O nome do deputado federal Gilberto Abramo (Republicanos-MG) aparece na investigação que levou o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), a determinar o bloqueio de até R$ 6,15 milhões em bens do ex-deputado Eduardo Cunha.
Mensagens apreendidas pela Polícia Federal indicam que o ex-presidente da Câmara teria usado Abramo para operacionalizar emendas parlamentares, apesar de Cunha estar sem mandato desde 2016.
As conversas que embasam a decisão foram extraídas do celular da servidora da Câmara Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, apontada pela PF como operadora do esquema.
Em um diálogo de setembro de 2025, Cunha pede que ela obtenha um ofício de Gilberto Abramo para atribuir a ele a autoria de uma emenda destinada a Manhuaçu (MG).
“Oi. Se puder. Tou com um problema lá em uma das emendas de Manhuaçu que o pessoal lá é inimigo e estão dizendo que é do Nikolas. Como pôs no Gilberto Abramo, preciso de um ofício dele dizendo que essa emenda é de autoria dele”, escreveu Cunha.
“Causa estranheza”
Em sua decisão, Dino afirma que o episódio “causa estranheza”, já que uma emenda formalmente atribuída a Gilberto Abramo era tratada diretamente por Cunha com a servidora da Câmara, e não pelo próprio deputado.
O ministro acrescenta que, se as emendas eram de fato indicações de Cunha, a utilização de parlamentares como solicitantes apenas reforça a suspeita de fraude na destinação dos recursos.
A decisão cita ainda uma “clara proeminência” de Gilberto Abramo, apontado pela investigação como aliado político de Eduardo Cunha em Minas Gerais.
Segundo a Polícia Federal, Cunha coordenou ao menos 29 emendas da Comissão de Saúde, somando R$ 6,15 milhões, mesmo sem exercer mandato.
A investigação aponta que ele utilizava Tuca para direcionar recursos a municípios mineiros, onde pretende disputar uma vaga na Câmara nas eleições deste ano.
Até o momento, Gilberto Abramo não se manifestou sobre o caso. Já a defesa de Cunha afirmou que contestará a decisão de Flávio Dino e negou que ele tenha exercido um “mandato clandestino”.
O caso é um desdobramento da Operação Transparência, que também levou ao bloqueio de bens do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, por suspeitas semelhantes de interferência na destinação de emendas parlamentares sem exercer mandato.
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