Início GERAL Pivetta domina prefeituras, Natasha aposta nas redes e WF no PL

Pivetta domina prefeituras, Natasha aposta nas redes e WF no PL


Otaviano Pivetta (Republicanos) construiu uma ampla rede de apoio entre prefeitos para disputar a reeleição ao Governo de Mato Grosso.

A força municipal, porém, ainda não se transformou em vantagem equivalente nas pesquisas eleitorais.

O contraste coloca uma velha questão da política estadual novamente à prova: até que ponto prefeito consegue transferir votos para seu candidato ao Governo?

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Pivetta afirma contar com o apoio de mais de 130 dos 142 prefeitos de Mato Grosso.

É uma estrutura muito superior à disponível aos adversários e que garante ao governador aliados capazes de organizar agendas, reunir lideranças e abrir portas nos municípios durante a campanha.

No outro extremo está Natasha Slhessarenko (PSD). Seu partido saiu das eleições municipais de 2024 com apenas dois prefeitos no Estado.

Sem uma rede municipal comparável à de Pivetta, a candidata aposta na exposição direta ao eleitor e, principalmente, nas redes sociais para reduzir a diferença de estrutura política.

Wellington Fagundes (PL), por sua vez, dispõe de uma base partidária mais ampla e aposta também na identificação de parcela do eleitorado mato-grossense com o bolsonarismo.

O problema é que nem todos os prefeitos eleitos pelo PL estão com o candidato do próprio partido.

O resultado é uma campanha em que os principais concorrentes chegam ao eleitor por caminhos diferentes: Pivetta com a maior estrutura de prefeitos; Wellington com o PL e a força eleitoral da direita; Natasha com a aliança partidária nacional e uma estratégia mais dependente do voto espontâneo e das redes.

INFO prefeitos

PREFEITOS DE UM LADO, PESQUISAS DE OUTRO

ÉPREFEITOS DE UM LADO, PESQUISAS DE OUTRO – É justamente a comparação entre estrutura municipal e intenção de voto que chama atenção.

Na pesquisa Real Time Big Data, realizada entre 7 e 11 de agosto, Wellington aparecia com 34% das intenções de voto, contra 27% de Pivetta. Natasha tinha 13% e Rafaell Milas (Missão), 4%.

Ou seja, mesmo reunindo apoio declarado de mais de nove em cada dez prefeitos de Mato Grosso, Pivetta não aparecia na liderança desse levantamento.

Outras pesquisas apresentaram resultados diferentes e algumas colocaram Pivetta numericamente à frente ou empatado com Wellington, reforçando que a eleição permanece competitiva.

O contraste sugere que possuir a maior rede de prefeitos não significa, automaticamente, controlar o voto dos moradores desses municípios.

A estrutura municipal, entretanto, oferece outras vantagens. Prefeitos conhecem lideranças locais, mantêm relacionamento com vereadores e representantes comunitários, ajudam na mobilização de eventos e possuem capacidade política para apresentar o candidato a grupos organizados.

A questão é descobrir quanto dessa influência chega efetivamente à urna.

PL ENFRENTA DIVISÃO ENTRE PREFEITOS – Wellington enfrenta um problema adicional dentro da própria legenda.

Parte dos prefeitos do PL rompeu com a orientação partidária e declarou apoio à reeleição de Pivetta.

A situação levou a direção estadual a abrir procedimentos que podem resultar na expulsão de Flávia Moretti, de Várzea Grande; Cláudio Ferreira, de Rondonópolis; e Sérgio Machnic, de Primavera do Leste.

Os três anunciaram apoio ao governador. Edilson Piaia, de Campo Novo do Parecis, pediu desfiliação.

A divisão é particularmente relevante porque Wellington procura apresentar justamente o PL como uma das bases de sustentação de sua candidatura.

Além da estrutura partidária, o candidato aposta na vinculação com o presidenciável Flávio Bolsonaro e com o eleitorado conservador, que possui peso significativo em Mato Grosso.

O próprio Wellington tem argumentado que a eleição demonstra os limites da influência dos prefeitos.

