As articulações para a eleição de 2026 em Mato Grosso começam a provocar movimentações nos bastidores dos partidos e já geram ruídos entre aliados históricos. Integrantes do PT em Mato Grosso demonstram preocupação com a possibilidade de mudanças nos planos do PSD para a disputa ao Governo do Estado, diante das investidas atribuídas ao ex-prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro, para assumir a condição de pré-candidato da legenda ao Palácio Paiaguás.
A apreensão petista surgiu após especulações sobre uma eventual substituição da médica Natasha Slhessarenko, nome que vem sendo trabalhado pelo PSD como principal aposta para a sucessão estadual. Nos bastidores, lideranças do PT avaliam que uma eventual troca poderia comprometer a aliança construída entre os dois partidos para as eleições de 2026.
Segundo interlocutores das duas legendas, o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, teria reafirmado apoio à pré-candidatura de Natasha e descartado mudanças na estratégia partidária neste momento. A médica, que já aparece em levantamentos de intenção de voto, é considerada uma das apostas do campo de centro-esquerda para ampliar a competitividade do grupo em um estado tradicionalmente identificado com candidaturas de direita.
A proximidade entre PT e PSD em Mato Grosso também está ligada ao cenário nacional. A avaliação de dirigentes petistas é que uma candidatura com perfil moderado pode contribuir para ampliar o palanque do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em um dos estados onde o eleitorado conservador historicamente registra forte predominância.
Nas eleições de 2022, por exemplo, o então presidente Jair Bolsonaro venceu Lula em Mato Grosso tanto no primeiro quanto no segundo turno, consolidando uma tendência observada nas últimas disputas presidenciais. Esse histórico tem levado lideranças petistas a buscar alternativas para ampliar a presença eleitoral do campo progressista no Estado.
Outro fator que fortalece a permanência de Natasha como nome do grupo é sua trajetória política e familiar. Filha da ex-senadora Serys Slhessarenko, uma das principais lideranças históricas do PT em Mato Grosso, a médica é vista por parte da militância como uma candidatura capaz de dialogar com diferentes segmentos do eleitorado sem provocar desgastes internos.
Dentro do PT, há também resistência à possibilidade de apoiar candidaturas de políticos que, em momentos anteriores, estiveram entre os principais adversários da legenda. Integrantes mais antigos da sigla defendem que PT e PSD mantenham projetos próprios até uma eventual composição futura, caso a disputa avance para um segundo turno.
Enquanto isso, o cenário para o Governo de Mato Grosso segue em formação. Além da pré-candidatura de Natasha Slhessarenko, aparecem como possíveis concorrentes nomes como o governador Otaviano Pivetta (Republicanos), o senador Wellington Fagundes (PL) e o senador Jayme Campos (União Brasil), formando um quadro que tende a fragmentar o campo conservador.
Nos bastidores, a avaliação é que a divisão entre candidaturas de direita pode abrir espaço para um desempenho mais competitivo de forças de centro e esquerda, embora lideranças políticas reconheçam que ainda é cedo para projeções definitivas.
Por enquanto, a principal preocupação do PT é preservar a aliança construída com o PSD e evitar mudanças que possam comprometer a estratégia traçada para 2026. As definições, porém, devem depender não apenas dos movimentos estaduais, mas também dos arranjos nacionais que começarão a ganhar forma ao longo dos próximos meses.




