A disputa pela presidência da Câmara de Cuiabá revelou um novo personagem na articulação política do Palácio Alencastro. Ao longo da semana, a primeira-dama e vereadora licenciada Samantha Iris (PL) deixou de atuar apenas como auxiliar da gestão municipal e assumiu protagonismo na defesa da permanência de Paula Calil (PL) no comando do Legislativo.
As declarações públicas de Samantha acompanharam a estratégia política construída pelo prefeito Abilio Brunini (PL) e passaram a responder diretamente às críticas feitas por vereadores favoráveis à candidatura de Ilde Taques (Podemos).
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Na prática, a primeira-dama tornou-se a principal porta-voz do Executivo na disputa pela Mesa Diretora.
Em suas manifestações, Samantha defendeu a necessidade de atualização do Regimento Interno da Câmara, argumentando que a legislação local precisa acompanhar o entendimento consolidado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) sobre as regras de composição das Mesas Diretoras dos Legislativos brasileiros.
Segundo ela, a discussão não deve ser tratada como uma mudança casuística para favorecer uma candidatura específica, mas como uma adequação jurídica necessária diante da evolução da jurisprudência.
Outro tema explorado pela primeira-dama foi a participação das mulheres na política.
Ao defender a recondução de Paula Calil, Samantha afirmou que a Câmara vive um momento histórico por ter, pela primeira vez, uma mulher na presidência e sustentou que essa conquista deveria ser preservada.
Ela também criticou manifestações de vereadoras que passaram a apoiar outro projeto para a Mesa Diretora, afirmando que o debate sobre maior participação feminina perde força quando mulheres deixam de apoiar outras mulheres em posições de liderança.
A declaração provocou reação imediata.
A vereadora Katiuscia Manteli (PSB), uma das principais apoiadoras da candidatura de Ilde Taques, respondeu que sororidade não significa apoio automático a qualquer mulher, mas respeito à liberdade de escolha e às convicções políticas de cada parlamentar.
Segundo Katiuscia, a eleição da Mesa deve ser decidida pelo projeto apresentado aos vereadores e não pelo gênero dos candidatos.
As divergências também alcançaram a Assembleia Legislativa.
Samantha criticou a participação de lideranças estaduais nas articulações da Câmara e demonstrou desconforto com a atuação do presidente da Assembleia, deputado Max Russi (Podemos), que saiu em defesa da autonomia do Legislativo municipal durante a discussão sobre a judicialização da eleição da Mesa.
Embora não tenha atribuído diretamente ao parlamentar a condução do movimento contrário à reeleição de Paula Calil, a primeira-dama afirmou que a escolha da Mesa deve permanecer restrita aos vereadores de Cuiabá.
As declarações reforçaram a narrativa construída pelo Executivo de que há interferências externas na disputa pela presidência da Câmara.
Nos bastidores do Palácio Alencastro, a atuação de Samantha é interpretada como parte da estratégia política do prefeito.
Sem ocupar mandato eletivo neste momento, ela passou a vocalizar argumentos que, muitas vezes, o próprio Abilio evitou apresentar diretamente, preservando o prefeito do desgaste provocado pelo acirramento da disputa.
Ao mesmo tempo, Samantha consolidou sua posição como uma das principais articuladoras políticas do núcleo mais próximo do chefe do Executivo.
A participação ativa na defesa de Paula Calil também evidencia o espaço crescente ocupado pela primeira-dama dentro das decisões políticas da atual administração.
Mais do que defender a permanência da presidente da Câmara, Samantha assumiu a tarefa de sustentar publicamente a estratégia adotada pelo prefeito para manter uma Mesa Diretora alinhada ao governo.
Nesse contexto, sua atuação ultrapassa a defesa de uma candidatura específica.
Ela passa a representar, politicamente, a posição do Executivo na principal disputa institucional enfrentada pela gestão Abilio Brunini desde o início do mandato.
AS PRINCIPAIS POSIÇÕES DE SAMANTHA IRIS
Sobre Paula Calil
Defende a permanência da atual presidente da Câmara.
Sobre o Regimento
Afirma que as regras precisam ser atualizadas conforme o entendimento do STF.
Sobre a participação feminina
Defende que a eleição de uma mulher para a presidência da Câmara representa um avanço político.
Sobre a sororidade
Disse que esperava maior apoio entre as vereadoras.
Sobre a disputa
Criticou o que considera interferências externas na eleição da Mesa Diretora.
Reação
As declarações foram contestadas por vereadoras que apoiam Ilde Taques, especialmente Katiuscia Manteli, que defendeu a autonomia das parlamentares para decidir seus votos e afirmou que sororidade não pode ser confundida com alinhamento político obrigatório.