Segundo ele, o eleitor não necessariamente acompanha a orientação política do chefe do Executivo municipal.

NATASHA TENTA SUBSTITUIR ESTRUTURA POR REDES – Natasha reconhece a diferença de estrutura municipal, mas sustenta que ela pode ser compensada pelo contato direto com o eleitor.

“Lógico que é importante ter apoio de vereadores, de prefeitos, de lideranças, mas o mais importante é ter o apoio do povo. É isso que te elege”, afirmou.

A candidata integra uma coligação formada por PSD, PT, PDT, PSB, PCdoB, PV, PSOL e Rede, e tem como principais referências políticas nacionais e estaduais o presidente Lula e o senador Carlos Fávaro.

A dificuldade está na capilaridade municipal: o PSD elegeu somente dois prefeitos em Mato Grosso em 2024.

Por isso, a internet ocupa posição importante na estratégia.

Até o início de setembro, a campanha havia declarado R$ 50 mil em despesas com impulsionamento de conteúdo nas redes sociais.

Natasha afirma que um dos principais desafios é aumentar seu grau de conhecimento entre os eleitores, já que disputa uma eleição pela primeira vez.

A recente entrada de recursos partidários também aumenta a capacidade da candidata de investir em comunicação e ampliar sua presença fora dos municípios em que possui estrutura política própria.

PIVETTA TRANSFORMA GESTÃO EM CAPILARIDADE – No caso de Pivetta, a vantagem municipal foi construída em torno da relação do Governo do Estado com as prefeituras e da adesão de gestores de diferentes partidos.

A dimensão dessa base ultrapassa as fronteiras da coligação formal.

Prefeitos pertencentes a legendas adversárias na disputa estadual também aderiram à candidatura governista.

Essa capilaridade permite que Pivetta chegue a praticamente todo o Estado acompanhado de lideranças municipais, mas também colocou a relação entre Governo e prefeituras no centro da campanha.

Wellington passou a acusar a gestão estadual de pressionar prefeitos por meio de convênios.

Segundo o candidato, alguns gestores teriam relatado que recursos poderiam deixar de ser liberados caso não apoiassem Pivetta.

Ele também afirma que existem convênios com 70%, 80% ou até 90% dos valores ainda pendentes.

Até agora, entretanto, Wellington não identificou publicamente esses prefeitos nem apresentou documentos que comprovem condicionamento de pagamentos a apoio eleitoral.

A acusação acrescenta uma nova dimensão à disputa pelo poder municipal: além de medir quantos prefeitos estão com cada candidato, será necessário acompanhar a relação financeira entre Estado e municípios durante o período eleitoral.

A URNA VAI MEDIR O PESO DOS PREFEITOS – A distribuição dos apoios cria uma oportunidade para medir, depois da eleição, quanto a força municipal efetivamente representa em votos.

O cruzamento mais relevante não será simplesmente contar prefeitos.

Será comparar, município por município, quem o prefeito apoiou e quem venceu naquela cidade.

Se Pivetta obtiver desempenho muito superior nos municípios administrados por aliados, haverá um indicador de transferência eleitoral.

Se Wellington vencer parte expressiva dessas cidades apesar do apoio dos prefeitos ao governador, ficará demonstrado que a influência municipal possui limites.

O mesmo poderá ser observado nas regiões em que candidatos possuem menor estrutura, mas apresentam maior identificação política ou ideológica com o eleitorado.

Por enquanto, as pesquisas mostram que capilaridade política e intenção de voto não caminham necessariamente na mesma proporção.

Pivetta entra na campanha com uma rede municipal difícil de ser igualada pelos adversários. Wellington tenta enfrentar essa vantagem com a estrutura do PL e o eleitorado bolsonarista.

Natasha procura substituir parte da ausência de prefeitos por comunicação digital e voto diretamente conquistado junto ao eleitor.

Milas disputa espaço com estrutura partidária e financeira significativamente menor.

A eleição de outubro mostrará qual dessas estratégias consegue transformar apoio político em voto.





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