Início GERAL IA inaugura a ‘guerra digital’ entre pré-candidatos em Mato Grosso

IA inaugura a ‘guerra digital’ entre pré-candidatos em Mato Grosso


Reprodução

Vídeos produzidos com inteligência artificial usam humor, paródias e personagens virtuais para criticar adversário, na pré=campanha em MT

A campanha eleitoral de 2026 ainda não começou oficialmente, mas uma nova disputa já tomou conta das redes sociais em Mato Grosso.

A Inteligência Artificial passou a ser utilizada como ferramenta de comunicação política para construir narrativas, criticar adversários e promover pré-candidaturas, antecipando uma tendência que especialistas apontam como uma das marcas desta eleição.

Leia também:

Paródia com IA marca nova etapa da disputa eleitoral em Mato Grosso

Pivetta diz que trabalhará para vencer disputa ao Governo já no 1º turno

Nos últimos dias, vídeos produzidos com recursos de IA começaram a circular em aplicativos de mensagens e plataformas digitais, utilizando personagens conhecidos, linguagem cinematográfica e humor para transmitir mensagens eleitorais.

Embora com formatos diferentes, as produções têm um ponto em comum: utilizam a tecnologia para reforçar posicionamentos políticos e disputar a atenção do eleitor muito antes do período oficial de propaganda.

Um dos vídeos utiliza como referência o pronunciamento feito pelo jogador Neymar ,após a eliminação da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026.

Na versão adaptada, o personagem central passa a ser o ex-governador Mauro Mendes (União).

A paródia transforma Mauro em uma espécie de “Neymar do Paiaguás” e utiliza a linguagem do vídeo original para ironizar um dos temas mais explorados pela oposição ao Governo do Estado: os atrasos na implantação do BRT entre Cuiabá e Várzea Grande.

Ao longo da narrativa, o conteúdo faz referência às explicações apresentadas durante a execução da obra e termina com a aparição do atual governador Otaviano Pivetta (Republicanos), sugerindo a continuidade do grupo político que administra o Estado.

Outro vídeo segue estratégia diferente. Produzido também com inteligência artificial, reúne versões digitais do governador Pivetta, do senador Wellington Fagundes (PL), do senador Jayme Campos (União) e do ex-governador Mauro Mendes.

A narrativa apresenta os quatro como representantes de um mesmo grupo político que, há anos, ocupa posições de destaque na política mato-grossense.

Ao final, o vídeo introduz a médica Natasha Slhessarenko (PSD), apresentada como alternativa de renovação para o Governo do Estado.

Diferentemente da paródia inspirada em Neymar, o foco da produção não é o humor, mas a construção de uma mensagem eleitoral que contrapõe experiência e continuidade à ideia de mudança.

Embora tenham objetivos distintos, os dois materiais revelam uma transformação importante na propaganda política.

A inteligência artificial deixa de ser apenas um recurso tecnológico e passa a integrar as estratégias de comunicação dos grupos políticos, permitindo a criação de vídeos sofisticados, de baixo custo e com grande potencial de circulação nas redes sociais.

DA TELEVISÃO AO ALGORITMO – Durante décadas, as campanhas eleitorais foram marcadas pelo horário gratuito na televisão, jingles, santinhos e programas produzidos por grandes equipes de marketing.

Com o avanço das redes sociais, o foco migrou para vídeos curtos, memes e transmissões ao vivo.

Agora, a inteligência artificial inaugura uma nova etapa desse processo.

Ferramentas disponíveis na internet permitem criar personagens virtuais, reproduzir vozes, sincronizar movimentos faciais e gerar vídeos completos a partir de comandos simples, reduzindo tempo e custos de produção.

Especialistas avaliam que essa tecnologia tende a se tornar um dos principais instrumentos das campanhas eleitorais, tanto para divulgação de propostas quanto para críticas e sátiras dirigidas aos adversários.

O DESAFIO DA JUSTIÇA ELEITORAL – O avanço da inteligência artificial também impõe novos desafios à Justiça Eleitoral.

As normas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) exigem transparência na utilização de conteúdos produzidos por IA e vedam materiais capazes de induzir o eleitor ao erro por meio da manipulação da imagem, da voz ou da criação de fatos inexistentes.

Ao mesmo tempo, preservam manifestações humorísticas, paródias e conteúdos opinativos, desde que não configurem desinformação ou atentem contra a integridade do processo eleitoral.

Na avaliação de especialistas em Direito Eleitoral, a principal discussão não será o uso da inteligência artificial em si, mas a forma como ela será empregada durante a campanha.

TENDÊNCIA SEM VOLTA – Os vídeos que começaram a circular em Mato Grosso indicam que a eleição de 2026 deverá marcar a consolidação da inteligência artificial como ferramenta de comunicação política.

A expectativa é que novas produções envolvendo diferentes pré-candidatos apareçam nos próximos meses, ampliando uma disputa que já ultrapassa os palanques tradicionais e se concentra, cada vez mais, nas telas dos celulares.

Se antes o sucesso de uma campanha dependia do tempo de televisão ou da quantidade de material impresso distribuído nas ruas, agora a disputa também será medida pela capacidade de produzir conteúdos criativos, capazes de viralizar em poucos minutos e influenciar o debate público nas redes sociais.

O que dizem as regras do TSE

IA é permitida. Conteúdos manipulados devem ser identificados. É proibido induzir o eleitor ao erro com simulações enganosas. Deepfakes enganosos podem gerar sanções eleitorais.    

IA já entrou na disputa

Vídeo 1

Mauro Mendes em paródia inspirada em Neymar. Crítica ao legado do Governo, especialmente o BRT. Pivetta aparece no encerramento.

Vídeo 2

Bonecos de Pivetta, Mauro, Wellington e Jayme. Grupo é apresentado como representante da política tradicional. Natasha Slhessarenko surge como alternativa de renovação.   

Veja vídeo 1

 





FONTE

Google search engine