A retirada de seis vereadores do grupo de WhatsApp utilizado pelo prefeito Abilio Brunini (PL) para articular sua base na Câmara de Cuiabá foi muito mais do que uma decisão administrativa.
Nos bastidores da política municipal, o episódio passou a simbolizar uma mudança profunda na correlação de forças dentro do Legislativo.
O grupo virtual, criado no início da legislatura para facilitar a comunicação entre o Executivo e os vereadores aliados, refletia uma realidade política diferente da atual.
Naquele momento, praticamente toda a base governista orbitava em torno do Palácio Alencastro.
A disputa pela presidência da Mesa Diretora, entretanto, alterou esse cenário.
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Ao longo das últimas semanas, surgiram novos polos de articulação, vereadores passaram a construir agendas próprias e a relação entre Executivo e Legislativo tornou-se mais complexa.
A exclusão de parlamentares do grupo de mensagens tornou pública uma divisão que até então ocorria apenas nos bastidores.
Entre os vereadores retirados estavam parlamentares que passaram a apoiar a candidatura de Ilde Taques (Podemos) à presidência da Câmara.
O prefeito justificou a decisão afirmando que o grupo era destinado exclusivamente aos vereadores alinhados ao governo e que não faria sentido compartilhar estratégias políticas com parlamentares que optaram por outro projeto.
A medida, porém, teve efeito imediato.
O episódio consolidou a percepção de que a Câmara já não funciona mais como um bloco homogêneo de apoio ao Executivo.
Hoje, o ambiente político é marcado por diferentes centros de influência.
De um lado permanece o grupo de vereadores mais identificado com o prefeito Abilio Brunini e que trabalha pela reeleição da presidente Paula Calil (PL).
Em outro núcleo estão parlamentares que passaram a defender maior autonomia do Legislativo e apoiam a candidatura de Ilde Taques.
Esse grupo mantém interlocução frequente com lideranças da Assembleia Legislativa, especialmente com o presidente Max Russi (Podemos), que entrou publicamente na discussão ao defender a independência da Câmara diante da atuação do Executivo.
Há ainda vereadores que procuram manter posição independente, evitando alinhamento automático com qualquer dos dois lados e preservando margem para futuras negociações.
Nos bastidores, parlamentares admitem que essa fragmentação representa uma mudança importante em relação aos primeiros meses da legislatura.
No início do mandato, praticamente todas as discussões passavam pelo núcleo político da Prefeitura.
Agora, diferentes grupos passaram a disputar espaço e influência sobre os rumos da Câmara.
A própria eleição da Mesa Diretora acelerou esse processo.
A candidatura de Paula Calil consolidou um grupo comprometido com a manutenção da atual direção da Casa.
Ao mesmo tempo, a candidatura de Ilde Taques reuniu vereadores que defendem maior independência em relação ao Executivo.
A entrada do presidente da Assembleia Legislativa, Max Russi, no debate também contribuiu para fortalecer um novo eixo de articulação política dentro do Parlamento municipal.
O resultado é uma Câmara mais plural, mas também mais dividida.
Para cientistas políticos, essa reorganização é natural em legislaturas que deixam a fase inicial de acomodação e passam a disputar efetivamente espaços de poder.
Nesse contexto, o grupo de WhatsApp acabou funcionando como um retrato simbólico dessa transformação.
Quando todos estavam no mesmo espaço virtual, a base governista transmitia uma imagem de unidade.
A partir do momento em que vereadores foram excluídos por divergências políticas, ficou evidente que a Câmara passou a conviver com diferentes projetos de poder.
Mais do que um aplicativo de mensagens, o WhatsApp tornou-se o símbolo da nova geografia política do Legislativo cuiabano.
A eleição da Mesa Diretora apenas revelou um processo que já vinha sendo construído silenciosamente desde o início da legislatura: o surgimento de novos polos de influência e a redução da centralidade do Executivo nas articulações internas da Câmara.
O NOVO MAPA POLÍTICO DA CÂMARA
Antes
Um único centro de articulação
Base governista praticamente unificada em torno da Prefeitura.
Agora
Grupo do Executivo
Vereadores alinhados ao prefeito Abilio Brunini.
Defendem a permanência de Paula Calil.
Grupo de Ilde Taques
Defende mudança na Mesa Diretora.
Cobra maior autonomia da Câmara.
Grupo com interlocução na Assembleia
Vereadores que mantêm diálogo político com o presidente da ALMT, Max Russi.
Independentes
Parlamentares que evitam alinhamento definitivo e negociam caso a caso.
O símbolo da mudança
A retirada de vereadores do grupo de WhatsApp da base governista tornou pública uma divisão que já vinha se consolidando nos bastidores e passou a refletir a nova composição de forças dentro da Câmara de Cuiabá.





