União) e Pedro Taques (PSB).

Janaina declarou R$ 3,52 milhões, dos quais R$ 3,5 milhões vieram da direção nacional do MDB. Há apenas uma doação individual de R$ 20 mil, de Fernando Costa Fernandes. Ou seja, 99,4% de sua arrecadação vem do partido.

Na prática, a campanha com uma das maiores arrecadações para o Senado em Mato Grosso depende quase integralmente da decisão da direção partidária sobre a distribuição do dinheiro público eleitoral.

Pedro Taques apresenta perfil semelhante. Dos R$ 530 mil informados no levantamento, R$ 500 mil foram repassados pelo PSB e apenas R$ 30 mil vieram de pessoas físicas. Carlos Fávaro (PSD), por sua vez, tinha pouco mais de R$ 553 mil, com R$ 303 mil transferidos pelo partido e R$ 175 mil colocados pelo primeiro suplente Alexandre Schenkel.

DOIS MODELOS DE FINANCIAMENTO – Os números revelam, portanto, dois modelos distintos de financiamento na corrida ao Senado.

De um lado estão candidaturas fortemente dependentes dos diretórios nacionais e, consequentemente, do dinheiro distribuído pelos partidos. Janaina é o caso mais extremo, com aproximadamente 99% dos recursos provenientes do MDB.

No outro extremo está Galvan, que até agora sustenta a candidatura exclusivamente com pessoas físicas e tem como principais financiadores empresários e produtores ligados ao setor rural.

Medeiros ocupa posição intermediária: recebeu R$ 1 milhão do PL, mas conseguiu levantar outros R$ 790 mil fora do fundo eleitoral.

E é justamente nesse segundo grupo que aparece com maior nitidez o peso econômico do agronegócio na eleição.

 





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